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Soja impulsiona biodiesel Brasil rumo ao B20

Redação
08/08/2025 às 15:30
mercado da soja

Salto na demanda por biodiesel impulsiona o processamento de soja

O Brasil está traçando um caminho promissor e mais verde para sua matriz energética, com a sanção da Lei do Combustível do Futuro. Um dos grandes destaques dessa transformação é o aumento progressivo da mistura de biodiesel no diesel comum, que tem como meta chegar aos 20% (B20) até 2030. Essa iniciativa não só contribui para a redução de emissões e o fortalecimento da bioenergia, como também apresenta desafios significativos para a capacidade produtiva do setor de óleos vegetais, especialmente a soja, a principal matéria-prima desse biocombustível no país.

Soja como protagonista na nova era energética

Filipe Cunha, head de biodiesel da SCA Brasil, destaca que a jornada rumo ao B20 é construída sobre bases firmes, como a comprovação técnica e testes rigorosos para o aumento da mistura. A liberação para o B15, que entrou em vigor em agosto, demonstra a maturidade regulatória e o compromisso com a segurança energética do país.

“Com o aumento da procura por biodiesel, a pressão sobre o óleo de soja, que é a principal matéria-prima do biocombustível no Brasil, também cresce. Os dados da ANP confirmam que o óleo de soja representou 75,1% da produção nacional de biodiesel no primeiro semestre de 2025, mostrando sua importância”, ressalta Cunha.

Projeções de crescimento para o diesel e biodiesel

O Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 (PDE 2034), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), prevê um crescimento anual de 2,1% no consumo de diesel no Brasil, com a expectativa de alcançar 84 bilhões de litros até 2034. Somente em 2025, até junho, o mercado brasileiro já comercializou 33,2 milhões de metros cúbicos (m³) de diesel.

O biodiesel tem acompanhado esse ritmo de expansão, com 4,53 milhões de m³ comercializados no primeiro semestre do ano, um aumento de 6,2%. Esse avanço é resultado tanto da elevação da mistura de B12 para B14 em março de 2024, quanto do crescimento geral do mercado de diesel fóssil.

“Se o cronograma da nova legislação para o B20 for mantido e considerando o crescimento projetado para o diesel pela EPE, o consumo de biodiesel deve chegar a 15,2 bilhões de litros em 2030. Isso significa um aumento de 68% em relação aos 9 bilhões de litros consumidos em 2024”, afirma o executivo da SCA Brasil.

Para que esse avanço aconteça, garantindo a participação majoritária do óleo de soja, será preciso um aumento considerável na oferta da commodity. Estimativas da SCA Brasil indicam que o volume de óleo de soja destinado ao biodiesel passará de 6,6 bilhões de litros em 2024 para 10,2 bilhões em 2030, um salto de 54%.

Desafios na infraestrutura e logística

Esse aumento na demanda por óleo de soja exige melhorias na infraestrutura industrial. Levando em conta um rendimento médio de 19% de óleo por tonelada de soja processada, o Brasil precisará aumentar sua capacidade de esmagamento em 22,2 milhões de toneladas nos próximos cinco anos. Na safra atual, com a colheita de soja prevista em 169,7 milhões de toneladas, o esmagamento está estimado em 57,8 milhões de toneladas, conforme projeções da Abiove.

Filipe Cunha reforça que o principal gargalo não está na disponibilidade da matéria-prima em si, mas sim na necessidade de ampliar a capacidade industrial e aprimorar a logística para processar a soja de forma eficiente e em larga escala. Produtores rurais podem se preparar para:

  • Aumentar a produção de soja para atender à demanda crescente;
  • Investir em melhores práticas de armazenamento para preservar a qualidade do grão;
  • Adaptar a logística de transporte para escoar a safra mais rapidamente.

Impactos econômicos e ambientais positivos

Os investimentos previstos são expressivos. Cálculos do Ministério de Minas e Energia (MME) indicam que a transição para o B15 deverá atrair R$ 5,2 bilhões em investimentos, criar mais de 4.000 empregos diretos e indiretos, reduzir a dependência da importação de combustíveis fósseis e diminuir as emissões de CO2eq em 1,2 milhão de toneladas por ano.

O presidente da Abiove, André Nassar, aponta que a implementação do B20 pode demandar a construção de cerca de 47 novas esmagadoras de soja e 33 usinas de biodiesel, com um investimento estimado em R$ 53 bilhões, segundo informações do Biodieselbr. Esses números demonstram o potencial de crescimento e desenvolvimento do setor.

Cenário de exportações e tarifas

A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, que entrou em vigor em agosto, pode afetar cerca de 35,9% das exportações brasileiras para o mercado americano. André Nassar também menciona que a disputa comercial entre Estados Unidos e China tem impulsionado a demanda chinesa pela soja em grão do Brasil.

A China, que é responsável pela compra de 70% a 75% da soja exportada pelo Brasil, prioriza a importação do grão para processamento interno, visando garantir a segurança alimentar e fomentar sua própria produção de proteína animal. Segundo a Abiove, as exportações de soja em grão do Brasil devem crescer 0,9% em 2025, atingindo 109 milhões de toneladas. Já as saídas de farelo de soja devem se manter estáveis em 23,6 milhões de toneladas, enquanto as de óleo de soja podem registrar uma queda de 3,6%, totalizando 1,35 milhão de toneladas. Estimativas indicam também a necessidade de importação de 100 mil toneladas de óleo e 500 mil toneladas de soja em grão para suprir a demanda interna.

A crescente demanda por biodiesel no Brasil, impulsionada pela legislação e pela busca por uma matriz energética mais limpa, coloca a soja em uma posição ainda mais estratégica. O cenário exige investimentos em infraestrutura, otimização logística e planejamento para garantir que o país possa atender tanto às necessidades do mercado interno de biocombustíveis quanto manter sua força no mercado internacional de grãos e derivados. A expansão industrial para o processamento de soja será fundamental para viabilizar o salto na demanda por biodiesel e consolidar o Brasil como líder em bioenergia sustentável. Acompanhar de perto essas movimentações é essencial para quem está inserido no agronegócio.

AGRONEWS é informação para quem produz

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