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Trigo: Oferta elevada e importações fortes mantêm preços baixos

Redação
11/01/2026 às 20:18
Trigo: Oferta elevada e importações fortes mantêm preços baixos

O mercado de trigo começa 2026 com um recado direto para quem está olhando a safra de inverno: preço pressionado e pouca margem para erro. A combinação de oferta elevada no Brasil e no mundo, importações fortes e estoques confortáveis mantém as cotações internas em um patamar pouco atrativo. O desafio imediato do produtor é decidir área e manejo em um cenário em que vender bem está mais difícil e o custo não dá muita folga.

Contexto de preços e o que está segurando o mercado

Os números do Cepea mostram bem esse ambiente. No dia 09/01/2026, o indicador CEPEA Brasil, trigo pão/massa ao produtor, ficou em R$ 1.178,92 por tonelada, com leve variação negativa no dia e queda acumulada no mês. Nos dias anteriores, os preços já vinham escorregando, sempre muito próximos desse mesmo patamar.

O ponto é que esse nível de preço não anima. Depois de quedas fortes ao longo de 2025, o trigo entra em 2026 sem sinal claro de reação. Segundo o Cepea, a direção de curto prazo ainda é de leve baixa, justamente porque a oferta disponível segue grande e o mercado não encontra motivo consistente para pagar mais.

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando tenta negociar com moinho ou cooperativa e encontra pouca urgência de compra. Quem precisa fazer caixa acaba aceitando valores mais baixos, enquanto quem pode segurar percebe que o mercado também não dá prêmio para esperar.

Oferta interna, estoques e a pressão do trigo importado

O peso maior sobre o mercado hoje vem da oferta. A Conab projeta, para o ciclo de agosto de 2025 a julho de 2026, uma disponibilidade interna total acima de 16 milhões de toneladas, crescimento frente à temporada anterior. O consumo interno gira em torno de 11,8 milhões de toneladas, o que deixa uma sobra relevante.

Esse excesso aparece claramente nos estoques finais. A estimativa é de 2 milhões de toneladas em julho de 2026, o equivalente a 8,7 semanas de consumo. É a maior relação estoque/consumo desde 2020. Com esse colchão, a indústria compra com calma e não disputa produto.

Além disso, o Brasil continua fortemente dependente de importações. A previsão é de 6,7 milhões de toneladas importadas no ciclo, número alto e que pesa na formação de preço interno. Quando o trigo de fora chega competitivo, ele define o teto do mercado doméstico.

Safra de inverno 2026 e decisão de área

Com preços baixos, a atratividade da cultura diminuiu. O Cepea aponta que as quedas expressivas observadas em 2025 reduziram o estímulo ao plantio e que não são esperados avanços significativos de área no primeiro semestre de 2026. Ou seja, o produtor já está fazendo conta mais curta antes de colocar semente no chão.

Mesmo com essa possível contenção de área, a dependência de importações deve continuar elevada. Isso muda a conversa dentro da porteira porque limita qualquer expectativa de recuperação rápida de preços só por ajuste de oferta interna.

O produtor precisa olhar para o trigo dentro do sistema produtivo. Em muitas regiões, ele entra mais como ferramenta de rotação, cobertura de solo e diluição de custos fixos do que como cultura principal de margem. Nesse contexto, o manejo eficiente e o controle rígido de custo passam a valer mais do que apostar em preço futuro.

Clima, safra global e o peso de Chicago

No mercado internacional, o quadro também não ajuda. O USDA projeta a produção mundial de trigo 2025/26 em 837,8 milhões de toneladas, crescimento de 4,6% em relação à safra anterior. O consumo global até aumenta, mas em ritmo menor, o que mantém estoques globais em alta.

Mesmo com tensões geopolíticas e notícias pontuais, como preocupações climáticas nos Estados Unidos, o fato é que a ampla oferta mundial limita qualquer reação mais firme das cotações em Chicago. E, quando Chicago não sobe, o mercado brasileiro também não encontra sustentação.

O Cepea é direto ao afirmar que essa oferta global elevada impede uma recuperação consistente de preços externos e domésticos no início de 2026. Isso reforça a necessidade de cautela nas decisões aqui dentro.

Câmbio, exportação e limites para reação

O câmbio continua sendo uma variável importante, mas, neste momento, não é o principal motor do mercado. Segundo o Cepea, o vetor dominante é a abundante oferta interna e importada, mais do que movimentos pontuais do dólar.

As exportações brasileiras, estimadas em 2,24 milhões de toneladas no ciclo, ajudam a escoar parte da produção, mas não são suficientes para enxugar o mercado a ponto de virar o jogo de preços. Além disso, a Argentina, principal fornecedora do Brasil, deve colher uma safra recorde de 27,8 milhões de toneladas em 2025/26, segundo a Bolsa de Cereales, reforçando a concorrência.

Com esse trigo argentino disponível e competitivo, o espaço para o produtor brasileiro ganhar prêmio fica ainda mais restrito.

Custos, margem e o que realmente importa na conta

Quando o preço trava em torno de R$ 1.180 por tonelada, a margem passa a depender muito mais do custo de produção. Insumos, sementes, defensivos e operações precisam ser bem ajustados. Qualquer excesso pesa direto no resultado.

O que muda a conversa é entender que, neste cenário, o trigo não perdoa erro. Produzir bem, com produtividade alinhada ao potencial da área, é condição básica para não trabalhar no vermelho. Para quem não tem escala ou enfrenta custo mais alto, a decisão de reduzir área ou até substituir por outra cultura de inverno precisa ser colocada na mesa.

Estratégias práticas para o produtor de trigo

Diante desse quadro, algumas linhas de ação fazem sentido:

  • Planejar a área com realismo, sem apostar em recuperação rápida de preços.
  • Focar em eficiência de manejo, buscando produtividade que dilua custos.
  • Negociar bem a venda, acompanhando oportunidades pontuais no mercado físico, mas sem criar expectativa de altas consistentes.
  • Avaliar o trigo no sistema, considerando benefícios agronômicos e não apenas a margem direta.

Para acompanhar dados e análises que embasam esse cenário, vale consultar fontes oficiais como os dados do Cepea e os levantamentos da Conab, que ajudam a entender o tamanho real da oferta e da demanda.

Para acompanhar análises completas de trigo, acesse sempre nossa página exclusiva em Agronews – trigo em tempo real.

O recado é claro: em 2026, o trigo exige pé no chão, conta bem feita e decisão técnica.

Agronews é informação para quem produz.

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