Pluma mais barata não resolve quando o custo segue elevado e a volatilidade aperta a conta.
O mercado de algodão entra em 2026 com um recado claro para quem produz: o preço da pluma anda pressionado, mas o custo da matéria-prima não cede na mesma velocidade. O resultado é margem apertada, risco financeiro maior e necessidade de decisão mais técnica, tanto na lavoura quanto na comercialização.
Os dados recentes de CEPEA/ESALQ e IMEA mostram um mercado que testa o psicológico do produtor. A pluma não reage de forma consistente, a oferta global cresce e o câmbio segue sendo um fator que muda a conta de um mês para o outro. O ponto é que não dá mais para decidir no impulso ou só olhando preço do dia.
Contexto de preços e sinal do mercado físico
No mercado interno, o Indicador CEPEA/ESALQ para a pluma nas regiões de SP, MT e MG ficou em R$ 351,96/@ em janeiro de 2026, com variação positiva pontual de 0,27%. É uma estabilidade aparente que não muda o pano de fundo: o mercado segue travado, com compradores cautelosos.
Quando se olha para Mato Grosso, os números do IMEA deixam isso ainda mais claro. Em praças importantes como Sorriso e Campo Novo do Parecis, os preços de compra da pluma recuaram cerca de 1% no dia. No acumulado mensal, a queda é mais pesada, passando de 4% a 6% dependendo da região.
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando vai formar lote ou renegociar contrato. A indústria compra com calma, o exportador usa o cenário global como argumento e o produtor fica espremido entre custo alto e preço sem força.
Custo da matéria-prima segue elevado
O grande problema do algodão hoje não é só o preço da pluma, é o custo de produção. Dados do IMEA indicam que o alto custo foi determinante para uma redução de 14% na área semeada em Mato Grosso na safra 2025/26.
Isso mostra que a conta não fecha para muita gente. Insumos, defensivos e operações continuam pesando, e parte desses custos tem ligação direta com o câmbio e com insumos importados. Mesmo com o dólar em R$ 5,37, o risco está na volatilidade. Qualquer movimento mais brusco já muda o custo projetado da safra.
O caroço de algodão, por exemplo, ficou em R$ 901,49/t em Mato Grosso, estável no último levantamento. Ele ajuda a compor receita, mas não resolve sozinho uma margem pressionada quando a pluma perde valor.
Oferta global maior pressiona preços
No cenário internacional, a produção mundial de algodão para a safra 2025/26 foi revisada para 25,78 milhões de toneladas de pluma. Esse aumento de oferta pesa diretamente sobre as cotações, segundo análises do IMEA.
Na bolsa, os contratos em Chicago refletem esse ambiente. O vencimento março/26 girou em torno de US$ 64,41¢/lb, enquanto o maio/26 ficou próximo de US$ 65,91¢/lb. São patamares que não empolgam e deixam o produtor brasileiro dependente de câmbio e prêmio de exportação.




