Pressão nos custos de ração e queda nas cotações dos ovos corroem a rentabilidade da avicultura de postura paulista
O cenário operacional para a avicultura de postura comercial no estado de São Paulo registrou uma deterioração expressiva ao longo do mês de julho. A combinação desfavorável entre a depreciação nos preços pagos pela caixa de ovos e o encarecimento simultâneo dos principais insumos da nutrição animal o milho e o farelo de soja reduziu drasticamente o poder de compra dos produtores. O indicador de rentabilidade atingiu o patamar mais baixo desde janeiro deste ano, acendendo um alerta na cadeia produtiva e pressionando as margens operacionais das granjas paulistas.
No lado das matérias-primas, o mercado de grãos apresentou dinâmicas complexas que sustentaram a valorização dos insumos na passagem de junho para julho. O milho, componente de maior volume na dieta das poedeiras, manteve uma trajetória ascendente de preços mesmo com o avanço da colheita da 2ª safra nacional. Essa sustentação ocorreu devido a um desalinhamento temporário entre oferta e demanda no mercado disponível.
De um lado, os compradores adotaram uma postura de forte retração, operando na expectativa de que a maior disponibilidade física de grãos decorrente da colheita pudesse forçar uma queda nas cotações no curto prazo. De outro lado, os produtores rurais mantiveram o foco quase exclusivo nos trabalhos de campo e na logística da colheita, evitando a venda apressada do cereal. Essa menor liquidez no mercado à vista acabou sustentando os valores pedidos pelos vendedores, elevando o custo de aquisição para as granjas.
Paralelamente, o farelo de soja registrou valorização expressiva no mesmo período. A demanda firme pelo derivado manteve-se aquecida tanto no ambiente interno impulsionada pelas indústrias de ração quanto no mercado internacional. O apetite das gestões de compra externas refletiu-se em uma elevação nos prêmios de exportação praticados nos portos brasileiros, o que encareceu o produto no mercado interno e repassou o ajuste positivo para as tabelas negociadas dentro do estado. Como a nutrição representa mais de 70% dos custos variáveis da avicultura de postura, a alta concomitante dos dois principais grãos pesou fortemente sobre o fluxo de caixa do setor.
Em contrapartida ao encarecimento da ração, os preços praticados para os ovos brancos e vermelhos sofreram reduções sistemáticas na comparação entre junho e julho. A desvalorização no produto final reflete momentos de acomodação do consumo no elo varejista e dificuldades de repasse integral dos custos ao consumidor final. Com uma oferta ajustada, mas sem espaço para aumentos de preço na ponta compradora, os produtores viram-se obrigados a absorver a retração dos valores.
A consequência direta dessa divergência entre receita e custo foi um enfraquecimento severo nas relações de troca da atividade. A quantidade de caixas de ovos necessária para adquirir uma saca de milho ou uma tonelada de farelo de soja aumentou consideravelmente. Essa perda do poder de compra mostrou-se evidente tanto na comparação mensal quanto na análise interanual em relação ao mesmo período do ano anterior.
Diante da compressão das margens de lucro, o avicultor paulista enfrenta a necessidade de readequar o planejamento produtivo para o segundo semestre. As estratégias de mitigação do impacto financeiro passam pelo descarte antecipado de lotes de poedeiras mais velhas e menos eficientes, pela revisão rigorosa das fórmulas de ração para maximizar a conversão alimentar e pela gestão cautelosa das aquisições de grãos no mercado spot. Clique aqui e acompanhe o agro.
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