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Café: Preços seguem altos, mas a volatilidade e a safra 2026/27 exigem decisão

Redação
11/01/2026 às 19:56
Café: Preços seguem altos, mas a volatilidade e a safra 2026/27 exigem decisão

O mercado de café arábica e robusta começa 2026 com um recado claro para quem produz: o preço segue historicamente elevado, mas a volatilidade aumentou e o jogo agora gira em torno do clima e da safra brasileira 2026/27. Segundo o Cepea/Esalq, estoques globais seguem apertados, o mercado físico está travado e qualquer mudança de expectativa pode mexer forte com as cotações ao longo do ano.

O desafio imediato do produtor é decidir como vender em um ambiente onde o preço ainda remunera, mas o risco de correção mais à frente não pode ser ignorado. Quem errar o timing pode sentir isso direto na margem.

Contexto e preços do café no início de 2026

No mercado interno, o arábica mantém patamar elevado. O Indicador CEPEA/ESALQ para Campinas/SP, tipo 6, bebida dura, posto, ficou em R$ 2.225,39 por saca de 60 kg em 09/01/2026. No dia, houve queda de 1,80%, mas no acumulado de janeiro até essa data o preço ainda subia 2,33%. Um dia antes, em 08/01/2026, o valor estava em R$ 2.266,21 por saca, mostrando que o mercado segue acima de R$ 2.200/sc.

Esse nível não surgiu do nada. Em 2025, a série do Cepea registrou recorde histórico em fevereiro, com R$ 2.565,41 por saca, e preços acima de R$ 2.000/sc dominaram grande parte do ano. Esse histórico recente é o que sustenta a referência atual de valor para o produtor e também explica a cautela na hora de vender.

No robusta, o contexto é semelhante em termos de sustentação. O Cepea destaca que a variedade também atingiu, em fevereiro de 2025, a maior média real da série histórica, apoiada em oferta restrita, mesmo com a boa safra brasileira e do Vietnã naquele período. Para 2026, o mercado passa a olhar mais para a recuperação produtiva esperada, mas sem assumir alívio imediato nos preços.

O que acontece com custos e margens na prática

Com preços ainda elevados, muita gente olha apenas para a receita. O ponto é que a margem real depende de quando e como essa venda acontece. A volatilidade relatada pelo Cepea significa que oscilações diárias podem ser grandes, e quem segura todo o volume apostando em novas altas fica mais exposto.

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando precisa fazer caixa para custeio, mão de obra ou investimento e encontra um mercado comprador retraído. Com poucos compradores ativos no início de 2026 e vendedores também retraídos, o mercado físico fica travado, com negócios pontuais e spread mais aberto entre compra e venda.

Para quem tem custo já conhecido e parte da produção disponível, faz sentido olhar para estratégias de diluição de risco, como vendas escalonadas ou travas parciais, em vez de apostar tudo em um único momento de mercado.

Clima, oferta e a safra brasileira no radar

O grande motor do mercado em 2026 é o clima. A safra brasileira 2025/26 ainda em comercialização teve produção limitada e não recompôs estoques, mantendo a oferta ajustada no curto prazo. É isso que sustenta os preços no início do ano.

Já olhando para frente, o Cepea projeta que a safra 2026/27, com colheita majoritária a partir de maio de 2026, pode trazer um cenário diferente. As indicações são de condições climáticas mais favoráveis e bienalidade positiva no arábica. A expectativa é de uma produção brasileira total acima de 70 milhões de sacas, somando arábica e robusta.

O que muda a conversa é que essa produção maior ainda não está garantida. O próprio Cepea reforça que o mercado só terá mais clareza quando avançar o enchimento dos grãos e o desempenho do último terço da safra. Até lá, o risco climático segue precificado, sustentando volatilidade.

Câmbio, bolsa e exportação entrando na conta

Outro ponto que pesa diretamente no preço recebido pelo produtor é o câmbio. O Indicador CEPEA já mostra o valor em dólar, com US$ 414,64 por saca em 09/01/2026, evidenciando como o mercado interno está conectado ao cenário externo.

Estoques globais apertados, a posição do Vietnã no robusta e o comportamento da demanda internacional mantêm alta a correlação com as cotações em bolsa. Qualquer ajuste nesse cenário, seja por clima fora do Brasil ou mudança de expectativa de consumo, chega rápido ao mercado físico.

Para quem exporta direto ou vende para exportador, acompanhar essa relação é essencial. Movimentos na bolsa internacional e no câmbio podem melhorar ou piorar a base recebida na fazenda de um dia para o outro.

Liquidez travada e o jogo do mercado físico

No começo de 2026, o Cepea relata um mercado físico com poucos compradores ativos e produtores retraídos. Essa combinação reduz o volume de negócios e aumenta a sensação de insegurança na formação de preço.

Essa postura do produtor não é irracional. Depois de um 2025 marcado por preços historicamente altos, a tendência é segurar o produto esperando novas oportunidades. O risco é que, se o mercado virar com expectativa mais firme de safra cheia, a liquidez pode melhorar justamente em um nível de preço menos favorável.

Estratégias práticas para o produtor de café

Diante desse cenário, algumas linhas de decisão ajudam a organizar a comercialização:

  • Não concentrar toda a venda em um único momento, aproveitando picos de preço para travar parte do volume.
  • Monitorar de perto o clima nas principais regiões produtoras, especialmente no período de enchimento dos grãos.
  • Acompanhar a relação entre mercado interno, bolsa e câmbio, usando referências como os dados do Cepea.
  • Manter clareza sobre custo de produção para saber exatamente em que nível a margem fica confortável.

O ponto é que 2026 não será um ano de decisão automática. Vai exigir leitura constante de mercado e disciplina comercial.

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Quem combina preço ainda alto com estratégia bem definida tende a atravessar a volatilidade com mais margem e menos susto.

Agronews é informação para quem produz.

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