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Algodão: Paridade apertada e exportação forte pedem decisão

Redação
11/01/2026 às 18:57
Algodão: Paridade apertada e exportação forte pedem decisão

Preços firmes no físico, paridade apertada e exportação forte pedem decisão antes da próxima trava.

O algodão em pluma entra em 2026 com um movimento claro: preços firmes no mercado físico e uma exportação que segue puxando a referência. O desafio imediato para quem está na fazenda é alinhar o preço interno com a paridade externa, sem perder margem com custos, câmbio e prêmio. É nesse ponto que a decisão de vender, travar ou esperar começa a mexer diretamente no caixa.

Contexto e preços que estão guiando o mercado

Os indicadores oficiais mostram firmeza no curto prazo. O Indicador Algodão em Pluma CEPEA/ESALQ fechou em R$ 351,96/@ em 09/01/2026, com leve alta diária de 0,27%. Esse número reflete negociações pontuais e uma indústria ainda ativa na compra.

No Mato Grosso, os preços mensais da safra 25/26 divulgados pelo IMEA indicam ajustes negativos ao longo de janeiro, com o Centro-Sul em R$ 117,82/@, o Médio-Norte em R$ 119,59/@, o Nordeste em R$ 119,43/@ e o Noroeste em R$ 117,70/@. Essas variações mostram que o mercado físico regional está mais sensível à paridade de exportação e à expectativa de oferta.

Em praças de referência, usadas apenas como termômetro, o Oeste da Bahia gira em torno de R$ 116 a R$ 117/@, enquanto Sorriso, no norte de MT, aparece próximo de R$ 109/@. Na prática, isso mostra que a base regional e o custo logístico seguem pesando na formação do preço.

Custos e margens sob pressão seletiva

O ponto é que preço firme não significa margem garantida. O produtor sente isso no bolso quando o custo de produção, o frete interno e o custo financeiro apertam o resultado final. Mesmo com a exportação forte, a conta fecha diferente de região para região.

Quem tem escala, logística ajustada e acesso a contratos consegue defender melhor a margem. Já quem depende do spot fica mais exposto às oscilações do dólar e de Nova York. Por isso, olhar apenas o preço nominal da arroba não resolve. É preciso colocar na planilha o custo total até o porto ou até a indústria.

Clima, área e oferta na safra 2025/26

A safra 2025/26 traz sinais mistos. A área plantada no Brasil é estimada em 2,1 milhões de hectares, com alta de 0,7% sobre a anterior. O crescimento no Norte e Nordeste, de 4%, tende a compensar a leve queda no Centro-Sul.

Já a produtividade média projetada é de 1.885 kg/ha de pluma, recuo de 3,5%. Isso leva a uma produção estimada em 3,96 milhões de toneladas, queda de 2,9%, mas ainda assim a segunda maior safra da história.

Na prática, o mercado entende que há oferta suficiente, mas com dependência grande do clima para confirmar produtividade. Qualquer problema regional pode mexer com a disponibilidade e, consequentemente, com os prêmios.

Câmbio, Nova York e a conta da exportação

A exportação é o grande pilar do algodão brasileiro. O dólar ao redor de R$ 5,37 em 09/01/2026 ajuda a sustentar a paridade, mas exige atenção diária. Em Nova York, os contratos mostram um mercado relativamente estável, com o março/26 a 64,41 ¢/lb, o maio/26 a 65,91 ¢/lb e o julho/26 a 67,31 ¢/lb.

Convertendo esses valores para a realidade brasileira, a paridade gira próxima dos preços praticados no físico. O que muda a conversa é o prêmio de exportação e o custo logístico. Quando o dólar oscila, a conta muda rápido.

Segundo projeções do USDA e análises acompanhadas pelo CEPEA, o Brasil deve exportar cerca de 3,157 milhões de toneladas em 2025/26, alta de 11,4%, mantendo o país como maior exportador global. Isso dá sustentação estrutural ao mercado, mas não elimina a volatilidade.

Estratégias práticas para quem produz algodão

O produtor que atravessa 2026 com mais tranquilidade é aquele que trabalha gestão de risco. Não se trata de adivinhar o topo, mas de garantir margem positiva quando o mercado oferece oportunidade.

  • Fixação escalonada: travar partes da produção dilui risco de câmbio e Nova York.
  • Referência NY + prêmio: ajuda a enxergar se o preço interno está competitivo.
  • Acompanhamento diário do dólar: pequenas variações mudam a paridade.
  • Negociação de frete: mesmo sem novo indicador divulgado, o frete segue sendo decisivo.

CEPEA recomenda acompanhar em conjunto o preço interno, a bolsa e o câmbio antes de fechar negócios. Dados e análises podem ser consultados diretamente nos dados do Cepea, que servem como base para decisões mais técnicas.

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