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Açúcar e etanol com preços firmes na entressafra e alerta para a safra

Redação
12/01/2026 às 20:50
Açúcar e etanol com preços firmes na entressafra e alerta para a safra

Demanda sustenta cotações agora, mas a virada de safra exige cautela no mix e na comercialização.

O movimento principal do mercado de açúcar e etanol neste início de ano é claro: preços sustentados na entressafra, com demanda firme e estoques mais curtos, especialmente no etanol. O desafio imediato para quem está na usina ou no canavial é separar o que é força momentânea de mercado do que pode virar pressão mais à frente, quando a próxima safra ganhar ritmo.

O que está acontecendo com preços e liquidez

Os dados mais recentes do Cepea/Esalq, referentes ao período de 29/12/2025 a 02/01/2026, mostram um mercado de etanol ainda firme. O etanol hidratado em São Paulo, no posto usina e líquido de ICMS e PIS/Cofins, foi negociado a R$ 2,9561 por litro, com alta de 0,9% frente à semana anterior. Esse movimento já se estende por 12 semanas consecutivas, sinal de que a demanda vem segurando o mercado.

No caso do etanol anidro, também em São Paulo e líquido de impostos, exceto PIS/Cofins, o preço médio ficou em R$ 3,3688 por litro, com avanço de 0,59% na comparação semanal, marcando a segunda semana seguida de alta. Na prática, isso mostra que a indústria segue ativa na recomposição de volumes durante a entressafra.

Já o açúcar cristal branco teve leve ajuste. O preço médio em São Paulo ficou em R$ 109,99 por saca de 50 kg, uma retração de 0,58% frente à semana anterior, quando estava em R$ 110,63 por saca. O ponto aqui não é queda de demanda, mas sim baixa liquidez, com muitas usinas optando por reter estoques para venda ao longo da entressafra.

Custos e margens sob a ótica da usina

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando compara a margem do etanol neste começo de ano com a do açúcar. O etanol vem mostrando uma capacidade maior de giro e liquidez, ajudada por estoques menores no Centro-Sul e pela demanda aquecida. Segundo o Cepea, os volumes negociados cresceram de forma relevante, com destaque para o anidro, que mais do que triplicou em volume, e para o hidratado, com avanço de 43% em São Paulo.

Para quem olha custo de produção e fluxo de caixa, isso muda a conversa. Mesmo sem falar em números de frete ou câmbio, que não foram divulgados, o fato é que produto com saída mais rápida reduz pressão financeira. Já o açúcar, apesar do preço ainda atrativo, exige mais fôlego de caixa para segurar estoque e esperar a melhor janela de venda.

Clima, oferta e o peso da entressafra

Entre janeiro e março de 2026, seguimos oficialmente em entressafra no Centro-Sul. Esse período costuma ser marcado por menor oferta de etanol e por uma postura mais defensiva das usinas no açúcar. Os preços firmes refletem exatamente isso: menos produto disponível e demanda ativa.

As projeções indicam reposição gradual de volumes ao longo de janeiro, o que tende a manter o mercado aquecido no curto prazo. O ponto de atenção é não confundir essa sustentação típica da entressafra com uma garantia de preços fortes mais adiante, quando a moagem voltar a ganhar escala.

Câmbio, exportação e mercado internacional

Não há, neste momento, referências oficiais recentes de câmbio ou Chicago que mudem o jogo. Ainda assim, o produtor precisa manter no radar o mercado internacional de açúcar. As sinalizações para a safra 2026/27 apontam para um superávit global, o que pode pressionar preços lá fora e, por consequência, influenciar decisões de mix no Brasil.

Além disso, o avanço do etanol de milho no mercado doméstico entra como um fator novo na conta. Mesmo sem números fechados agora, o efeito prático é simples: mais oferta potencial de etanol limita repiques de preço quando a safra de cana estiver a pleno vapor.

O que esperar da safra 2026/27

O cenário desenhado para a próxima safra, com início em abril de 2026 no Centro-Sul, é descrito pelo Cepea como desafiador. A projeção de uma moagem ao redor de 625 milhões de toneladas de cana reforça a percepção de maior oferta. Com isso, cresce o risco de oferta maior que a demanda, especialmente no etanol.

Nesse ambiente, a tendência é de pressão baixista, exigindo decisões mais finas sobre o mix produtivo. A usina que conseguir ajustar rapidamente entre açúcar e etanol, de acordo com sinais de mercado, sai na frente.

Estratégias práticas para o produtor e a usina

O ponto é que o momento pede menos euforia e mais gestão. Algumas linhas de ação fazem sentido agora:

  • Aproveitar a entressafra para comercializar etanol com preços firmes e boa liquidez.
  • Manter cautela com vendas antecipadas da safra 2026/27, evitando travar grandes volumes sem margem clara.
  • Usar a retenção de açúcar como ferramenta estratégica, quando o caixa permitir, aproveitando janelas de menor oferta.
  • Monitorar petróleo e etanol de milho, que podem mudar rapidamente a relação de preços no mercado doméstico.

Mais do que acertar o pico de preço, o foco deve ser proteger margem e garantir previsibilidade em um cenário que tende a ficar mais competitivo.

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Decisão bem tomada agora faz diferença grande quando a safra engrena e o mercado aperta.

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