Temperaturas podem atingir de 43°C a 45°C em algumas áreas, especialmente no Pantanal e regiões próximas
Uma onda de calor excepcional está prestes a atingir o Brasil, trazendo temperaturas extremamente elevadas e ameaças à vida. Este evento climático, previsto para os próximos dias, pode quebrar recordes históricos de temperatura em várias regiões do país, tornando-se um evento raro e perigoso para o mês de setembro.

Massa de ar quente e perigo elevado
Uma massa de ar extremamente quente cobrirá grande parte do Brasil nas próximas semanas. Embora seja comum o calor intenso em setembro, essa situação será particularmente severa e requererá atenção das autoridades devido à gravidade do calor esperado.
Muitos estados enfrentarão temperaturas extremamente elevadas, com marcas próximas ou superiores a 40°C. Essa onda de calor afetará áreas como o Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Rondônia, Amazonas, Pará, Tocantins, Bahia, Piauí e Maranhão.
Os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul podem sofrer as maiores altas de temperatura, com marcas que podem ultrapassar 40°C na maioria das cidades e atingir até 43°C a 45°C em algumas áreas, especialmente no Pantanal e regiões próximas.
Temperaturas elevadas e bolhas de calor
Evidências de pesquisas sugerem que as mudanças climáticas estão elevando a frequência de eventos de calor extremo, empurrando-os para altitudes mais elevadas na atmosfera, em uma analogia semelhante a adicionar mais ar quente a um balão já inflado. Isso tem levado a um aumento na intensidade, duração e frequência de ondas de calor, tanto no Brasil quanto ao redor do mundo.
Nunca antes na história de mais de um século de observações climáticas globais, tantos recordes de altas temperaturas foram quebrados como durante a histórica onda de calor no final de junho de 2021, que afetou o Oeste da América do Norte. Esse evento foi resultado de uma gigantesca massa de ar quente e se classificou como o segundo desastre climático mais letal do ano, com um total de 1.037 óbitos, sendo 808 no Oeste do Canadá e 229 no noroeste dos Estados Unidos.
O Canadá estabeleceu novos recordes de temperatura nacional em três dias consecutivos em Lytton, British Columbia, atingindo impressionantes 49,6°C em 29 de junho, um dia antes da cidade ser devastada por um feroz incêndio florestal, intensificado pelas condições de calor extremo. O recorde anterior de temperatura no Canadá, estabelecido em 5 de julho de 1937, era de 45,0°C.

Christopher Burt, historiador do clima e autor do livro “Extreme Weather”, afirmou que esse evento de calor foi “o mais anômalo em termos de calor extremo em uma região a ocorrer em qualquer lugar do planeta desde o início dos registros de temperatura. Não há precedentes comparáveis”. Ele também observou que nunca antes um recorde nacional de temperatura, em um país com um extenso histórico de observações meteorológicas, foi superado em 4°C.
Maximiliano Herrera, um pesquisador internacional de registros meteorológicos, concordou, descrevendo o evento como “totalmente sem precedentes em todo o mundo”, caracterizado por uma série interminável de recordes quebrados.
Um estudo realizado pelo programa World Weather Attribution revelou que as altas temperaturas diárias observadas em uma vasta área que abrange grande parte do Oeste de Oregon, Washington e Colúmbia Britânica em junho de 2021 teriam sido “praticamente impossíveis sem as mudanças climáticas causadas pelo homem”. O estudo estimou que, nas condições climáticas atuais, esse evento ocorreria aproximadamente uma vez a cada 1.000 anos. No entanto, em um mundo com um aumento de 2°C na temperatura global, que é projetado para ocorrer nas próximas duas décadas, eventos similares poderiam ocorrer a cada cinco a dez anos.





