Leves altas em janeiro abrem espaço, mas o jogo exige leitura fina de câmbio, oferta e liquidez.
O mercado de trigo começa janeiro mostrando sinais de acomodação depois de um ano pesado para preços e margens. O movimento principal é de estabilidade com leves altas, segundo o Cepea, mas ainda longe de uma virada estrutural. Para quem produz, comercializa ou olha exportação, o desafio imediato é separar ruído de oportunidade real, entendendo onde a margem aparece e onde o risco continua alto.
O que está acontecendo com os preços do trigo
Os dados mais recentes do Cepea/Esalq mostram o Indicador Brasil em R$ 1.049,40 por tonelada em 09/01/2026, com alta de 0,45% no dia. No dia anterior, 08/01/2026, o indicador estava em R$ 1.044,72, com avanço de 0,33%.
No mercado regional, o Paraná registrava R$ 1.179,26 em 08/01, com leve recuo de -0,13%, enquanto o Rio Grande do Sul aparecia em R$ 1.044,72, com alta de 0,33%. Ou seja, o preço não está disparando, mas também parou de cair como aconteceu ao longo de 2025.
Esse ponto é importante. 2025 foi marcado por quedas expressivas, mesmo com área menor, o que apertou margens e desestimulou o plantio. O reflexo agora é um mercado mais cauteloso, com pouca liquidez e compradores testando o produtor no físico.
Custos, margens e o peso das quedas de 2025
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando compara o preço atual com o custo de produção. As quedas acumuladas em 2025 corroeram margem, especialmente para quem não conseguiu travar preços em momentos melhores.
Mesmo com as leves altas de janeiro, o trigo ainda trabalha em um nível que exige gestão fina. Quem tem estoque precisa fazer conta de carregamento, risco de qualidade e necessidade de caixa. Quem está planejando a próxima safra olha para frente com desconfiança, justamente porque o histórico recente não ajuda na tomada de decisão.
O ponto é que preço estável não significa margem garantida. Significa apenas que o mercado parou de cair, o que já é um alívio, mas não resolve o problema estrutural de rentabilidade.
Oferta, clima e a sinalização da safra 2025/26
Não há atualizações recentes de Conab, Embrapa ou USDA sobre a safra 2025/26 neste início de ano. O que se sabe, com base em dados históricos do Cepea, é que a área plantada em 2025 foi menor, reflexo direto do desestímulo causado pelos preços baixos.
Essa redução de área tende a limitar a oferta interna. Em um país que importa cerca de 60% do trigo que consome, qualquer ajuste na produção doméstica muda a dinâmica de compra da indústria e pode abrir janelas para exportação pontual, especialmente a partir de estoques bem localizados no Sul.
Sem dados novos de clima ou produtividade, o mercado trabalha mais na expectativa do que em fatos. Isso explica parte da baixa liquidez observada neste começo de ano.
Câmbio, Chicago e o reflexo na competitividade
Do lado externo, não há dados oficiais recentes de B3 ou USDA para trigo divulgados até 09/01/2026. O que pesa no sentimento é a pressão vinda do mercado internacional, com relatos de quedas em Chicago, ainda que sem detalhamento oficial nas fontes.




