Preços altos, estoques apertados e muita oscilação exigem estratégia para não devolver margem ao mercado.
O mercado de café arábica entrou neste início de ano com um recado claro para quem está da porteira para dentro e também para quem decide venda no escritório: volatilidade elevada não é exceção, é regra. Depois de renovar patamares históricos recentemente, as cotações passaram por ajustes, mas seguem em níveis que mexem diretamente com a estratégia comercial do produtor.
O desafio imediato é simples de entender, mas difícil de executar: como proteger o valor do café em um ambiente de preços altos, custos pressionados e risco constante de movimentos bruscos na bolsa e no mercado físico.
O que está acontecendo com os preços do café arábica
O indicador CEPEA/ESALQ para o café arábica em São Paulo fechou a R$ 2.225,39 por saca de 60 kg em 9 de janeiro de 2026, com queda de 1,80% no dia. Em Nova York, na ICE Futures US, o contrato março de 2026 encerrou cotado a US$ 436,00 por saca, com recuo de 3,32%.
Essas quedas pontuais não mudam o pano de fundo. Os preços seguem em patamares historicamente elevados, depois de o arábica ter alcançado os maiores níveis reais da série do CEPEA no início de 2025. Na prática, o mercado está ajustando excessos de curto prazo, não revertendo tendência estrutural.
O ponto é que esse ajuste rápido cria armadilhas. Quem olha só a tela da bolsa pode achar que o mercado virou. Quem olha o fundamento entende que a sustentação ainda está lá.
Oferta curta sustenta o mercado, mesmo com correções
Os estoques globais de café continuam historicamente baixos. Isso aparece claramente nos dados de certificados de origem: até 2 de janeiro de 2026, foram solicitadas apenas 222.828 sacas, contra 462.520 sacas no mesmo período do ano anterior. Menos café disponível significa menos espaço para quedas longas e consistentes.
Além disso, a recomposição de estoques globais ainda está longe do ideal. Mesmo com uma safra brasileira maior no papel, o consumo mundial segue exigindo volume que o mercado não consegue entregar com folga.
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando percebe que qualquer notícia de clima, logística ou atraso de embarque rapidamente devolve prêmio às cotações.
Custos elevados criam um piso psicológico para o preço
Outro fator que não pode ser ignorado é o custo de produção. Insumos, mão de obra e manejo mais intensivo elevaram o custo por saca. Isso cria um piso econômico: produzir café abaixo de certos níveis simplesmente não fecha a conta.
A indústria já sinaliza reajustes ao longo de 2026, justamente porque a matéria-prima segue cara. Isso não elimina volatilidade, mas reduz a probabilidade de um colapso prolongado de preços.
Para o produtor, esse cenário reforça a importância de saber exatamente qual é o seu custo real. Sem esse número claro, qualquer decisão de venda vira aposta.




