Soja: Frete dispara em Mato Grosso com congestionamento em Miritituba

Publicado: 28/01/2026
Atualizado: 28/01/2026
Soja: Frete dispara em Mato Grosso com congestionamento em Miritituba

Frete da soja dispara de R$260 para R$330/t na rota MT-Miritituba devido ao congestionamento no porto do Pará. Entenda o impacto nos custos e no preço para o produtor

Esse salto no transporte não acontece no vácuo. Ele bate direto no preço recebido na fazenda. Com a logística mais cara, o desconto aplicado na originação cresce e o valor final da soja encolhe. Para quem fez conta apertada, confiando em frete mais comportado, a margem some rápido.

Impacto no bolso

O produtor olha a cotação em Chicago, acompanha o dólar, mas é o frete que muitas vezes decide se fecha ou não um negócio. Quando o transporte sobe R$70 por tonelada, como ocorreu agora, não tem milagre. Esse custo acaba empurrado para trás da cadeia, reduzindo o preço pago na origem.

Segundo análises de mercado, a combinação de atraso no calendário da safra e concentração da colheita em um período curto elevou a disputa por caminhões. O resultado aparece no valor cobrado por tonelada e também nas despesas extras ao longo do caminho, como tempo parado e reprogramação de cargas.

Em relação a janeiro de 2025, o frete já está cerca de R$50 por tonelada mais caro. E não é só em reais. Quando se coloca na ponta do lápis em dólar, a logística brasileira também perdeu competitividade, justamente em um momento em que o câmbio deixou de ajudar.

Gargalo em Miritituba

O porto de Miritituba virou um ponto sensível neste início de safra. Com a chegada concentrada de caminhões, o acesso ficou lento. Há relatos de motoristas passando de três a quatro dias em fila até conseguir descarregar. Caminhão parado custa caro, e alguém paga essa conta.

O congestionamento eleva o custo da operação como um todo. Originadores precisam lidar com despesas adicionais por atraso, rolagem de contratos e ajustes logísticos de última hora. Tudo isso entra no custo da soja colocada no navio.

Miritituba é estratégica para o escoamento do Norte, reduz distância até o mercado externo e já mostrou eficiência em outros anos. O problema aparece quando a infraestrutura não acompanha o pico de oferta. Com safra atrasada e colheita acelerada ao mesmo tempo, o sistema opera no limite. Clique aqui e acompanhe o agro.

Efeito no preço

Quando o frete dispara, o impacto não fica restrito ao transporte. O desconto aplicado sobre a referência internacional aumenta, reduzindo o valor líquido ao produtor. Em bom português, a soja vale menos na porteira, mesmo que a cotação lá fora não tenha despencado.

A queda recente do dólar piora esse cenário. Com a moeda americana mais fraca, a conversão do preço internacional para reais já diminui. Somando isso ao frete mais caro, fechar a conta fica cada vez mais difícil.

O produtor sente na prática: a planilha não fecha como o esperado, e muitas vezes a venda precisa ser adiada à espera de uma janela melhor. Só que segurar produto também tem custo, seja financeiro, seja de armazenagem.

China no radar

O aumento do custo logístico brasileiro começa a chamar atenção no mercado internacional. Analistas acompanham de perto o comportamento da China, principal compradora da soja do Brasil. Com a mercadoria chegando mais cara ao destino, existe o risco de o comprador pisar no freio.

As margens de esmagamento chinesas seguem em bom momento, o que ajuda a sustentar a demanda. Por outro lado, as compras estão atrasadas, e qualquer perda de competitividade pode influenciar o ritmo dos negócios.

Para o produtor brasileiro, isso significa um mercado mais cauteloso. Se o comprador demora ou reduz o volume, a pressão volta para a origem, especialmente em um cenário de oferta grande e logística estressada.

Estratégia do produtor

Diante desse quadro, o momento pede cabeça fria. A recomendação de consultores é olhar com atenção os custos e as oportunidades do outro lado da planilha. Com o dólar mais baixo, alguns insumos tendem a ficar mais baratos, o que pode ajudar no planejamento da próxima safra.

Não é hora de decisão no impulso. Avaliar frete, janela de entrega, necessidade de caixa e possibilidade de armazenagem faz diferença. Em alguns casos, esperar pode ser melhor; em outros, travar o que dá para garantir fluxo financeiro.

O campo já mostrou muitas vezes que quem sobrevive é quem ajusta a rota no meio do caminho. A logística segue sendo um dos maiores desafios da soja brasileira, e episódios como o de Miritituba reforçam a importância de planejamento e cautela na comercialização.

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Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.