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Soja sente peso da oferta global e limita reação no próximo trimestre

Redação
12/01/2026 às 19:39
Soja sente peso da oferta global e limita reação no próximo trimestre

Mesmo com demanda chinesa ativa, o volume de soja no mundo segura os preços e exige cautela na venda.

O mercado internacional de soja entra no próximo trimestre com um recado claro para quem produz: tem comprador, mas tem soja sobrando. Chicago até ensaia reação em alguns momentos, puxada principalmente pela demanda chinesa, porém a oferta global robusta limita qualquer movimento mais firme de alta. Para o produtor brasileiro, o desafio imediato é lidar com preços pressionados justamente na largada da colheita e com liquidez mais travada no mercado físico.

O que está acontecendo com os preços em Chicago

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros de soja vinham acumulando alta semanal de 2,03% até 09/01/2026. O vencimento março/2026 chegou a US$ 10,67 por bushel, maio/2026 a US$ 10,75 e julho/2026 a US$ 10,88. Esse movimento refletiu expectativa de demanda, especialmente da China, e ajustes de posição dos fundos.

Mas o mercado mostrou fragilidade logo na abertura de 12/01/2026, com o contrato março recuando para US$ 10,43 por bushel. Isso deixa claro que qualquer alta encontra resistência rápida. O ponto é que o mercado sabe que tem soja suficiente vindo pela frente, principalmente da América do Sul.

O histórico recente reforça esse comportamento mais lateralizado, com oscilações curtas e sem tendência firme. Na prática, Chicago está buscando um ponto de equilíbrio entre demanda ativa e uma oferta global que não dá susto.

Oferta global grande trava altas mais consistentes

Os dados mais recentes do USDA indicam produção global elevada. A estimativa de dezembro apontou produção mundial em 422,54 milhões de toneladas, acima do mês anterior. Os estoques finais globais foram projetados em 122,37 milhões de toneladas, ligeiramente acima do ciclo anterior.

Para os Estados Unidos, o relatório de janeiro é aguardado com atenção. A expectativa é de um pequeno ajuste para baixo na produção 2025/26, mas com aumento dos estoques de passagem. Mesmo com redução marginal na safra, o volume estocado segue confortável, o que pesa sobre a formação de preço.

Na América do Sul, o cenário também não ajuda quem espera reação forte. Brasil e Argentina caminham para safras robustas, sem sinais relevantes de perdas climáticas até agora. As chuvas de janeiro foram limitadas em algumas regiões, mas nada que comprometa rendimento de forma significativa.

Mercado brasileiro sente a pressão na porta da fazenda

Enquanto Chicago tenta se sustentar, o mercado físico no Brasil enfrenta outro problema: baixa liquidez. Em janeiro, as negociações seguem lentas, com compradores mais cautelosos e produtores evitando vender nos níveis atuais.

Os preços indicativos mostram recuos semanais entre R$ 0,50 e R$ 1,00 por saca em várias praças. Em Passo Fundo (RS), a soja girou em torno de R$ 134 por saca; Cascavel (PR), R$ 127; Paranaguá (PR), R$ 135. Rondonópolis (MT) foi exceção, com leve alta para R$ 116 por saca.

O produtor sente isso no bolso porque o custo de produção não caiu na mesma proporção. Margem fica apertada, e a decisão de venda vira mais estratégica do que nunca. Não é só olhar o preço cheio, mas entender prêmio, frete e timing.

Câmbio, prêmios e exportação entram na conta

Outro ponto que muda a conversa é o comportamento dos prêmios de exportação. Com a oferta sul-americana entrando forte no mercado, os prêmios no Brasil estão em queda. Isso reduz a competitividade do preço final, mesmo quando Chicago dá algum sinal positivo.

A demanda chinesa continua sendo um fator de sustentação, mas ela não é suficiente para absorver rapidamente todo o volume disponível. O mercado internacional trabalha com conforto de oferta, e isso tira urgência dos compradores.

Para quem exporta, cada centavo de Chicago e cada ponto de câmbio fazem diferença, mas o excesso de soja limita repasses maiores para o produtor. A referência segue sendo o mercado internacional, como mostram os dados do Cepea, que ajudam a acompanhar a relação entre preços internos e externos.

Clima deixa de ser gatilho no curto prazo

No próximo trimestre, o clima tende a perder força como fator de sustentação de preços. Sem eventos extremos relevantes no radar para Brasil, Argentina ou Estados Unidos, o mercado não precifica risco climático significativo.

Isso significa que qualquer tentativa de alta vai depender mais de ajustes de oferta e demanda do que de sustos no campo. Para o produtor, é importante entender que o mercado não está pagando prêmio de risco climático neste momento.

Estratégias práticas para o produtor de soja

Diante desse cenário, a tomada de decisão precisa ser fria e estratégica. O ponto é que vender tudo agora, em um mercado travado, pode comprometer margem. Mas segurar tudo também carrega risco.

  • Acompanhar de perto o relatório do USDA de janeiro, que pode mexer com Chicago no curto prazo.
  • Avaliar vendas escalonadas, aproveitando repiques pontuais de mercado.
  • Olhar com cuidado para custo de armazenagem versus possível ganho futuro.
  • Usar ferramentas como trava de preço ou combinação de mercado físico e bolsa para reduzir risco.
  • Não decidir apenas pelo preço nominal, mas pela margem final, considerando frete, prêmio e câmbio.

Na prática, o produtor que conhece bem seus números consegue atravessar esse período com menos susto. O mercado não está favorável para apostas agressivas, mas também não exige decisões precipitadas.

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