Indicador do Cepea mostra ajustes pequenos entre os polos, mas importações, inverno e regulação mantêm pressão sobre margens da piscicultura.
A tilápia entrou em junho sem grandes solavancos nas cotações.
Na leitura semanal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), referente ao período de 25 a 29 de maio, os preços se mantiveram em faixa estreita na maior parte dos polos acompanhados. A estabilidade, no entanto, não significa mercado parado. Enquanto algumas regiões conseguiram sustentar pequenos avanços, outras registraram recuos que acenderam alerta sobre margens e rentabilidade na piscicultura.
O Norte do Paraná liderou os preços com R$ 10,46 por quilo, leve alta de 0,12 por cento. Na outra ponta, o Oeste do Paraná ficou em R$ 8,83 por quilo, com a maior queda entre as praças, de 0,49 por cento. Em Minas Gerais, os valores oscilaram entre R$ 9,61 e R$ 10,25 por quilo, confirmando um quadro de estabilidade com viés regional desigual.
Preços têm ajustes pequenos, mas regiões mostram ritmos diferentes
Os dados do Cepea para a última semana de maio mostram que a tilápia acumula movimentos típicos de transição sazonal. No Paraná, principal estado produtor, a diferença entre Norte e Oeste ultrapassou R$ 1,60 por quilo, um intervalo capaz de influenciar decisões de abate e negociação com a indústria. Grandes Lagos, em Minas Gerais, ancorou em R$ 10,08 por quilo, com recuo mínimo de 0,07 por cento, enquanto Morada Nova de Minas caiu 0,25 por cento, para R$ 9,61. O Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba mostrou alta de 0,07 por cento, a R$ 10,25 por quilo.
Região
Preço (R$/kg)
Semana anterior
Variação
Grandes Lagos MG
R$ 10,08
R$ 10,09
-0,07%
Morada Nova de Minas MG
R$ 9,61
R$ 9,64
-0,25%
Norte do Paraná PR
R$ 10,46
R$ 10,45
+0,12%
Oeste do Paraná PR
R$ 8,83
R$ 8,87
-0,49%
Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba MG
R$ 10,25
R$ 10,24
+0,07%
O comportamento das cotações sugere que a oferta ainda não se ajustou totalmente à saída do verão, quando o frio começa a influenciar o metabolismo dos peixes e a logística de despesca. No Oeste do Paraná, onde a produção é mais concentrada, a queda semanal foi mais expressiva, sinal de que o volume disponível ao abate ainda supera a demanda imediata.
Importação, frio e Conabio definem o radar de junho
Junho chega com três frentes abertas para o mercado da tilápia. A primeira é a pressão da importação do Vietnã, que avançou sobre praças como São Paulo. Dados de entidades do setor indicam que o produto vietnamita ganhou espaço no varejo, comprimindo a margem do pescado nacional e limitando a capacidade de repasse de custos ao consumidor final.
A segunda frente é o frio.
Temperaturas mais baixas reduzem a taxa de crescimento dos peixes, alongam o ciclo produtivo e elevam o custo com manejo e aquecimento de água. Na região Sul, onde o frio foi mais intenso nos últimos dias, produtores já relatam desafios para manter a oxigenação e a qualidade da água. Esse aperto tende a conter a oferta nas próximas semanas, o que pode dar algum suporte aos preços no curto prazo.
A terceira frente é a indefinição regulatória. A Conabio adiou a decisão sobre incluir a tilápia na lista de espécies invasoras e criou um grupo de trabalho para aprofundar a análise técnica. O adiamento afasta o risco imediato de restrição, mas não elimina a incerteza que pesa sobre investimentos e planejamento de longo prazo na piscicultura. O setor, que movimenta cerca de R$ 9 bilhões ao ano e responde por mais de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo, segue atento aos próximos passos da comissão.
A tilápia representa cerca de 65 por cento da produção nacional de peixes de cultivo, o que torna qualquer oscilação de preço relevante para a cadeia como um todo. Para o produtor, o mês de junho será de equilíbrio delicado entre a pressão das importações, o encarecimento do manejo no inverno e o horizonte regulatório.
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