Produção recorde de 1,01 milhão de toneladas em 2025 contrasta com exportações do Paraná em queda de 54% e preços Cepea recuando em 4 de 5 praças na primeira semana de junho, no pior cenário de rentabilidade para o produtor.
O Brasil atingiu em 2025 a marca histórica de 1,01 milhão de toneladas de peixes cultivados, com crescimento de 4,4% sobre o ano anterior. Enquanto a oferta interna se expande, os preços ao produtor recuam (Cepea/Esalq-USP) e as exportações do Paraná desabam 54% em 2026 (Secex/MDIC).
O setor enfrenta o paradoxo de produzir mais e ganhar menos.
Preços Cepea recuam em 4 de 5 praças
O Indicador de Preços da Tilápia do Cepea registrou queda em quatro das cinco praças na primeira semana de junho. A média ficou em R$ 9,83/kg. A única praça com variação positiva foi o Norte do Paraná (R$ 10,47/kg, +0,09%). Na outra ponta, o Oeste do Paraná registra R$ 8,82/kg (Cepea/Esalq-USP).
Em Minas Gerais, Grandes Lagos recuou 0,53%, Morada Nova de Minas caiu 0,22% e Triângulo Mineiro teve variação negativa de 0,17%.
Exportações do Paraná despencam 54% e câmbio não compensa
As vendas externas de tilápia paranaense encolheram 54% em 2026. A queda expõe dois problemas estruturais. Dependência excessiva do mercado dos EUA, principal comprador, e risco iminente de tarifa de 25% sobre o pescado brasileiro. Exportadores já reportam queda em novos contratos (Secex/MDIC).
Sem mercados alternativos consolidados, o excedente pressiona o mercado interno e agrava a queda dos preços ao produtor. O dólar a R$ 5,1244 (PTAX, 05/06/2026) oferece alívio cambial parcial, mas não compensa a perda de volume. Analistas do Cepea apontam que seriam necessárias redução de barreiras tarifárias e abertura de novos mercados (BCB).
A Aquishow 2026 projeta movimentação entre R$ 115 milhões e R$ 130 milhões em negócios. Para o produtor, o momento exige atenção aos custos e às janelas de mercado.
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Sobre o autor
Vicente Delgado
DRT 2364/MT
Jornalista e fundador do Agronews, referência em informações sobre o agronegócio brasileiro. Com mais de 15 anos de experiência no setor, acompanha de perto as principais commodities, políticas agrícolas e tendências do mercado rural.