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CLIMA 2026: Granizo e temporais varrem o Sul e deixam produtor em alerta máximo

Vicente Delgado
09/01/2026 às 08:45
CLIMA 2026: Granizo e temporais varrem o Sul e deixam produtor em alerta máximo

Frente fria associada a ciclone traz risco de quebra localizada e exige cautela “da porteira para dentro” neste fim de semana.

Sabe aquele calor abafado, pesado, que faz o gado procurar sombra a qualquer custo e deixa o ar quase irrespirável na lavoura? Pois é. Esse foi o aviso da natureza de que a “chave virou”. Para quem está com a soja na fase de enchimento de grãos ou com o milho pendoando, olhar para o céu nas últimas 24 horas tem sido um exercício de ansiedade. O som de granizo batendo no telhado do galpão é, sem dúvida, a trilha sonora que nenhum produtor quer ouvir, mas infelizmente ela já tocou em várias propriedades de Santa Catarina e a previsão indica que a orquestra ainda não parou.

A dinâmica do clima: o que está acontecendo?

Não é hora de pânico, mas de estratégia. O que estamos vendo é a formação de um ciclone extratropical. E aqui vale a primeira correção técnica importante: segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), o olho desse ciclone não vai passar por cima das lavouras do Paraná. Ele se forma no oceano, na altura do Rio Grande do Sul e Uruguai.

Ciclone extratropical não atinge o Paraná, mas trará chuva neste fim de semana, prevê Simepar | Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

O problema para nós não é o ciclone em si, mas a frente fria que ele empurra continente adentro. Essa frente encontra um corredor de umidade e aquele calorão que estava estacionado sobre o Sul. O resultado dessa mistura é física pura: nuvens de grande desenvolvimento vertical, daquelas que trazem vendavais e a temida pedra.

Para o produtor paranaense, o alerta é de chuvas significativas que começaram nesta quinta (08) e se estendem pelo fim de semana. O risco de acamamento da soja devido às rajadas de vento é real, especialmente em cultivares de porte mais alto ou áreas onde a adubação nitrogenada foi mais pesada.

Santa Catarina: o prejuízo já bateu na porta

Se no Paraná a tensão é pelo que pode vir, em Santa Catarina o estrago já tem CPF e endereço. A Defesa Civil emitiu alertas vermelhos para temporais e granizo, e infelizmente, as previsões se confirmaram rapidamente.

Em regiões de serra e no norte catarinense, como Jaraguá do Sul e Joinville, a situação saiu do controle pluviométrico para o risco civil e agronômico. Relatos de produtores rurais locais são de partir o coração: “Não sobrou nada”, desabafou um agricultor após ver sua lavoura de fumo e hortaliças ser triturada pelo gelo em questão de minutos.

Essa instabilidade não escolhe talhão. O granizo, muitas vezes, pega uma faixa de 500 metros, destrói o trabalho de uma safra inteira ali, e deixa a lavoura vizinha intacta. É a loteria mais ingrata do agronegócio.

O impacto da porteira para dentro

Com volumes de chuva que podem ultrapassar os 100mm em curto espaço de tempo, o manejo precisa ser cirúrgico.

  • Suspenda as aplicações: Com essa instabilidade, colocar pulverizador no campo é jogar dinheiro fora. A janela de aplicação fechou temporariamente.
  • Olho nos silos: Verifique a vedação. Chuva com vento forte (“chuva deitada”) tem o péssimo hábito de achar frestas em armazéns e silos, comprometendo a qualidade do grão já colhido.
  • Logística travada: Estradas vicinais no oeste e sudoeste do Paraná podem ficar intransitáveis. Se você tem carga programada para sair, repense a logística para não atolar caminhão e perder frete.

As temperaturas devem cair drasticamente no domingo. Essa oscilação térmica – sair de 35ºC para menos de 20ºC em dias – pode estressar a planta, mas, neste momento, o menor dos problemas comparado ao granizo.

“Uma frente fria vai se formar no fim de semana ao sul do continente… Associado à frente fria, também teremos a formação de um ciclone extratropical”, explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.

O cenário exige monitoramento constante. Para quem tem Seguro Rural, a recomendação é deixar a apólice e os contatos do perito à mão. Em caso de sinistro, a agilidade na comunicação com a seguradora e o registro fotográfico imediato das perdas são fundamentais para garantir a indenização correta.

Assista a análise feita pela Clima Metereologia para essa região. Aperte o play no vídeo abaixo.

A previsão é que o tempo volte a firmar no início da próxima semana, mas até lá, o “pé no barro” vai ser literal e a vigilância, total.

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