O mercado de algodão em pluma começa 2026 com um sinal claro: o preço está firme, sustentado pela exportação, mas isso não significa margem garantida na fazenda. O produtor olha a cotação e vê estabilidade, porém quando coloca na ponta do lápis frete, custo financeiro e base até o porto ou a indústria, a conversa muda.
O ponto é que o Brasil segue protagonista no comércio global de pluma, e isso está segurando o mercado interno. Ao mesmo tempo, a paridade de exportação está apertada, o que limita altas adicionais e exige decisão mais técnica na hora de vender ou travar preço.
Contexto de preços e o que o mercado está mostrando
O Indicador Algodão em Pluma CEPEA/ESALQ iniciou 2026 em patamar firme. Em 09/01/2026, a referência spot Brasil ficou em R$ 351,96 por arroba, pagamento em oito dias, com leve alta diária. Esse nível reflete um mercado com liquidez, puxado principalmente pela exportação.
Quando o produtor compara com os preços regionais, especialmente no Mato Grosso, a diferença chama atenção. Os indicadores do IMEA para a safra 2025/26, apurados em janeiro de 2026, mostram valores bem mais próximos da paridade internacional. Isso não é sinal de mercado fraco, mas sim reflexo direto de base e logística.
Na prática, o algodão em MT está sendo precificado olhando muito mais para o porto do que para o mercado doméstico. Quem está longe do eixo logístico sente isso no bolso, porque cada real a mais de frete tira competitividade da pluma brasileira lá fora.
Custos de produção e a margem que segue pressionada
Preço firme não é sinônimo de margem confortável. O produtor sente isso quando fecha a conta do custo total, da lavoura até a entrega. Insumos, operações de campo, colheita, beneficiamento, armazenagem, frete e custo financeiro seguem pesando.
Com a paridade externa ajustada, não há muito espaço para o mercado pagar acima do que a exportação remunera. Isso significa que qualquer aumento de custo interno não é repassado automaticamente para o preço da pluma.
O que muda a conversa é conhecer o próprio número. Quem sabe exatamente quanto custa produzir uma arroba de algodão e quanto pesa o frete até o destino consegue negociar melhor, escolher a janela certa e evitar vender no impulso.
Clima, área e oferta na safra 2025/26
Do lado da oferta, a safra brasileira 2025/26 segue grande. A área plantada estimada é de 2,1 milhões de hectares, com leve crescimento sobre o ciclo anterior. A produtividade média projetada é menor, e a produção total estimada em 3,96 milhões de toneladas de pluma, ainda assim a segunda maior da história.
O mercado acompanha de perto o risco climático regional. Qualquer quebra localizada pode alterar a disponibilidade de pluma de qualidade, mexer nos prêmios e abrir janelas melhores de exportação. Por enquanto, o cenário é de oferta ampla, mas com atenção redobrada ao clima.
Para o produtor, isso significa que não dá para contar com uma explosão de preços baseada apenas em oferta menor. O foco precisa estar na gestão de risco e na estratégia comercial.




