Logística mais pesada tira margem justamente quando o preço já não ajuda.
O começo de 2026 trouxe um recado claro para quem produz grãos no Brasil: mesmo com soja e milho ainda rodando, o custo para colocar o produto fora da fazenda virou o fiel da balança da rentabilidade. O frete não aparece na tela da bolsa, mas aparece direto no caixa do produtor. E é aí que o aperto acontece.
O movimento principal do mercado hoje é preço pressionado na origem, paridade de exportação mais curta e logística cada vez mais sensível. O desafio imediato para o produtor é decidir quando vender, quanto vender e até onde compensa carregar produto diante de um frete que consome margem.
Onde estão os preços e por que o frete pesa tanto agora
Na soja, os dados do Cepea mostram um mercado físico sem muito espaço para erro. No Paraná, a soja CEPEA/ESALQ foi cotada a R$ 133,85/sc em 09/01/2026, com queda diária de 0,56%. Em Paranaguá, o preço chegou a R$ 142,14/sc em 02/01/2026, alta de 0,80% em relação ao fim de 2025. A média nacional ficou em R$ 128,99/sc.
No Mato Grosso, segundo o IMEA, a realidade é ainda mais apertada. Em 09/01/2026, a soja variou de R$ 115,00/sc em Rondonópolis a R$ 103,90/sc em Sorriso. Quando se olha a paridade de exportação para março de 2026, os números caem para a casa de R$ 100 a R$ 102/sc em regiões como Lucas do Rio Verde e Nova Mutum.
O ponto é que, nessas paridades mais baixas, qualquer aumento no frete vira perda direta de margem. Mesmo quando o porto está pagando melhor, o custo para chegar até ele come o ganho no caminho.
No milho, a lógica é parecida. O preço físico CEPEA foi de R$ 69,13/sc em 06/01/2026. Na B3, os futuros indicavam R$ 68,73/sc para janeiro de 2026 e R$ 72,89/sc para março. É um mercado que ainda depende muito de escoamento interno e exportação, o que deixa o frete como peça-chave da conta.
Custo de produção alto e margem cada vez mais sensível
Quando o produtor olha só o preço da soja ou do milho, pode até achar que o problema é pontual. Mas a conta fecha mesmo é quando se soma tudo. No Mato Grosso, o custo total da soja na safra 2025/26 foi estimado pelo IMEA em R$ 7.761,74/ha, dado de setembro de 2025. Esse número é histórico, mas ajuda a entender o nível de custo que o produtor carrega.
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando vende soja perto de R$ 100 a R$ 105/sc e ainda precisa bancar frete rodoviário até o porto ou até o consumidor final. O frete não sobe sozinho, mas qualquer ajuste para cima, em um cenário de preço travado, tem impacto direto no resultado.
Para o milho, que já trabalha com preço absoluto menor por saca, o efeito é proporcionalmente ainda mais duro. O frete representa uma fatia grande do valor final e limita decisões de venda, principalmente longe dos grandes centros consumidores.
Safra grande aumenta a pressão logística
O Cepea trabalha com estimativa inicial de produção recorde de soja no Brasil na safra 2025/26. Sem novas revisões de Conab ou USDA na semana, o mercado segue atento ao clima na América do Sul, mas o fato é que uma safra grande significa mais grão rodando.




