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Alta do frete aperta margens da soja no Brasil em 2026

Redação
12/01/2026 às 21:21
Alta do frete aperta margens da soja no Brasil em 2026

Logística cara virou o fiel da balança entre lucro e prejuízo na safra.

A alta do frete rodoviário voltou a sentar na cabeceira da mesa do produtor brasileiro de soja. Neste início de colheita da safra 2025/26, principalmente em Mato Grosso, o custo para tirar o grão da fazenda até os pontos de escoamento está comendo margem em silêncio. O mercado até oferece preço, mas a conta não fecha quando a logística entra forte no cálculo.

O ponto é que o frete deixou de ser detalhe operacional e passou a ser decisão estratégica. Em várias regiões, ele é hoje o maior custo variável pós-porteira e define se a venda faz sentido ou não.

Contexto de preços da soja no início da colheita

Os dados do Cepea e do IMEA mostram um mercado físico pressionado. No início de janeiro de 2026, a soja no Paraná girava em torno de R$ 133,85 por saca no spot, enquanto no porto de Paranaguá os valores chegaram a R$ 142,14 por saca. A média física nacional ficou em R$ 128,99 por saca.

Em Mato Grosso, a realidade é outra. Praças como Sorriso trabalharam perto de R$ 103,90 por saca, enquanto Rondonópolis ficou ao redor de R$ 115,00 por saca. Essa diferença não é prêmio nem desconto de mercado. É logística pura.

Quando o produtor compara o preço do porto com o preço dentro da fazenda, a diferença reflete o custo de levar a soja até lá. E é aí que o frete entra pesado na conta.

Frete rodoviário virou gargalo de margem

Os fretes rodoviários em Mato Grosso dispararam neste início de safra. Rotas curtas já mostram pressão, mas o problema maior está nas rotas longas. O transporte de Sorriso até Rondonópolis ficou em R$ 176,84 por tonelada, com alta diária registrada pelo IMEA, sinal claro de escassez de caminhões.

Quando o destino é Cuiabá, o frete gira em torno de R$ 129,42 por tonelada. Para Miritituba, no Arco Norte, o custo sobe para R$ 277,43 por tonelada. Já para Paranaguá, o número assusta: R$ 446,09 por tonelada.

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando percebe que boa parte do ganho de preço externo fica pelo caminho. Mesmo com prêmio positivo e demanda firme para exportação, o frete elevado engole a vantagem.

Custo de produção já vem pesado

Além da logística, o produtor entra nesta safra com um custo de produção elevado. Segundo o IMEA, o custo total da soja em Mato Grosso para a safra 2025/26 chegou a R$ 7.761,74 por hectare, considerando custo operacional, depreciação, capital e oportunidade da terra.

O custeio direto, que inclui insumos, defensivos e operações, ficou em R$ 5.776,55 por hectare. Isso significa que a margem já nasce apertada. Quando o frete sobe, ele não aperta gordura. Ele corta músculo.

O que muda a conversa é que, em regiões distantes dos portos, a paridade de exportação calculada pelo IMEA para março de 2026 ficou perto de R$ 100 por saca em municípios como Diamantino, Ipiranga do Norte e Nova Mutum. Esse nível mal cobre custo e logística em muitas propriedades.

Clima ajuda, oferta cresce, mas logística trava

Do lado da produção, o cenário é positivo. A colheita já começou no norte de Mato Grosso e no oeste do Paraná, com clima favorável e expectativa de safra recorde. A oferta vai crescer, e isso naturalmente pressiona a logística.

Os embarques brasileiros seguem fortes. O acumulado de 2025 chegou a 108,18 milhões de toneladas, com salto expressivo no fim do ano, segundo dados da Secex compilados pelo Cepea. Exportar não é o problema. O gargalo está em chegar até o navio.

Com mais soja entrando no mercado ao mesmo tempo, a disputa por caminhões aumenta. O frete sobe rápido, principalmente no início da colheita, quando o produtor precisa escoar para liberar espaço e caixa.

Câmbio e Chicago não ajudam a compensar

O mercado internacional não está fazendo força para aliviar a conta. Quedas no câmbio e nas cotações em Chicago limitam a capacidade de repasse para o preço interno. Mesmo quando o porto reage, o interior não acompanha na mesma proporção.

Isso explica a postura mais retraída do produtor no mercado spot. A liquidez fica baixa não por falta de comprador, mas porque o produtor faz a conta completa e prefere esperar do que vender no aperto.

Estratégias práticas para lidar com o frete caro

Diante desse cenário, algumas decisões práticas ganham peso:

  • Planejar venda junto com logística: preço sem frete não paga conta. Negocie sempre a paridade líquida.
  • Travar parte do frete antecipadamente, quando possível, reduz risco no pico da colheita.
  • Avaliar alternativas de escoamento, como Arco Norte, mesmo que não sejam as tradicionais da região.
  • Evitar venda forçada no início da colheita, quando o frete costuma estar mais caro.
  • Usar barter e contratos a termo com cautela, conferindo claramente quem assume o custo logístico.

Frete caro não se resolve no grito. Ele se gerencia com planejamento, escala e leitura fina de mercado.

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O produtor que entende a logística como parte do negócio toma decisões mais frias e protege melhor sua margem.

Agronews é informação para quem produz.

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