Entenda a forte queda no preço futuro da soja em janeiro de 2026 e como ela se compara ao movimento de 2024, mais informações a seguir
Janeiro mal começou e o preço da soja já apertou o caixa de muita gente no campo. Quem acompanha a tela viu os contratos futuros escorregarem forte, num movimento que lembra bem o que aconteceu dois anos atrás. Para o produtor que fechou custo alto, apostando em reação depois do Ano Novo, a conta não fecha fácil.
Entre o fim de 2025 e a parcial de janeiro, até o dia 27, a soja perdeu 11,5% de valor no indicador do Cepea em Paranaguá. A saca chegou a trabalhar abaixo de R$125, um nível que acende alerta em várias regiões produtoras. Não é só um ajuste pontual. É um movimento que já mexe com planejamento, trava de preço e decisão de venda.
O mercado começa 2026 repetindo um roteiro conhecido. Em janeiro de 2024, a queda chegou perto de 20% no mesmo período e só foi dar sinal de recuperação mais adiante, já no fim do primeiro trimestre. Agora, a sensação no balcão é parecida: pressão grande no início do ano e muita cautela nas negociações.
Bolso do produtor
Na média de janeiro, até o dia 26, a soja foi negociada a R$132 por saca, segundo o Cepea. É o menor valor nominal desde fevereiro de 2025 e ficou abaixo do que foi registrado em janeiro do ano passado, quando a média era de R$134,60. Para quem colheu bem na safra anterior e segurou esperando melhora, o recuo pesa.
Esse nível de preço encosta em custo de produção em várias praças, especialmente onde o arrendamento é mais caro ou o pacote tecnológico foi reforçado. O produtor que fez conta lá atrás, com fertilizante ainda caro e defensivo em dólar alto, agora vê a margem encolher rápido.
No interior, a conversa gira em torno de segurar ou vender. Quem precisa fazer caixa acaba entregando a soja aos poucos. Quem tem fôlego tenta esperar, mas sem muita convicção. A lembrança de 2024 ainda está fresca e ninguém quer repetir erro. Clique aqui e acompanhe o agro.
Mercado repete 2024
O comportamento do mercado neste começo de ano chama atenção pela semelhança com o que ocorreu em 2024. Naquele janeiro, a soja desvalorizou quase 20% em relação ao último preço de dezembro e só encontrou algum respiro a partir de março. Em 2026, a intensidade ainda é menor, mas o desenho preocupa.
Parte dessa pressão vem do cenário global mais folgado. A produção mundial de soja para a safra 2025/26 foi revisada para cima em janeiro, se aproximando do volume colhido na safra anterior, estimado em 425,68 milhões de toneladas. Com mais soja disponível, o mercado internacional perde sustentação.
Outro ponto que pesa é o tamanho dos estoques. A projeção indica um volume mundial de 124,41 milhões de toneladas na safra 2025/26. É um aumento de 1,7% sobre a estimativa anterior e um novo recorde, acima do que foi visto em 2024/25. Estoque cheio costuma segurar qualquer tentativa de alta mais consistente.
Exportação em ritmo
Mesmo com preço pressionado, o Brasil segue embarcando bem. Na parcial de janeiro de 2026, a exportação de soja já superou todo o volume de janeiro de 2025. Até a quarta semana do mês, foram 1,52 milhão de toneladas embarcadas, contra 1,06 milhão no mesmo período do ano passado.
Nos primeiros 16 dias úteis do ano, a média diária de embarque ficou em 95,10 mil toneladas. Esse número é menor do que a média registrada até a terceira semana de janeiro, que era de 118,85 mil toneladas, mas ainda assim representa um avanço expressivo frente a janeiro de 2025, quando a média foi de 48,59 mil toneladas por dia.
Esse ritmo ajuda a escoar produção, mas não tem sido suficiente para puxar os preços para cima. O mercado entende que a oferta global é grande e que o Brasil, mesmo vendendo mais, não consegue compensar o peso dos estoques mundiais elevados.
Dólar e câmbio
Em moeda americana, a soja também iniciou 2026 em queda. O recuo foi forte, mas parte do impacto acabou suavizado aqui dentro pela valorização do real frente ao dólar. Para o produtor, isso vira uma conta complicada: quando o dólar sobe, ajuda no preço interno; quando cai, aperta ainda mais.
Esse jogo de câmbio tem tirado previsibilidade do mercado. Quem opera travas ou faz hedge sente dificuldade em encontrar um ponto confortável. O risco cambial virou mais um fator a ser administrado, junto com clima, custo e logística.
No dia a dia, a percepção é de que o câmbio não está ajudando como em outros momentos. Mesmo com exportação firme, o preço em reais não reage na mesma proporção, o que limita a margem do produtor brasileiro.
Olho na safra
Com esse cenário, a safra 2025/26 entra no radar com atenção redobrada. Decisão de venda antecipada, renegociação de custeio e ajuste de pacote tecnológico já estão na mesa. O produtor sabe que não dá para contar só com reação de preço mais à frente.
A experiência de 2024 ensinou que o mercado pode demorar a devolver parte das perdas de janeiro. Quem conseguiu atravessar aquele período com planejamento sofreu menos. Agora, a lógica é parecida: cautela, conta bem feita e pé no chão.
O campo segue produzindo, embarcando e fazendo sua parte. O desafio é atravessar um começo de ano pesado, com preço futuro pressionado e poucas sinalizações claras de virada no curto prazo. Informação e leitura de mercado viram ferramentas tão importantes quanto o trator e a plantadeira.
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