Mercado físico acomoda, futuros ainda pagam prêmio e a decisão de trava pode mudar o resultado da safrinha.
O milho começa 2026 com o mercado físico andando de lado, mas com sinais claros de acomodação nos preços. Ao mesmo tempo, a safrinha 2025/26 segue sem números novos de produção nesta semana, o que desloca o foco do mercado para câmbio, Chicago e paridade de exportação. Para quem está com planejamento de venda em cima da mesa, o desafio é simples de entender e difícil de executar: decidir se aproveita o prêmio dos futuros ou espera uma reação que, por enquanto, não veio.
Onde o preço está parado hoje
As referências mais próximas do mercado físico mostram um milho firme, porém lateralizado. O Indicador Milho CEPEA/ESALQ, base Campinas (SP), ficou em R$ 68,94/sc em 08/01/2026, com queda diária de 0,09% e recuo de 0,81% no mês. No dia anterior, 07/01/2026, o indicador marcava R$ 69,00/sc. Uma série agregada divulgada via Agro Estadão também apontou R$ 69,13/sc em 06/01/2026.
O ponto é que esses valores desenham um mercado estável a levemente pressionado, mas ainda em patamar considerado firme quando comparado à média de 2025, dado histórico. Na prática, o produtor sente isso no bolso como um preço que não desaba, mas também não embala. A liquidez existe, porém o comprador está mais cauteloso, ajustando posição dia a dia.
O que a referência de Mato Grosso ensina, sem confundir cenário
Vale atenção para não misturar as coisas. Os números do IMEA para milho em Mato Grosso, como Centro-Sul a R$ 47,29/sc, Médio-Norte a R$ 48,75/sc, Nordeste a R$ 46,71/sc e Noroeste a R$ 46,42/sc, são médias históricas da safra 24/25. Eles ajudam a entender o nível de preço com o qual o produtor já operou no passado, mas não representam janeiro de 2026.
Por que isso importa? Porque muitos produtores usam essas referências para balizar custo de produção e margem esperada. O aprendizado é claro: quem travou bem naquela safra sobreviveu melhor às oscilações. Quem deixou tudo a mercado sentiu mais o peso da logística e do timing de venda.
Safrinha 2025/26 segue no escuro de números
Na semana atual, não houve novas revisões oficiais de produção nem da CONAB nem do USDA para o milho 2025/26. Isso significa que o mercado está operando com relatórios anteriores, já conhecidos e, em grande parte, precificados.
No cenário global, estimativas históricas de novembro de 2025 indicavam produção mundial recorde em torno de 1,286 bilhão de toneladas, com crescimento de 4,5% frente a 2024/25 e estoques finais em leve queda, perto de 281 milhões de toneladas. Para o Brasil, o estoque final 2025/26 havia sido revisado para cima naquele momento, mas ainda abaixo do volume de 2024/25.
O que muda a conversa é que, sem números novos, qualquer boato climático ou movimento financeiro ganha mais peso do que deveria. O produtor precisa filtrar ruído e focar no que de fato impacta sua margem.
Câmbio, Chicago e exportação entram na conta
Nesta semana, também não surgiram números oficiais novos de câmbio ou Chicago especificamente ligados ao milho nas fontes CEPEA, B3 ou IMEA. Mesmo assim, análises setoriais seguem apontando o dólar como variável-chave para a paridade de exportação.
Na prática, quando o câmbio ajuda, o exportador consegue pagar um pouco mais no físico ou, pelo menos, sustentar o preço. Quando o dólar perde força, a pressão aparece rápido, especialmente em regiões mais distantes do porto, onde o frete come margem. Mesmo sem indicadores oficiais novos de frete nesta semana, a logística continua sendo um fator decisivo na formação do preço final.
Para quem acompanha os dados do Cepea, fica claro que o mercado está muito mais sensível a essas variáveis externas do que a qualquer revisão de safra neste momento.




