Preços seguem firmes na entressafra, mas a próxima safra já começa a redesenhar o risco para usinas e fornecedores.
O mercado de etanol começa 2026 em um ponto que chama a atenção de quem está na gestão da usina ou acompanha de perto o setor sucroenergético. A entressafra 2025/26 está rodando com demanda firme, estoques ajustados no Centro-Sul e preços sustentados. No curto prazo, o caixa respira melhor. Mas o produtor e a indústria sabem que o jogo não termina em janeiro. O desafio agora é aproveitar a firmeza atual sem perder de vista o que vem pela frente na safra 2026/27.
O que está acontecendo com os preços do etanol agora
Os indicadores do CEPEA/ESALQ mostram um mercado com tração clara. Na praça paulista, valor usina e sem impostos, o etanol hidratado foi cotado a R$ 2,9561 por litro na média da semana de 29/12/2025 a 02/01/2026. Isso representa alta de 0,90% frente à semana anterior e marca a 12ª semana consecutiva de avanço.
No anidro, o movimento também é positivo. O preço médio ficou em R$ 3,3688 por litro na mesma semana, com valorização de 0,59% e a segunda alta seguida. Ambos os valores são líquidos de ICMS e PIS/Cofins, o que ajuda a leitura direta da remuneração na usina.
O ponto que reforça a sustentação é a liquidez. O CEPEA destaca crescimento de 43% nas vendas de hidratado nas usinas paulistas na última semana de 2025 e um volume de anidro negociado quase três vezes maior. Na prática, isso mostra que não é só preço no papel. O produto está saindo.
Custos, caixa e margem na entressafra
Para o setor sucroenergético, entressafra com preço firme faz diferença direta no caixa. Com estoques mais apertados no Centro-Sul, as usinas conseguem negociar melhor os volumes disponíveis e reduzir a pressão típica desse período.
Na prática, o produtor sente isso quando consegue manter margem positiva mesmo com custos fixos rodando, especialmente manutenção, pessoal e despesas financeiras. Não é um cenário de euforia, mas é um ambiente que permite organizar fluxo de caixa, honrar compromissos e planejar a próxima safra com menos sufoco.
O alerta aqui é não confundir firmeza pontual com garantia de longo prazo. A margem atual ajuda, mas não elimina o risco mais à frente.
Clima, oferta e a leitura da safra 2025/26
Entre janeiro e março de 2026, período crítico da entressafra, a avaliação do CEPEA é clara: os preços ao produtor devem permanecer firmes. A combinação de demanda ainda aquecida com estoques reduzidos limita quedas mais agressivas nas cotações.
Isso não significa ausência de volatilidade, mas indica que o mercado tem sustentação estrutural no curto prazo. Para quem tem volume disponível, o momento segue favorável para comercialização, sempre olhando a necessidade de caixa e o perfil de risco da operação.
Câmbio, petróleo e consumo de combustíveis
Nesta virada de ano, não houve divulgação oficial de relatórios específicos de paridade etanol/gasolina. Ainda assim, o CEPEA reforça um ponto-chave: o anidro está bem suportado pelas boas vendas de gasolina C no varejo.




