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Cotações do café arábica e como proteger o investimento em ano volátil

Redação
12/01/2026 às 20:19
Cotações do café arábica e como proteger o investimento em ano volátil

Preços altos, estoques apertados e muita oscilação exigem estratégia para não devolver margem ao mercado.

O mercado de café arábica entrou neste início de ano com um recado claro para quem está da porteira para dentro e também para quem decide venda no escritório: volatilidade elevada não é exceção, é regra. Depois de renovar patamares históricos recentemente, as cotações passaram por ajustes, mas seguem em níveis que mexem diretamente com a estratégia comercial do produtor.

O desafio imediato é simples de entender, mas difícil de executar: como proteger o valor do café em um ambiente de preços altos, custos pressionados e risco constante de movimentos bruscos na bolsa e no mercado físico.

O que está acontecendo com os preços do café arábica

O indicador CEPEA/ESALQ para o café arábica em São Paulo fechou a R$ 2.225,39 por saca de 60 kg em 9 de janeiro de 2026, com queda de 1,80% no dia. Em Nova York, na ICE Futures US, o contrato março de 2026 encerrou cotado a US$ 436,00 por saca, com recuo de 3,32%.

Essas quedas pontuais não mudam o pano de fundo. Os preços seguem em patamares historicamente elevados, depois de o arábica ter alcançado os maiores níveis reais da série do CEPEA no início de 2025. Na prática, o mercado está ajustando excessos de curto prazo, não revertendo tendência estrutural.

O ponto é que esse ajuste rápido cria armadilhas. Quem olha só a tela da bolsa pode achar que o mercado virou. Quem olha o fundamento entende que a sustentação ainda está lá.

Oferta curta sustenta o mercado, mesmo com correções

Os estoques globais de café continuam historicamente baixos. Isso aparece claramente nos dados de certificados de origem: até 2 de janeiro de 2026, foram solicitadas apenas 222.828 sacas, contra 462.520 sacas no mesmo período do ano anterior. Menos café disponível significa menos espaço para quedas longas e consistentes.

Além disso, a recomposição de estoques globais ainda está longe do ideal. Mesmo com uma safra brasileira maior no papel, o consumo mundial segue exigindo volume que o mercado não consegue entregar com folga.

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando percebe que qualquer notícia de clima, logística ou atraso de embarque rapidamente devolve prêmio às cotações.

Custos elevados criam um piso psicológico para o preço

Outro fator que não pode ser ignorado é o custo de produção. Insumos, mão de obra e manejo mais intensivo elevaram o custo por saca. Isso cria um piso econômico: produzir café abaixo de certos níveis simplesmente não fecha a conta.

A indústria já sinaliza reajustes ao longo de 2026, justamente porque a matéria-prima segue cara. Isso não elimina volatilidade, mas reduz a probabilidade de um colapso prolongado de preços.

Para o produtor, esse cenário reforça a importância de saber exatamente qual é o seu custo real. Sem esse número claro, qualquer decisão de venda vira aposta.

Safra brasileira ajuda, mas não resolve o aperto

A produção brasileira da safra 2025/26 é estimada pela CONAB em 62,8 milhões de sacas, sendo 38,7 milhões de arábica e 24,1 milhões de robusta. Algumas consultorias trabalham com números acima de 70 milhões de sacas.

Mesmo assim, o consenso é que a oferta segue limitada frente à demanda e à necessidade de recompor estoques globais. As exportações brasileiras da safra 2025/26 tendem a ser menores que em temporadas anteriores justamente por haver menos café disponível para comercialização.

Ou seja, não é uma safra maior que, sozinha, muda completamente o jogo.

Como o câmbio e a exportação entram na conta

O café é um mercado global. Movimentos na bolsa de Nova York, combinados com variações cambiais, impactam diretamente o preço recebido pelo produtor brasileiro.

Quando o mercado internacional recua, mas o câmbio ajuda, o impacto no mercado físico pode ser amortecido. O contrário também é verdadeiro. Por isso, olhar apenas a cotação em reais sem entender o que está acontecendo lá fora é andar no escuro.

Dados e análises do Cepea mostram que essa relação entre bolsa, câmbio e físico segue sendo decisiva para a formação de preço no Brasil.

Estratégias práticas para proteger o investimento em café

Em um ambiente de volatilidade estrutural, a palavra-chave é defesa. Não se trata de tentar acertar o topo, mas de proteger margem.

  • Venda escalonada: diluir as vendas ao longo do tempo reduz o risco de pegar um único momento ruim de mercado.
  • Trava parcial de preços: usar instrumentos de hedge para proteger parte da produção ajuda a garantir fluxo de caixa sem abrir mão de possíveis altas.
  • Gestão de estoque consciente: segurar café faz sentido quando há fôlego financeiro e leitura clara do mercado. Estoque sem estratégia vira custo.
  • Atenção ao basis: prêmio ou desconto no mercado físico pode ser tão importante quanto a cotação da bolsa.
  • Monitoramento climático: qualquer problema no Brasil ou no Vietnã pode mudar o mercado rapidamente.

O ambiente é de cautela. Estratégias defensivas não significam pessimismo, mas sim profissionalismo em um mercado que não perdoa erro de timing.

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