Frente fria associada a ciclone traz risco de quebra localizada e exige cautela “da porteira para dentro” neste fim de semana.
Sabe aquele calor abafado, pesado, que faz o gado procurar sombra a qualquer custo e deixa o ar quase irrespirável na lavoura? Pois é. Esse foi o aviso da natureza de que a “chave virou”. Para quem está com a soja na fase de enchimento de grãos ou com o milho pendoando, olhar para o céu nas últimas 24 horas tem sido um exercício de ansiedade. O som de granizo batendo no telhado do galpão é, sem dúvida, a trilha sonora que nenhum produtor quer ouvir, mas infelizmente ela já tocou em várias propriedades de Santa Catarina e a previsão indica que a orquestra ainda não parou.
A dinâmica do clima: o que está acontecendo?
Não é hora de pânico, mas de estratégia. O que estamos vendo é a formação de um ciclone extratropical. E aqui vale a primeira correção técnica importante: segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), o olho desse ciclone não vai passar por cima das lavouras do Paraná. Ele se forma no oceano, na altura do Rio Grande do Sul e Uruguai.

O problema para nós não é o ciclone em si, mas a frente fria que ele empurra continente adentro. Essa frente encontra um corredor de umidade e aquele calorão que estava estacionado sobre o Sul. O resultado dessa mistura é física pura: nuvens de grande desenvolvimento vertical, daquelas que trazem vendavais e a temida pedra.
Para o produtor paranaense, o alerta é de chuvas significativas que começaram nesta quinta (08) e se estendem pelo fim de semana. O risco de acamamento da soja devido às rajadas de vento é real, especialmente em cultivares de porte mais alto ou áreas onde a adubação nitrogenada foi mais pesada.
Santa Catarina: o prejuízo já bateu na porta
Se no Paraná a tensão é pelo que pode vir, em Santa Catarina o estrago já tem CPF e endereço. A Defesa Civil emitiu alertas vermelhos para temporais e granizo, e infelizmente, as previsões se confirmaram rapidamente.
Em regiões de serra e no norte catarinense, como Jaraguá do Sul e Joinville, a situação saiu do controle pluviométrico para o risco civil e agronômico. Relatos de produtores rurais locais são de partir o coração: “Não sobrou nada”, desabafou um agricultor após ver sua lavoura de fumo e hortaliças ser triturada pelo gelo em questão de minutos.

Essa instabilidade não escolhe talhão. O granizo, muitas vezes, pega uma faixa de 500 metros, destrói o trabalho de uma safra inteira ali, e deixa a lavoura vizinha intacta. É a loteria mais ingrata do agronegócio.




