Boi gordo: Escalas de abate curtas impulsionam preços

Publicado: 30/01/2026
Atualizado: 30/01/2026
Boi gordo: Escalas de abate curtas impulsionam preços

Escalas de abate menores e exportações aquecidas mantêm a arroba do boi gordo em alta. Entenda os fatores que influenciam o mercado e as perspectivas para o produtor

Esse avanço não nasce de um único fator. É a soma de oferta mais curta, indústria com dificuldade para preencher agenda e demanda que segue puxando, tanto aqui dentro quanto lá fora. Para o pecuarista, o cenário ajuda a melhorar a margem, mas também exige atenção redobrada na hora de negociar.

Preço no bolso

O Indicador do Boi Datagro mostra bem o tamanho do ajuste. Desde o dia 21 de janeiro, a arroba na praça paulista saiu da casa de R$ 317,02 para alcançar R$ 326,80 no dia 29. É uma alta consistente, construída dia após dia, sem solavancos artificiais.

Esse comportamento não ficou restrito a São Paulo. Estados importantes na produção, como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pará, Rondônia e Tocantins, também registraram valorização. Cada região com sua particularidade, mas todas sentindo o mesmo aperto do lado da oferta.

Para quem vende boi terminado, o momento é de mercado comprador batendo mais na porteira. Já para quem ainda está no meio do ciclo, o recado é claro: a reposição continua cara e o planejamento precisa ser bem feito para não perder rentabilidade lá na frente.

Escalas encurtadas

O principal motor dessa alta está dentro dos frigoríficos. As escalas de abate estão curtas, com média nacional entre seis e sete dias corridos. É o menor nível desde março de 2025, o que deixa a indústria mais exposta e menos confortável para pressionar preços.

Quando a escala aperta, o frigorífico precisa agir. Ou melhora a oferta ao produtor ou corre o risco de parar planta, algo que ninguém quer. Esse jogo de forças tem sustentado a arroba, mesmo em um período que tradicionalmente poderia ter mais boi disponível.

Esse encurtamento não aconteceu do nada. Ele é reflexo de decisões tomadas meses atrás, ainda na época de compra de bezerros e planejamento da terminação. O resultado aparece agora, no momento da venda. Clique aqui e acompanhe o agro.

Oferta mais travada

Outro ponto importante é a retenção de gado. Os preços elevados do bezerro funcionam como estímulo para segurar fêmeas e reduzir descartes, especialmente no fim da estação de monta. Isso diminui a entrada de animais prontos no mercado no primeiro trimestre.

Some-se a isso o comportamento do clima. As chuvas vieram irregulares e, em algumas regiões, atrasaram. Esse cenário faz o produtor alongar o manejo, esperar um pouco mais de pasto ou ajustar o confinamento, o que também contribui para segurar oferta no curto prazo.

Na prática, há menos boi disponível do que a indústria gostaria. E enquanto essa conta não fecha, o preço se mantém sustentado.

Consumo e exportação

Do lado da demanda interna, o atacado paulista tem mostrado firmeza nos preços da carcaça casada. Mesmo com o orçamento das famílias mais apertado, pressionado por impostos de começo de ano e despesas escolares, o consumo não desabou.

Essa resiliência ajuda a indústria a manter margem e dá suporte para pagar mais pelo boi. Não é um consumo exuberante, mas suficiente para não travar o mercado.

Já no mercado externo, o ritmo segue forte. As exportações brasileiras de carne bovina in natura já ultrapassaram 180 mil toneladas, volume superior ao registrado no mesmo período de 2025. A demanda internacional continua sólida, garantindo escoamento da produção.

O dólar mais fraco exige atenção da indústria exportadora, mas, por outro lado, torna a carne brasileira ainda mais competitiva lá fora. Qualidade reconhecida e preço ajustado seguem abrindo portas.

Perspectiva adiante

O cenário para as próximas semanas ainda é de firmeza. Com escalas curtas, oferta controlada e exportação rodando bem, não há sinal claro de pressão baixista no curto prazo. Isso não significa disparada sem limites, mas indica um mercado sustentado.

Para o produtor, o momento pede estratégia. Quem tem boi pronto pode aproveitar para negociar com calma, acompanhando o mercado dia a dia. Quem está recompondo rebanho precisa redobrar o cuidado com custo, especialmente na reposição.

O preço do boi gordo responde rápido a mudanças de oferta e demanda. Clima, câmbio e consumo seguem no radar. Informação bem acompanhada e conta bem feita continuam sendo as melhores ferramentas dentro da porteira.

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Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.