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Algodão pressiona margens e exige estratégia fina na venda externa

Redação
12/01/2026 às 19:23
Algodão pressiona margens e exige estratégia fina na venda externa

Com preços reagindo pouco e custos altos, exportar bem virou mais importante do que produzir mais.

O mercado de algodão entra neste início de safra com um recado claro para quem exporta: volume existe, demanda está presente, mas o preço não vai resolver sozinho a margem do produtor. O movimento principal agora é de ajuste fino na negociação, combinando câmbio, bolsa e mercado físico para proteger resultado.

Os dados mais recentes mostram preços internos andando de lado, com pequenas oscilações regionais, enquanto o mercado internacional segue sem força para grandes reações. Na prática, o produtor sente isso no bolso quando a conta fecha apertada mesmo com boa produtividade.

Como estão os preços do algodão no mercado interno

Pelo Indicador Cepea/Esalq, considerando praças de São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais, o preço médio da pluma chegou a R$ 351,96 por libra-peso, acumulando alta leve de 0,27% em oito dias, com referência de 09/01/2026. É um sinal de reação, mas ainda muito limitado para quem carrega custo elevado.

No Mato Grosso, os números do IMEA mostram pressão regional. Em Sorriso e Campo Novo do Parecis, o preço de compra da pluma ficou em R$ 107,86/@ e R$ 107,80/@, ambos com queda de 1,09%. Em Rondonópolis, o valor foi de R$ 110,01/@, com baixa de 1,07%, todos com referência em 12/01/2026.

Quando se olha o indicador mensal da safra 25/26, a fotografia é ainda mais clara. O IMEA aponta preços médios de R$ 117,82/@ no Centro-Sul, com recuo de 6,04%, e R$ 119,59/@ no Médio-Norte, queda de 4,84%. Ou seja, o mercado interno não está entregando prêmio consistente.

Custos elevados e margem cada vez mais dependente da venda

O ponto é que o algodão não perdoa erro comercial. Com custos de produção elevados, qualquer centavo mal negociado vira perda direta de margem. Mesmo com o caroço mantendo estabilidade, cotado a R$ 901,49 por tonelada no Mato Grosso, ele não compensa uma venda ruim da pluma.

Na prática, o produtor precisa olhar menos para o preço isolado e mais para a paridade de exportação. É ela que define se faz sentido travar, esperar ou escalonar vendas. Quem vende sem essa conta corre o risco de entregar algodão abaixo do potencial.

Oferta global cheia limita reações mais fortes

Pelo lado da oferta, a safra 2025/26 brasileira segue grande. A área estimada é de 2,1 milhões de hectares, com leve alta de 0,7%. Há crescimento no Norte e Nordeste, enquanto o Centro-Sul recua marginalmente.

A produtividade média projetada é de 1.885 kg por hectare, queda de 3,5%, resultando em uma produção de 3,96 milhões de toneladas de pluma, recuo de 2,9%. Mesmo assim, o Brasil mantém sobra exportável robusta.

No cenário global, a produção mundial estimada em 25,78 milhões de toneladas reforça um ambiente de oferta confortável. Isso ajuda a explicar por que a reação de preços é lenta, mesmo com sinais de demanda.

Câmbio e bolsa seguem mandando no humor do exportador

No mercado internacional, a referência de Nova York para o contrato março/26 fechou em 64,41 centavos de dólar por libra-peso, com leve recuo de 0,05 ponto, em 09/01/2026. Convertido, isso representa cerca de R$ 114,38/@, usando o dólar a R$ 5,37.

Já o Indicador Cotlook A ficou em 74,45 pontos, também em leve queda. O que muda a conversa aqui é o câmbio. Pequenas variações do dólar têm impacto direto na competitividade do algodão brasileiro e na margem final do produtor.

Por isso, acompanhar fontes como os dados do Cepea virou rotina obrigatória para quem exporta.

Exportação segue como principal válvula de escape

Mesmo com preços ajustados, o Brasil segue como protagonista no comércio global. As exportações projetadas em 3,157 milhões de toneladas, com alta de 11,4% na comparação anual, mantêm o país na liderança mundial.

Isso explica por que o mercado externo continua sendo a principal saída. Com oferta volumosa e demanda moderada no mercado interno, a exportação é quem dá liquidez, especialmente com expectativa de bom fluxo em fevereiro de 2026, apesar da pressão regional observada no Mato Grosso.

Estratégias práticas para o produtor exportador

Na prática, algumas decisões fazem diferença direta no resultado:

  • Comparar mercado interno e exportação antes de fechar negócio, sempre olhando a paridade.
  • Escalonar vendas para reduzir risco de timing errado.
  • Avaliar travas de preço e câmbio quando surgirem janelas favoráveis.
  • Manter disciplina comercial, sem vender por pressão de caixa sem fazer conta.

O algodão segue sendo um negócio de margem, não de impulso. Quem organiza bem a venda tende a atravessar este ciclo com mais segurança.

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