Veja o prognóstico agroclimático para o período de janeiro, fevereiro e março de 2026 a seguir
Região Norte
O modelo objetivo (multi-modelo), resultado da cooperação entre o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Centro de Previsão de Tempo e Clima do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE) e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), indica volumes de chuva próximos ou
abaixo da média histórica para o trimestre janeiro-fevereiro-março (JFM) no Tocantins e sudoeste do Pará (tons de amarelo na Figura 4a). Por outro lado, são previstos volumes acima da média histórica em grande parte do Amazonas, Pará, Amapá,Roraima, sul de Rondônia e na porção centro-leste do Amazonas, com aumento de até 200 mm na maior parte da região (tons de azul na Figura 4a).
Em relação às temperaturas do ar, devem prevalecer desvios dentro da média ou levemente acima da média histórica na maior parte da região (tons em amarelo e laranja na Figura 4b), com aumento médio de até 1 ºC, principalmente na região sudoeste do Pará e no Tocantins.
A previsão para os meses de janeiro a março de 2026 indica elevados níveis de armazenamento hídrico do solo em praticamente toda a Região Norte (tons em azul na Figura 5a), refletindo condições, em geral, favoráveis ao desenvolvimento da maioria das culturas de ciclo anual e perenes. Contudo, a faixa que abrange Roraima, parte do noroeste do Pará e o extremo norte do Amazonas deverá apresentar armazenamento inferior a 40% ao longo do trimestre (tons em amarelo e branco nas Figuras 5a, 5b e 5c), indicando maior restrição hídrica nessas áreas.
As previsões indicam a intensificação das condições de seca em Roraima, no norte do Amazonas, no leste do Amapá e em áreas pontuais do Baixo Amazonas e do sudoeste do Pará, especialmente no mês de janeiro, com déficits hídricos superiores a 60 mm (tons em laranja e vermelho na Figura 6a). Esse cenário é desfavorável às lavouras, sobretudo àquelas em fase de estabelecimento e desenvolvimento vegetativo, como milho primeira safra, mandioca e feijão, além de impactar negativamente sistemas agroflorestais mais sensíveis ao estresse hídrico.
Em fevereiro, observa-se redução pontual dos déficits hídricos nessas áreas, acompanhada por aumento progressivo do armazenamento de água no solo (Figura 6b), em resposta à maior regularidade das chuvas. Já em março, a disponibilidade hídrica tende a se tornar excedente na maior parte da Região Norte, permanecendo o déficit mais restrito ao centro-norte de Roraima (Figura 6c). Em contraste, áreas do centro-sul do Amazonas, Acre, Rondônia, Amapá, Pará e Tocantins deverão apresentar excedentes hídricos ao longo do trimestre, com valores superiores a 100 mm (tons em azul nas Figuras 6b e 6c), favorecendo a manutenção de elevados níveis de umidade do solo. Essa condição tende a beneficiar o desenvolvimento das lavouras de verão, das culturas perenes, como banana e cacau, e a recuperação das pastagens.
No entanto, a persistência de excedentes hídricos pode aumentar o risco de encharcamento do solo e de ocorrência de doenças fúngicas, demandando maior atenção ao manejo fitossanitário e às operações de campo.
Região Nordeste
Para os próximos meses, são previstos volumes de chuva abaixo da média no sul do Maranhão, centro-sul do Piauí, do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia (tons de amarelo e laranja na Figura 4a). Para as porções norte do Maranhão, Piauí e litoral norte do Ceará, prevê-se chuva próxima ou acima da média histórica (áreas em e azul na Figura 4a).
As temperaturas do ar deverão permanecer acima da média histórica em grande parte do Nordeste, com valores entre 0,25 °C e 1,0 °C acima da média (tons em laranja na Figura 4b), com aumento de até 1,0 °C no sul do Maranhão, do Piauí e no centro-oeste da Bahia. Nas áreas do litoral norte do Maranhão, Piauí, Cará e sul
da Bahia, as temperaturas devem ficar dentro da média histórica.
A previsão de armazenamento hídrico do solo indica estoques inferiores a 30% em grande parte da Região Nordeste ao longo do trimestre, refletindo a manutenção de condições de baixa disponibilidade de água no solo. Em decorrência desse cenário, o déficit hídrico tende a se intensificar especialmente no mês de fevereiro, com valores inferiores a 60 mm na faixa que se estende do litoral do Ceará ao litoral sul da Bahia,
abrangendo também áreas do interior nordestino (Figuras 6a e 6b). Essa condição é desfavorável ao desenvolvimento das culturas de sequeiro, sobretudo aquelas em fase inicial de estabelecimento, podendo comprometer o crescimento vegetativo e a produtividade.
Em contrapartida, níveis de armazenamento hídrico superiores a 50% são previstos no Maranhão e em áreas pontuais do sul do Piauí e do extremo oeste da Bahia ao longo do trimestre (tons em verde e azul nas Figuras 5a, 5b e 5c). Nessas localidades, observa-se recuperação gradual da umidade do solo, condição que tende
a favorecer o desenvolvimento vegetativo das culturas e a melhoria das condições das pastagens, reduzindo parcialmente os riscos associados à deficiência hídrica.
Região Centro-Oeste
Para o trimestre, o prognóstico climático indica volumes de chuva próximos ou acima da média em todo o estado do Mato Grosso do Sul e na maior parte do Mato Grosso (tons de azul na Figura 4a). No estado de Goiás, as chuvas podem ficar abaixo da média (tons de amarelo e laranja na Figura 4a). As temperaturas tendem a permanecer acima da média em toda a região, podendo ficar até 1,0 °C acima da média histórica (tons em amarelo e laranja na Figura 4b), com destaque para o oeste de Goiás, Mato Grosso do Sul e o leste do Mato Grosso, onde devem ocorrer os maiores desvios positivos.







