Atualizando...

Trigo entre oscilações de preço e janelas reais de exportação

Redação
12/01/2026 às 22:24
Trigo entre oscilações de preço e janelas reais de exportação

Leves altas em janeiro abrem espaço, mas o jogo exige leitura fina de câmbio, oferta e liquidez.

O mercado de trigo começa janeiro mostrando sinais de acomodação depois de um ano pesado para preços e margens. O movimento principal é de estabilidade com leves altas, segundo o Cepea, mas ainda longe de uma virada estrutural. Para quem produz, comercializa ou olha exportação, o desafio imediato é separar ruído de oportunidade real, entendendo onde a margem aparece e onde o risco continua alto.

O que está acontecendo com os preços do trigo

Os dados mais recentes do Cepea/Esalq mostram o Indicador Brasil em R$ 1.049,40 por tonelada em 09/01/2026, com alta de 0,45% no dia. No dia anterior, 08/01/2026, o indicador estava em R$ 1.044,72, com avanço de 0,33%.

No mercado regional, o Paraná registrava R$ 1.179,26 em 08/01, com leve recuo de -0,13%, enquanto o Rio Grande do Sul aparecia em R$ 1.044,72, com alta de 0,33%. Ou seja, o preço não está disparando, mas também parou de cair como aconteceu ao longo de 2025.

Esse ponto é importante. 2025 foi marcado por quedas expressivas, mesmo com área menor, o que apertou margens e desestimulou o plantio. O reflexo agora é um mercado mais cauteloso, com pouca liquidez e compradores testando o produtor no físico.

Custos, margens e o peso das quedas de 2025

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando compara o preço atual com o custo de produção. As quedas acumuladas em 2025 corroeram margem, especialmente para quem não conseguiu travar preços em momentos melhores.

Mesmo com as leves altas de janeiro, o trigo ainda trabalha em um nível que exige gestão fina. Quem tem estoque precisa fazer conta de carregamento, risco de qualidade e necessidade de caixa. Quem está planejando a próxima safra olha para frente com desconfiança, justamente porque o histórico recente não ajuda na tomada de decisão.

O ponto é que preço estável não significa margem garantida. Significa apenas que o mercado parou de cair, o que já é um alívio, mas não resolve o problema estrutural de rentabilidade.

Oferta, clima e a sinalização da safra 2025/26

Não há atualizações recentes de Conab, Embrapa ou USDA sobre a safra 2025/26 neste início de ano. O que se sabe, com base em dados históricos do Cepea, é que a área plantada em 2025 foi menor, reflexo direto do desestímulo causado pelos preços baixos.

Essa redução de área tende a limitar a oferta interna. Em um país que importa cerca de 60% do trigo que consome, qualquer ajuste na produção doméstica muda a dinâmica de compra da indústria e pode abrir janelas para exportação pontual, especialmente a partir de estoques bem localizados no Sul.

Sem dados novos de clima ou produtividade, o mercado trabalha mais na expectativa do que em fatos. Isso explica parte da baixa liquidez observada neste começo de ano.

Câmbio, Chicago e o reflexo na competitividade

Do lado externo, não há dados oficiais recentes de B3 ou USDA para trigo divulgados até 09/01/2026. O que pesa no sentimento é a pressão vinda do mercado internacional, com relatos de quedas em Chicago, ainda que sem detalhamento oficial nas fontes.

Quando Chicago recua, a atratividade do trigo no mercado global diminui. Para o exportador brasileiro, isso significa que a conta fecha apenas em situações muito específicas, como:

  • origem competitiva no Paraná ou Rio Grande do Sul;
  • estoque já disponível, reduzindo custo de carregamento;
  • demanda pontual de destinos como Ásia ou África.

O câmbio, sem grandes novidades oficiais, entra mais como variável de risco do que como motor de oportunidade neste momento.

Onde estão as oportunidades para exportadores de trigo

Mesmo em um mercado travado, existem janelas reais. A principal delas vem do fato de que as farinhas apresentaram preços mais firmes no fim de 2024, o que ajuda a sustentar a cadeia, ainda que os dados de 2025 indiquem quedas gerais.

Além disso, a combinação de área menor e consumo interno elevado pode gerar gaps de abastecimento. Se a demanda externa aparecer, o Brasil pode aproveitar, principalmente com trigo de boa qualidade e logística ajustada.

Para o exportador, o foco deve estar em:

  • monitorar sinais de compra externa, sem antecipar venda;
  • avaliar o basis regional, especialmente no Sul;
  • evitar exposição longa em um mercado ainda volátil.

A ausência de dados novos após 09/01 reforça que o mercado está andando de lado, esperando um gatilho claro.

Estratégias práticas da porteira para dentro e na mesa de negociação

O que muda a conversa agora é disciplina comercial. Para o produtor, faz sentido:

  • avaliar venda escalonada, aproveitando dias de alta;
  • não comprometer todo o volume sem sinal claro de tendência;
  • acompanhar de perto o mercado físico local.

Para exportadores e traders, a palavra-chave é liquidez. Negócios só fazem sentido com margem clara, frete ajustado e risco bem mapeado. Qualquer operação fora disso vira aposta.

Para acompanhar análises completas de trigo, acesse sempre nossa página exclusiva em Agronews – Trigo em tempo real.

O mercado de trigo não está fácil, mas também não está morto. Quem lê bem os sinais consegue se posicionar melhor e evitar decisões que custam caro lá na frente.

Agronews é informação para quem produz.

Compartilhe esta notícia: