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Exportação segura a cotação da pluma, paridade apertada cobra conta na margem do produtor

Redação
11/01/2026 às 20:07
Exportação segura a cotação da pluma, paridade apertada cobra conta na margem do produtor

O mercado de algodão em pluma começa 2026 com um sinal claro: o preço está firme, sustentado pela exportação, mas isso não significa margem garantida na fazenda. O produtor olha a cotação e vê estabilidade, porém quando coloca na ponta do lápis frete, custo financeiro e base até o porto ou a indústria, a conversa muda.

O ponto é que o Brasil segue protagonista no comércio global de pluma, e isso está segurando o mercado interno. Ao mesmo tempo, a paridade de exportação está apertada, o que limita altas adicionais e exige decisão mais técnica na hora de vender ou travar preço.

Contexto de preços e o que o mercado está mostrando

O Indicador Algodão em Pluma CEPEA/ESALQ iniciou 2026 em patamar firme. Em 09/01/2026, a referência spot Brasil ficou em R$ 351,96 por arroba, pagamento em oito dias, com leve alta diária. Esse nível reflete um mercado com liquidez, puxado principalmente pela exportação.

Quando o produtor compara com os preços regionais, especialmente no Mato Grosso, a diferença chama atenção. Os indicadores do IMEA para a safra 2025/26, apurados em janeiro de 2026, mostram valores bem mais próximos da paridade internacional. Isso não é sinal de mercado fraco, mas sim reflexo direto de base e logística.

Na prática, o algodão em MT está sendo precificado olhando muito mais para o porto do que para o mercado doméstico. Quem está longe do eixo logístico sente isso no bolso, porque cada real a mais de frete tira competitividade da pluma brasileira lá fora.

Custos de produção e a margem que segue pressionada

Preço firme não é sinônimo de margem confortável. O produtor sente isso quando fecha a conta do custo total, da lavoura até a entrega. Insumos, operações de campo, colheita, beneficiamento, armazenagem, frete e custo financeiro seguem pesando.

Com a paridade externa ajustada, não há muito espaço para o mercado pagar acima do que a exportação remunera. Isso significa que qualquer aumento de custo interno não é repassado automaticamente para o preço da pluma.

O que muda a conversa é conhecer o próprio número. Quem sabe exatamente quanto custa produzir uma arroba de algodão e quanto pesa o frete até o destino consegue negociar melhor, escolher a janela certa e evitar vender no impulso.

Clima, área e oferta na safra 2025/26

Do lado da oferta, a safra brasileira 2025/26 segue grande. A área plantada estimada é de 2,1 milhões de hectares, com leve crescimento sobre o ciclo anterior. A produtividade média projetada é menor, e a produção total estimada em 3,96 milhões de toneladas de pluma, ainda assim a segunda maior da história.

O mercado acompanha de perto o risco climático regional. Qualquer quebra localizada pode alterar a disponibilidade de pluma de qualidade, mexer nos prêmios e abrir janelas melhores de exportação. Por enquanto, o cenário é de oferta ampla, mas com atenção redobrada ao clima.

Para o produtor, isso significa que não dá para contar com uma explosão de preços baseada apenas em oferta menor. O foco precisa estar na gestão de risco e na estratégia comercial.

Câmbio, bolsa e exportação entrando na conta

O câmbio segue sendo peça-chave. Com o dólar ao redor de R$ 5,37 no início de janeiro de 2026, a exportação continua viável e sustenta o mercado interno. Ao mesmo tempo, esse nível de câmbio já está bem precificado.

Na bolsa de Nova York, os contratos de algodão para março, maio e julho de 2026 indicam valores que, convertidos para reais, explicam por que a paridade está justa. O mercado físico brasileiro não consegue se descolar muito disso sem perder competitividade lá fora.

É por isso que o produtor precisa acompanhar bolsa, câmbio e prêmio ao mesmo tempo. Olhar apenas a cotação local pode levar a decisões equivocadas. Para referência de mercado e metodologia, vale acompanhar os dados do Cepea, que ajudam a entender essa formação de preço.

Frete, base e o peso da logística

As diferenças regionais de preço deixam claro que frete e base são decisivos no algodão. No Mato Grosso e também na Bahia, o custo até o porto ou até a indústria define quanto sobra para o produtor.

Quando o frete encarece ou a logística aperta, a base piora e o preço regional cai, mesmo com o mercado internacional firme. Isso reforça a importância de planejar escoamento, avaliar contratos antecipados e, quando possível, diluir custos com escala e organização.

Estratégias práticas para o produtor de algodão

Com esse cenário, algumas atitudes fazem diferença na tomada de decisão:

  • Conheça seu custo total, incluindo frete e financeiro, antes de fechar qualquer venda.
  • Avalie travas parciais quando o mercado cobre seu custo e garante margem, mesmo que não seja o preço máximo.
  • Fique atento ao câmbio e aos contratos de NY até julho de 2026, que são referência direta para exportação.
  • Negocie base e logística com antecedência. No algodão, isso pesa tanto quanto a cotação.
  • Evite concentração total de venda em um único momento. Escalonar reduz risco.

O mercado está pagando, a exportação está levando e o Brasil segue forte no jogo global. Mas a margem só aparece para quem trata comercialização com a mesma atenção que trata manejo e produtividade.

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Decisão bem feita agora evita dor de cabeça lá na frente, quando a pluma já estiver no armazém e o custo todo rodado.

Agronews é informação para quem produz.

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