Com cotações entre R$ 8,83/kg e R$ 10,46/kg, o setor acompanha se novas barreiras ao produto importado mudam a formação de preços no curto prazo
A tilápia brasileira entra em junho com um novo componente de avaliação para produtores, indústrias e compradores. A decisão de São Paulo de aplicar alíquota específica de ICMS ao filé de tilápia importado do Vietnã adiciona pressão tributária sobre o concorrente externo, mas as referências do Cepea/Esalq entre 25 e 29 de maio ainda apontam um mercado físico praticamente estável nas principais praças acompanhadas.
As cotações ficaram entre R$ 8,83/kg no Oeste do Paraná e R$ 10,46/kg no Norte do Paraná. As variações semanais foram estreitas, com ajustes negativos moderados em Minas Gerais e no Oeste paranaense, além de leves altas no Norte do Paraná e no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. O quadro sugere que a formação de preços segue mais ligada ao equilíbrio regional entre oferta, demanda e ritmo de abate do que à mudança regulatória anunciada no início de junho.
Para o mercado financeiro do pescado, o ponto central é medir se a nova tributação paulista terá força para alterar margens, contratos e estratégias de compra no curto prazo. A proteção competitiva tende a beneficiar a indústria nacional se reduzir a vantagem do filé importado, mas a transmissão para o preço ao produtor depende de volumes efetivamente negociados, estoques e reação do varejo.
Preços Cepea mostram estabilidade enquanto importação entra no radar tributário
Os dados do Cepea/Esalq indicam estabilidade ampla nas praças monitoradas. A maior referência foi registrada no Norte do Paraná, enquanto o menor valor apareceu no Oeste do Paraná. Mesmo nas regiões com queda, os recuos ficaram abaixo de meio ponto percentual, sinalizando ausência de choque imediato nos preços antes da incorporação dos efeitos tributários.
Dados do Cepea/Esalq, indicador da tilápia referente ao período de 25 a 29 de maio de 2026.
Região Cepea/Esalq
Preço R$/kg
Variação semanal
Grandes Lagos MG
10,08
-0,07%
Morada Nova de Minas MG
9,61
-0,25%
Norte do Paraná PR
10,46
+0,12%
Oeste do Paraná PR
8,83
-0,49%
Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba MG
10,25
+0,07%
Medidas em SP, Pernambuco e Brasília elevam atenção sobre competitividade da tilápia nacional
O movimento paulista se soma a outras frentes institucionais. Em Pernambuco, a Adagro anunciou portaria para limitar a circulação de tilápia importada diante da preocupação sanitária com o vírus TiLV. Em Brasília, a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou projetos que tratam da proibição da importação e de incentivos à produção nacional.
A leitura para o setor é que a agenda regulatória ganhou peso como variável de mercado. Caso as barreiras reduzam a entrada do produto vietnamita, frigoríficos e distribuidores podem ampliar a busca por matéria-prima nacional, especialmente em polos competitivos do Paraná e de Minas Gerais. Ainda assim, a estabilidade mostrada pelo Cepea/Esalq recomenda cautela. Até agora, o preço da tilápia segue sem sinal claro de repasse imediato.
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