Preço interno cede aos poucos, porto segue firme e o frete decide a conta final na fazenda.
O mercado de soja no Brasil começa 2026 com um movimento claro: preços internos em leve viés de baixa, enquanto a base de exportação segue relativamente firme. O desafio imediato para o produtor é simples de entender e difícil de resolver: a margem está apertada, principalmente nas praças de custo elevado, com destaque para Mato Grosso. Na prática, cada decisão de venda exige conta fina de paridade, considerando frete, produtividade e fluxo de caixa.
O que está acontecendo com os preços da soja no físico
Os indicadores do Cepea mostram uma sequência de pequenos recuos no mercado interno neste início de janeiro. No Paraná, o indicador soja CEPEA/ESALQ marcou R$ 133,85/sc em 09/01/2026, queda de 0,56% no dia, vindo de R$ 134,71/sc em 06/01/2026. Não é tombo, mas é sinal de pressão contínua.
Na média física nacional, usada como referência agregada de Brasil, o Cepea apontou R$ 128,99/sc em 09/01/2026. Esse número ajuda a entender o sentimento do mercado: comprador cauteloso, oferta aparecendo aos poucos e vendedor escolhendo bem o momento de fechar negócio.
Quando o produtor olha para o porto, a conversa muda. O indicador CEPEA/ESALQ no Porto de Paranaguá foi de R$ 142,14/sc em 02/01/2026, com alta de 0,8% frente ao fim de dezembro. Isso confirma que a exportação ainda paga melhor que o interior. O problema é transformar esse preço em dinheiro líquido na fazenda.
Como o frete entra pesado na conta da margem
O ponto é que o frete rodoviário elevado está comendo boa parte do ganho do melhor preço no porto, especialmente para a soja de Mato Grosso destinada a Paranaguá e outros corredores longos. Relatos setoriais indicam que essa despesa tem sido o fator decisivo entre vender ou segurar.
Sem tabelas oficiais novas de frete para 2026 nas fontes prioritárias, o produtor precisa trabalhar com a realidade do balcão: cotação atual do transporte, fila de embarque e custo financeiro do tempo. Na prática, porto firme não garante margem se o frete não fechar.
Mato Grosso sente mais a pressão no bolso
Os dados do IMEA deixam claro por que a margem está mais sensível em MT. No fechamento oficial de 09/01/2026, a soja disponível foi cotada a R$ 115,00/sc em Rondonópolis, R$ 113,90/sc em Alto Araguaia e R$ 112,70/sc em Campo Verde.
Em polos mais distantes, os preços recuam ainda mais: R$ 103,90/sc em Sorriso, R$ 103,20/sc em Diamantino e R$ 104,50/sc em Lucas do Rio Verde. Primavera do Leste aparece com R$ 113,30/sc. Essa dispersão mostra o peso da logística e da demanda local.
Quando se cruza isso com custos totais históricos estimados pelo IMEA para a safra 2025/26 em R$ 7.761,74/ha (relatório de setembro/2025, dado histórico), fica claro que a rentabilidade depende muito da produtividade final e do frete. Qualquer erro nessa conta vira prejuízo.
Paridade de exportação melhora, mas não resolve sozinha
A paridade de exportação calculada pelo IMEA para a safra 2025/26, com referência em março/2026, mostrou ganhos diários mesmo com o físico pressionado. Em Lucas do Rio Verde, a paridade foi de R$ 102,00/sc, com variação diária de +2,32%. Em Nova Mutum, R$ 100,57/sc, e em Nova Ubiratã, R$ 100,34/sc, ambas com altas acima de 2%.




