Carne suína brasileira lidera em competitividade global

Publicado: 30/01/2026
Atualizado: 30/01/2026
Carne suína brasileira lidera em competitividade global

Estudo da ONU aponta a carne suína brasileira como a mais competitiva do mundo em 2025, com US$ 2,57 por quilo exportado. Veja o impacto para o setor!

O produtor de suínos sente na ponta do lápis quando o Brasil ganha ou perde espaço lá fora. Preço recebido, custo de ração, contrato de integração e até o ritmo de abate mudam conforme o mercado externo reage. Em 2025, os números mostraram um cenário favorável para quem está no chiqueiro todo dia: a carne suína brasileira saiu como a mais competitiva do mundo em valor por quilo exportado.

Esse dado não é conversa de corredor. Vem de levantamento da UN Comtrade, base da Organização das Nações Unidas que acompanha o comércio internacional, analisado pelo Cepea. O preço médio do quilo exportado pelo Brasil ficou em US$ 2,57 ao longo do ano passado, um patamar abaixo dos principais concorrentes. Para quem produz, isso ajuda a entender por que o frigorífico conseguiu vender mais e manter plantas rodando cheias.

Preço e competitividade

Quando se fala em competitividade, não é só eficiência de porteira para dentro. É custo de produção, sanidade, logística, câmbio e capacidade de atender mercados exigentes. O estudo da ONU mostrou que Estados Unidos e União Europeia, líderes globais em volume, tiveram preço médio de exportação em torno de US$ 3,18 por quilo. Essa diferença coloca o Brasil numa posição agressiva nas negociações internacionais.

Na prática, vender mais barato não significa ganhar menos. O setor brasileiro conseguiu combinar escala, produtividade e controle sanitário para manter margem, mesmo com preço menor. Para o produtor integrado, isso aparece na regularidade de alojamento e no escoamento da produção. Para o independente, abre espaço para negociar melhor em momentos de mercado firme.

Esse desempenho também ajuda a explicar por que a suinocultura brasileira vem atraindo investimentos em genética, nutrição e automação. Quem compra lá fora quer previsibilidade. E o Brasil mostrou em 2025 que consegue entregar volume com custo competitivo.

Brasil no mercado global

O país terminou 2025 como o terceiro maior exportador mundial de carne suína, atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia. Não é pouca coisa. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal, foram embarcadas 1,510 milhão de toneladas no ano, o maior volume já registrado pelo setor.

Esse crescimento não veio do nada. A abertura e consolidação de mercados na Ásia, a manutenção de protocolos sanitários rígidos e a resposta rápida a demandas específicas fizeram diferença. Para o produtor, isso se traduz em menos dependência do consumo interno, que costuma ser mais sensível a renda e inflação.

Vale lembrar que exportação forte ajuda a equilibrar o mercado doméstico. Quando o fluxo externo anda bem, sobra menos carne aqui dentro, o que costuma dar sustentação aos preços pagos ao longo da cadeia. Não resolve todos os problemas, mas ajuda a atravessar períodos de consumo fraco.

Produção e exportações

O recorde de exportação em 2025 mostra que a engrenagem funcionou do campo ao porto. A produção de suínos cresceu com base em ganhos de produtividade, não apenas em aumento de plantel. Conversando com técnicos e produtores, fica claro que manejo, sanidade e conversão alimentar seguem no centro das decisões.

Para quem está na integração, a estabilidade dos contratos foi fundamental. Já no sistema independente, muitos produtores aproveitaram janelas de mercado para negociar o suíno vivo fora dos contratos tradicionais. Esse movimento ganhou força no início de 2026, quando o cenário de preços começou a mudar.

O Brasil também se beneficiou de um contexto internacional mais apertado em alguns concorrentes, seja por questões sanitárias, seja por custos mais altos. Isso abriu espaço para a carne suína brasileira ganhar participação, mesmo sem grandes saltos de preço.

Mercado interno pressionado

Se lá fora o quadro foi positivo, dentro de casa o produtor começou 2026 com sinal amarelo. Dados do Cepea indicam que o preço da carne suína entrou o ano em queda, chegando a recuo de cerca de 20% no mercado independente, o chamado spot.

Esse movimento está ligado a uma decisão prática do produtor. Com custos mais elevados na produção integrada, muitos optaram por vender o suíno vivo no mercado independente, mesmo a preços próximos ou até abaixo do sistema de integração. É conta feita na planilha, não no achismo.

Ração ainda pesa, especialmente milho e farelo de soja. Quando o custo sobe e o preço do suíno cai, a margem aperta rápido. Por isso, a competitividade no mercado externo vira ainda mais importante. Exportar bem ajuda a aliviar essa pressão, mesmo que o reflexo não seja imediato no bolso de quem produz. Clique aqui e acompanhe o agro.

O que esperar agora

O desempenho de 2025 colocou o Brasil em posição confortável na disputa global, mas ninguém no campo trabalha olhando só pelo retrovisor. O produtor sabe que mercado muda rápido. Sanidade segue sendo ponto-chave, assim como a gestão de custos dentro da porteira.

A expectativa é que a competitividade da carne suína brasileira continue sendo um trunfo, especialmente se o câmbio ajudar e os custos de alimentação animal derem algum alívio. Para quem está na atividade, o recado é velho conhecido: controle fino de gastos, atenção ao mercado e decisão tomada com base em número, não em esperança.

O Brasil mostrou que sabe jogar o jogo internacional. Agora, o desafio é transformar essa vantagem em renda consistente para quem acorda cedo, enfrenta barro ou poeira e faz a suinocultura acontecer todos os dias.

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Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.