Chegamos a esta sexta-feira com as mesas de operação processando um respiro importante nas cotações internacionais. Após uma sequência de pressionadas causadas pelo otimismo meteorológico no Hemisfério Norte, os mercados agrícolas da Bolsa de Chicago (CBOT) abrem a última sessão da quinzena ensaiando uma recuperação técnica. A volta do interesse comprador por parte dos fundos de investimento e os dados contínuos de forte demanda chinesa dão o tom positivo nesta manhã.
Paralelamente, o ambiente geopolítico e o câmbio mantêm o produtor mato-grossense em alerta para as estratégias de comercialização e travamento de margens no mercado interno.
Abaixo, o detalhamento das forças que comandam os negócios hoje.
O front macro: Brent acomoda a US$ 81,81 e novas ameaças no Oriente Médio
No setor de energia, o mercado passa por um ajuste técnico nesta manhã. O petróleo tipo Brent opera no campo negativo, cotado a US$ 81,81 por barril, realizando lucros após ter registrado uma expressiva arrancada superior a 4% no pregão anterior.
O xadrez geopolítico recusa-se a sair do radar dos investidores. Relatos de novas ameaças retóricas e militares do Irã contra os Estados Unidos mantêm o prêmio de risco geopolítico contratado nas telas globais.
No mercado financeiro, essa volatilidade internacional reflete-se na moeda americana. O dólar abre a sexta-feira trabalhando “de lado”, após ter registrado um forte recuo na véspera e encerrado a sessão cotado a R$ 5,107. Essa queda da divisa ocorreu na contramão do cenário externo, onde o dólar ganhou força ante a maioria das moedas emergentes em virtude do acirramento da tensão geopolítica.
Complexo Soja: Correção técnica e força da China devolvem a Soja Março/27 aos US$ 12,00
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o complexo soja caminha levemente em terreno positivo nesta manhã de sexta-feira. Trata-se de um movimento estritamente técnico de correção, impulsionado por recompras de posições após as perdas acumuladas ao longo da semana.
O grande destaque do desenho técnico é o contrato Soja Março/27 (safra sul-americana), que volta a encostar na importante barreira psicológica dos US$ 12,00 por bushel.
Dando sustentação e densidade fundamental a essa recuperação, os números de exportação americana voltam a impressionar: somente nesta semana, as confirmações de vendas de soja norte-americana para a China atingiram a marca de 600 mil toneladas. Esse apetite comprador do gigante asiático atua como um contrapeso fundamental contra o viés baixista imposto pelos mapas de clima dos EUA, que continuam apontando para a consolidação de uma safra cheia no Corn Belt.
Milho e Trigo: Fundos de investimento puxam reação na CBOT e usinas ditam o físico em MT
O milho acompanha o ritmo da oleaginosa e também abre a sessão em tom positivo nas telas americanas. Conforme destacado pelo portal internacional Successful Farming, tanto o milho quanto a soja e o trigo apresentaram tendência de alta durante a negociação noturna, empurrados pelo renovado interesse dos fundos de investimento em recompor carteiras de commodities agrícolas.
Aqui no Brasil, a B3 estabilizou-se em campo neutro ontem, após acompanhar as quedas recentes de Chicago.
No mercado físico de Mato Grosso, o panorama permanece travado entre pontas:
O Comprador: Os principais agentes ativos na ponta compradora continuam sendo as usinas de etanol de milho do mercado interno.
A Precificação: Essas usinas vêm balizando suas tabelas de compra fortemente influenciadas pelas oscilações do câmbio.
O Vendedor: Na ponta oposta, os produtores rurais mantêm-se reticentes, comercializando apenas volumes estritamente necessários para fluxo de caixa e aguardando melhores condições para lotes maiores.
O que levar no radar hoje:
Para balizar o fechamento da sua semana e o seu planejamento comercial:
Recuperação em Chicago: Soja e milho sobem em ajuste técnico; contrato Soja Mar/27 recupera o patamar de US$ 12,00/bushel.
Aparato Chinês Ativo: Vendas de soja dos EUA para a China ultrapassam 600 mil toneladas nesta semana, atuando como o principal suporte do mercado.
Fundos nas Compras: Reação noturna impulsionada pelo retorno dos fundos de investimento às posições compradas em grãos.
Clima no Radar: Notícias de safra cheia nos EUA continuam limitando altas exageradas de longo prazo.
Petróleo e Geopolítica: Brent recua para US$ 81,81 após saltar 4%; novas ameaças do Irã mantêm o mercado em alerta.
Físico Travado em MT: Dólar a R$ 5,107 e usinas de etanol no comando das compras pedem paciência ao produtor de milho nas negociações do disponível.
Encerramos mais uma semana de forte volatilidade e oportunidades estratégicas nas telas. Aproveite a recuperação pontual de Chicago para calibrar seus alvos de venda e fique atento ao fechamento do câmbio hoje. Um excelente final de semana e bons negócios a todos.
Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes
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Sobre o autor
Vicente Delgado
DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência
Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.