Mercado firme em São Paulo e base negativa em Mato Grosso apertam decisões de venda e gestão do fluxo.
O preço do boi gordo segue dando o tom das decisões dentro da porteira e na mesa do escritório. Nos primeiros dias de janeiro, o mercado mostrou estabilidade em São Paulo acima de R$ 318/@, enquanto Mato Grosso opera com desconto relevante frente ao Sudeste. O ponto é que essa diferença de base mexe direto no fluxo financeiro do criador, na capacidade de honrar compromissos e no timing de venda.
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando precisa escolher entre vender à vista, alongar prazo ou travar preço. E cada uma dessas decisões tem efeito direto na liquidez do negócio.
Contexto e preços do boi gordo
Em São Paulo, o Indicador CEPEA/ESALQ à vista marcou R$ 319,40/@ em 09/01/2026, vindo de R$ 319,30/@ em 08/01/2026, R$ 318,15/@ em 07/01/2026 e R$ 318,65/@ em 06/01/2026. Ou seja, o mercado se mantém firme acima de R$ 318/@ desde o dia 6, sem grandes solavancos.
No mercado a prazo em São Paulo, o CEPEA apontou R$ 323,32/@ em 09/01/2026 e também em 12/01/2026. Esse prêmio do prazo indica que as escalas industriais não estão excessivamente folgadas, o que sustenta as cotações.
Já em Mato Grosso, segundo o IMEA, o boi gordo comum à vista ficou em R$ 291,60/@ em 08/01/2026, com média estadual de R$ 291,70/@ em 09/01/2026. A vaca gorda foi cotada a R$ 272,82/@ na mesma data. Regionalmente, as referências recentes mostram Centro-Sul em R$ 292,37/@, Médio-Norte em R$ 291,46/@, Nordeste em R$ 289,33/@ e Noroeste em R$ 290,45/@.
O que muda a conversa é a base negativa de cerca de R$ 27 a R$ 28/@ de MT em relação a SP. Esse desconto pressiona a margem e encurta o fôlego financeiro do pecuarista mato-grossense.
Custos e margens sob pressão
Preço firme não significa margem folgada. O custo da reposição segue alto e entra pesado na conta. Dados recentes apontam Nelore macho em São Paulo a R$ 16,22/kg na desmama e em Mato Grosso a R$ 13,79/kg. Para quem está na recria ou planeja engordar, isso amarra capital por mais tempo.
Na prática, o fluxo de caixa sofre em dois momentos. Primeiro, na compra do animal, que exige desembolso maior. Depois, na venda do boi gordo, principalmente nas regiões com base negativa, onde o preço final não acompanha o custo.
O produtor que não organiza bem esse fluxo acaba dependendo de prorrogação, renegociação ou venda forçada em momento ruim de mercado.
Clima, oferta e ritmo de abate
Não há boletins climáticos oficiais recentes nem projeções detalhadas de safra para 2025/26 nas fontes priorizadas. O mercado, neste momento, está muito mais sensível à oferta de animais terminados e ao ritmo de abate.
Em Mato Grosso, o segundo giro de confinamento eleva a oferta de boi pronto, o que ajuda a explicar a pressão de preços no estado. Já em São Paulo, a oferta parece mais ajustada à demanda da indústria.




