Preços firmes no físico, paridade apertada e exportação forte pedem decisão antes da próxima trava.
O algodão em pluma entra em 2026 com um movimento claro: preços firmes no mercado físico e uma exportação que segue puxando a referência. O desafio imediato para quem está na fazenda é alinhar o preço interno com a paridade externa, sem perder margem com custos, câmbio e prêmio. É nesse ponto que a decisão de vender, travar ou esperar começa a mexer diretamente no caixa.
Contexto e preços que estão guiando o mercado
Os indicadores oficiais mostram firmeza no curto prazo. O Indicador Algodão em Pluma CEPEA/ESALQ fechou em R$ 351,96/@ em 09/01/2026, com leve alta diária de 0,27%. Esse número reflete negociações pontuais e uma indústria ainda ativa na compra.
No Mato Grosso, os preços mensais da safra 25/26 divulgados pelo IMEA indicam ajustes negativos ao longo de janeiro, com o Centro-Sul em R$ 117,82/@, o Médio-Norte em R$ 119,59/@, o Nordeste em R$ 119,43/@ e o Noroeste em R$ 117,70/@. Essas variações mostram que o mercado físico regional está mais sensível à paridade de exportação e à expectativa de oferta.
Em praças de referência, usadas apenas como termômetro, o Oeste da Bahia gira em torno de R$ 116 a R$ 117/@, enquanto Sorriso, no norte de MT, aparece próximo de R$ 109/@. Na prática, isso mostra que a base regional e o custo logístico seguem pesando na formação do preço.
Custos e margens sob pressão seletiva
O ponto é que preço firme não significa margem garantida. O produtor sente isso no bolso quando o custo de produção, o frete interno e o custo financeiro apertam o resultado final. Mesmo com a exportação forte, a conta fecha diferente de região para região.
Quem tem escala, logística ajustada e acesso a contratos consegue defender melhor a margem. Já quem depende do spot fica mais exposto às oscilações do dólar e de Nova York. Por isso, olhar apenas o preço nominal da arroba não resolve. É preciso colocar na planilha o custo total até o porto ou até a indústria.
Clima, área e oferta na safra 2025/26
A safra 2025/26 traz sinais mistos. A área plantada no Brasil é estimada em 2,1 milhões de hectares, com alta de 0,7% sobre a anterior. O crescimento no Norte e Nordeste, de 4%, tende a compensar a leve queda no Centro-Sul.
Já a produtividade média projetada é de 1.885 kg/ha de pluma, recuo de 3,5%. Isso leva a uma produção estimada em 3,96 milhões de toneladas, queda de 2,9%, mas ainda assim a segunda maior safra da história.
Na prática, o mercado entende que há oferta suficiente, mas com dependência grande do clima para confirmar produtividade. Qualquer problema regional pode mexer com a disponibilidade e, consequentemente, com os prêmios.




