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Farelo e óleo aceleram 2% e turbinam a margem de esmagamento da soja no Brasil

Redação
29/05/2026 às 07:51
Lavoura de soja em Mato Grosso com produtor avaliando margem de esmagamento e preços do farelo e óleo

Derivativos da soja lideram a alta do complexo com farelo (+2,06% em MT) e óleo (+1,91% na CME); margem favorável atrai demanda industrial e sustenta preços internos

Enquanto o noticiário repete a narrativa de Chicago na faixa dos US$ 12, o movimento mais expressivo do mercado brasileiro de soja está acontecendo fora dos holofotes. O farelo e o óleo de soja aceleraram em ritmo muito superior ao do grão nos últimos dias, ampliando a margem de esmagamento da indústria processadora e reconfigurando a dinâmica de compra no mercado físico.

Dados oficiais do IMEA mostram que o farelo de soja em Mato Grosso saltou para R$ 1.588,68 por tonelada na quinta-feira (28), com alta de 2,06% em relação ao dia anterior. O óleo de soja foi a R$ 5.852,12 por tonelada, avanço de 1,31%. Na CME de Chicago, o farelo para julho subiu 1,06%, para US$ 334,10 a tonelada, enquanto o óleo disparou 1,91%, cotado a US$ 0,7670 por libra-peso. No mesmo período, a soja em grão subiu 0,74% em MT (média de R$ 105,09 a saca) e 0,78% em Chicago (US$ 11,9450 por bushel).

Farelo e óleo tomam a dianteira no complexo soja

A conta é simples. Uma tonelada de soja processada rende cerca de 800 quilos de farelo e 190 quilos de óleo. Com os dois derivativos subindo mais que o grão, a receita combinada do processador avança e o incentivo para comprar soja disponível cresce na mesma proporção. O mercado chama isso de margem de esmagamento, ou crush spread, e ela está num dos melhores momentos do ano.

A diferença fica clara na comparação direta entre os três elos da cadeia.

ProdutoIMEA/MT (R$)VariaçãoCME Chicago (US$)Variação
Soja grão105,09/sc+0,74%11,9450/bu+0,78%
Farelo de soja1.588,68/t+2,06%334,10/t+1,06%
Óleo de soja5.852,12/t+1,31%0,7670/lb+1,91%

O dado técnico revela que o farelo e o óleo estão andando na frente do grão tanto no mercado interno quanto no externo. Quando isso acontece, a indústria processadora ganha fôlego financeiro para disputar a matéria-prima com mais agressividade. Na prática, quem está sustentando o piso dos preços da soja no Brasil hoje não é apenas o noticiário de Chicago, mas o apetite real do esmagador.

Os prêmios de exportação em Paranaguá confirmam o movimento. A curva de prêmios subiu mês a mês, de +0,20 US$/bushel em maio para +0,25 em junho, +0,30 em julho e +0,35 em agosto. Uma estrutura ascendente como essa sinaliza que a demanda futura já está contratada, e o esmagador está disposto a pagar mais para garantir fluxo de grão nos próximos meses.

Disputa por matéria-prima aquece o spot em MT

Em Mato Grosso, os reflexos da margem favorável já aparecem nas cotações regionais. Enquanto a média estadual da soja disponível ficou em R$ 105,09, praças específicas registraram altas bem acima disso. Querência disparou 2,94% (R$ 105,10), Tangará da Serra subiu 2,65% (R$ 104,40) e Vila Rica avançou 2,13% (R$ 103,25). Os melhores preços do estado continuam no sul. Rondonópolis a R$ 112,00, Alto Garças a R$ 111,40 e Alto Araguaia a R$ 111,00.

A paridade de exportação média de MT está em R$ 109,32 por saca, ante um preço disponível de R$ 105,09. Esse gap de R$ 4,23 (cerca de 4%) abre espaço teórico para alta adicional, especialmente se a indústria processadora continuar competindo com os exportadores pelo mesmo grão.

Do lado cambial, o dólar comercial fechou a R$ 5,0517 na quinta (28) e opera a R$ 5,03 no spot desta sexta (29), em leve queda no mercado à vista. O alívio cambial reduz o custo de insumos importados como fertilizantes e defensivos, o que pode estimular o produtor a segurar estoques na expectativa de prêmios ainda melhores. Essa retenção, combinada com a demanda ativa da indústria, comprime ainda mais a oferta disponível.

A perspectiva para as próximas semanas dependerá da sustentação dos derivativos. Se o mercado de proteína animal continuar demandando farelo em volume e o óleo mantiver o viés de alta, a margem de esmagamento permanecerá favorável e a indústria seguirá na ponta compradora. Para o produtor mato-grossense, o recado é claro. O piso do mercado hoje não está em Chicago, mas na conta do esmagador.

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