Mesmo com demanda chinesa ativa, o volume de soja no mundo segura os preços e exige cautela na venda.
O mercado internacional de soja entra no próximo trimestre com um recado claro para quem produz: tem comprador, mas tem soja sobrando. Chicago até ensaia reação em alguns momentos, puxada principalmente pela demanda chinesa, porém a oferta global robusta limita qualquer movimento mais firme de alta. Para o produtor brasileiro, o desafio imediato é lidar com preços pressionados justamente na largada da colheita e com liquidez mais travada no mercado físico.
O que está acontecendo com os preços em Chicago
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros de soja vinham acumulando alta semanal de 2,03% até 09/01/2026. O vencimento março/2026 chegou a US$ 10,67 por bushel, maio/2026 a US$ 10,75 e julho/2026 a US$ 10,88. Esse movimento refletiu expectativa de demanda, especialmente da China, e ajustes de posição dos fundos.
Mas o mercado mostrou fragilidade logo na abertura de 12/01/2026, com o contrato março recuando para US$ 10,43 por bushel. Isso deixa claro que qualquer alta encontra resistência rápida. O ponto é que o mercado sabe que tem soja suficiente vindo pela frente, principalmente da América do Sul.
O histórico recente reforça esse comportamento mais lateralizado, com oscilações curtas e sem tendência firme. Na prática, Chicago está buscando um ponto de equilíbrio entre demanda ativa e uma oferta global que não dá susto.
Oferta global grande trava altas mais consistentes
Os dados mais recentes do USDA indicam produção global elevada. A estimativa de dezembro apontou produção mundial em 422,54 milhões de toneladas, acima do mês anterior. Os estoques finais globais foram projetados em 122,37 milhões de toneladas, ligeiramente acima do ciclo anterior.
Para os Estados Unidos, o relatório de janeiro é aguardado com atenção. A expectativa é de um pequeno ajuste para baixo na produção 2025/26, mas com aumento dos estoques de passagem. Mesmo com redução marginal na safra, o volume estocado segue confortável, o que pesa sobre a formação de preço.
Na América do Sul, o cenário também não ajuda quem espera reação forte. Brasil e Argentina caminham para safras robustas, sem sinais relevantes de perdas climáticas até agora. As chuvas de janeiro foram limitadas em algumas regiões, mas nada que comprometa rendimento de forma significativa.
Mercado brasileiro sente a pressão na porta da fazenda
Enquanto Chicago tenta se sustentar, o mercado físico no Brasil enfrenta outro problema: baixa liquidez. Em janeiro, as negociações seguem lentas, com compradores mais cautelosos e produtores evitando vender nos níveis atuais.
Os preços indicativos mostram recuos semanais entre R$ 0,50 e R$ 1,00 por saca em várias praças. Em Passo Fundo (RS), a soja girou em torno de R$ 134 por saca; Cascavel (PR), R$ 127; Paranaguá (PR), R$ 135. Rondonópolis (MT) foi exceção, com leve alta para R$ 116 por saca.
O produtor sente isso no bolso porque o custo de produção não caiu na mesma proporção. Margem fica apertada, e a decisão de venda vira mais estratégica do que nunca. Não é só olhar o preço cheio, mas entender prêmio, frete e timing.




