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Algodão pressiona margens com custo alto e risco financeiro

Redação
12/01/2026 às 19:18
Algodão pressiona margens com custo alto e risco financeiro

Pluma mais barata não resolve quando o custo segue elevado e a volatilidade aperta a conta.

O mercado de algodão entra em 2026 com um recado claro para quem produz: o preço da pluma anda pressionado, mas o custo da matéria-prima não cede na mesma velocidade. O resultado é margem apertada, risco financeiro maior e necessidade de decisão mais técnica, tanto na lavoura quanto na comercialização.

Os dados recentes de CEPEA/ESALQ e IMEA mostram um mercado que testa o psicológico do produtor. A pluma não reage de forma consistente, a oferta global cresce e o câmbio segue sendo um fator que muda a conta de um mês para o outro. O ponto é que não dá mais para decidir no impulso ou só olhando preço do dia.

Contexto de preços e sinal do mercado físico

No mercado interno, o Indicador CEPEA/ESALQ para a pluma nas regiões de SP, MT e MG ficou em R$ 351,96/@ em janeiro de 2026, com variação positiva pontual de 0,27%. É uma estabilidade aparente que não muda o pano de fundo: o mercado segue travado, com compradores cautelosos.

Quando se olha para Mato Grosso, os números do IMEA deixam isso ainda mais claro. Em praças importantes como Sorriso e Campo Novo do Parecis, os preços de compra da pluma recuaram cerca de 1% no dia. No acumulado mensal, a queda é mais pesada, passando de 4% a 6% dependendo da região.

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando vai formar lote ou renegociar contrato. A indústria compra com calma, o exportador usa o cenário global como argumento e o produtor fica espremido entre custo alto e preço sem força.

Custo da matéria-prima segue elevado

O grande problema do algodão hoje não é só o preço da pluma, é o custo de produção. Dados do IMEA indicam que o alto custo foi determinante para uma redução de 14% na área semeada em Mato Grosso na safra 2025/26.

Isso mostra que a conta não fecha para muita gente. Insumos, defensivos e operações continuam pesando, e parte desses custos tem ligação direta com o câmbio e com insumos importados. Mesmo com o dólar em R$ 5,37, o risco está na volatilidade. Qualquer movimento mais brusco já muda o custo projetado da safra.

O caroço de algodão, por exemplo, ficou em R$ 901,49/t em Mato Grosso, estável no último levantamento. Ele ajuda a compor receita, mas não resolve sozinho uma margem pressionada quando a pluma perde valor.

Oferta global maior pressiona preços

No cenário internacional, a produção mundial de algodão para a safra 2025/26 foi revisada para 25,78 milhões de toneladas de pluma. Esse aumento de oferta pesa diretamente sobre as cotações, segundo análises do IMEA.

Na bolsa, os contratos em Chicago refletem esse ambiente. O vencimento março/26 girou em torno de US$ 64,41¢/lb, enquanto o maio/26 ficou próximo de US$ 65,91¢/lb. São patamares que não empolgam e deixam o produtor brasileiro dependente de câmbio e prêmio de exportação.

O índice Cotlook A também recuou, reforçando que a pressão não é só local. Quando o mundo produz mais, o comprador tem poder de barganha. E isso se traduz em menor disposição para pagar mais pela pluma brasileira.

Câmbio e exportação entram direto na conta

Mesmo com preços mais baixos, o Brasil segue como líder nas exportações de algodão. A avaliação do CEPEA é que essa posição deve ser mantida, apesar da queda nas cotações observada ao longo de 2025.

O ponto é que exportar ajuda a dar vazão, mas não garante margem. O câmbio em R$ 5,37 melhora a competitividade, mas também encarece insumos e aumenta o risco financeiro para quem não trava custo ou preço.

Na prática, o produtor precisa olhar para o basis, para o custo logístico e para a liquidez dos contratos. Sem dados recentes de frete para 2026, o cuidado tem que ser redobrado, porque qualquer surpresa nessa ponta come margem rapidamente.

Riscos financeiros e decisões dentro da porteira

O alerta é claro. O algodão vive um momento em que o risco financeiro aumentou. Preço pressionado, custo alto e volatilidade formam uma combinação perigosa para quem produz sem planejamento.

Alguns pontos práticos que entram na mesa de decisão:

  • Gestão de custo mais rígida, revisando pacote tecnológico e eficiência operacional.
  • Avaliar travas de preço parciais quando aparecer oportunidade de margem positiva.
  • Cuidado com alavancagem financeira em um cenário de preço fraco.
  • Acompanhar de perto mercado físico, bolsa e câmbio, usando dados confiáveis como os dados do Cepea e relatórios do IMEA.

O que muda a conversa é entender que não é hora de apostar. É hora de proteger margem, mesmo que isso signifique vender menos ou alongar decisão.

Para acompanhar análises completas de algodão, acesse sempre nossa página exclusiva em Agronews – algodão em tempo real.

Quem atravessa esse momento melhor não é quem acerta o fundo do preço, mas quem controla custo, risco e fluxo de caixa.

Agronews é informação para quem produz.

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