Quando a bolsa lá fora oscila e o câmbio pesa, o produtor sente direto na negociação da soja.
O movimento recente do mercado deixa claro um ponto que o produtor já conhece na prática: o preço da soja no Brasil nasce fora da porteira. As cotações internacionais, principalmente a Bolsa de Chicago, somadas ao câmbio e aos custos de logística, continuam sendo o coração da formação de preços no mercado físico nacional. E, neste início de 2026, essa conta tem ficado mais apertada.
O desafio imediato para quem está com soja disponível ou perto da colheita é entender por que, mesmo com algumas altas pontuais, o preço interno não reage com força. A resposta está na paridade de exportação, que hoje funciona como teto para o mercado interno.
O que está acontecendo com os preços da soja no Brasil
Os indicadores internos mostram um mercado pressionado. O Indicador CEPEA/ESALQ Paraná registrou R$ 133,85/sc em 09/01/2026, com queda diária, enquanto o preço físico médio nacional CEPEA ficou em R$ 128,99/sc na mesma data. No porto de Paranaguá, o Indicador CEPEA/ESALQ marcou R$ 142,14/sc em 02/01/2026, acima do interior, refletindo a lógica da exportação.
No Mato Grosso, os dados do IMEA reforçam a pressão regional. Em 12/01/2026, os preços variaram de R$ 114,00/sc em Rondonópolis a R$ 103,90/sc em Canarana, com algumas praças abaixo ou muito próximas da paridade de exportação. Isso limita qualquer reação mais consistente no físico.
Na prática, o produtor sente isso quando vai negociar e percebe que o comprador usa Chicago e o dólar como referência principal, independentemente da necessidade local de originação.
Como Chicago entra direto na sua conta
A Bolsa de Chicago continua sendo o termômetro global da soja. O contrato março/2026 fechou em US$ 1.062,75/bushel em 09/01/2026, com leve alta, mas ainda em um patamar que não empurra a paridade para cima. O farelo de soja, em US$ 305,40/t curta, também não traz alívio suficiente para o complexo.
O ponto é que Chicago fraca ou lateralizada trava o preço interno. Mesmo quando há demanda no mercado físico brasileiro, o comprador não consegue pagar mais do que a conta de exportação permite. Se pagar, perde competitividade lá fora.
Esse mecanismo é simples: Chicago define o valor do grão no mercado internacional, o câmbio converte esse preço para reais e, depois, entram os custos de frete, elevação e margem do exportador. O resultado final é a paridade de exportação, que hoje dita o jogo.
Paridade de exportação e o limite do preço
Os números do IMEA deixam isso bem claro. Em 12/01/2026, a paridade de exportação para março/2026 ficou em torno de R$ 100 a R$ 102/sc em praças como Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Diamantino. Em 09/01/2026, alguns registros chegaram a R$ 105,67/sc em Primavera do Leste, ainda assim abaixo do custo total de muitos produtores.
Quando o mercado interno negocia acima dessa faixa, normalmente é por fatores pontuais: necessidade imediata da indústria, prêmio de porto ou ajuste logístico. Mas isso não se sustenta se Chicago não ajudar.
Na prática, a paridade funciona como um freio. Ela não define exatamente o preço pago em todas as regiões, mas estabelece o limite do que o comprador consegue pagar sem prejuízo.




