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Logística cara entra forte na conta da soja e exige cálculo fino antes de vender

Redação
11/01/2026 às 19:45
Logística cara entra forte na conta da soja e exige cálculo fino antes de vender

O movimento principal neste início de 2026 é claro: o frete rodoviário de grãos segue em patamar elevado e está pesando diretamente na margem da soja, sobretudo em rotas longas de Mato Grosso. O desafio imediato do produtor é decidir venda e escoamento com menos repasse do porto para o interior, num momento em que exportação até paga melhor, mas o custo de levar a carga até lá come boa parte do ganho.

Contexto e preços que balizam a logística

Os preços da soja ajudam a entender por que a logística virou protagonista na conta. No mercado físico, o indicador Cepea/ESALQ – soja Paraná marcou R$ 133,85/sc em 09/01/2026, enquanto a média física nacional ficou em R$ 128,99/sc na mesma data. No porto de Paranaguá, a soja foi negociada a R$ 142,14/sc em 02/01/2026, com alta de 0,8% frente ao fim de dezembro, sinalizando que a exportação está pagando melhor que o interior.

O problema é o caminho entre a fazenda e o porto. Em Mato Grosso, os preços disponíveis divulgados pelo IMEA em 09/01/2026 mostram valores bem mais baixos no interior: R$ 115,00/sc em Rondonópolis, R$ 113,90/sc em Alto Araguaia, R$ 112,70/sc em Campo Verde, R$ 103,90/sc em Sorriso, R$ 103,20/sc em Diamantino, R$ 104,50/sc em Lucas do Rio Verde e R$ 113,30/sc em Primavera do Leste. Essa diferença de base deixa claro que o frete virou o fiel da balança.

Frete rodoviário entra pesado na conta

Os dados mais recentes do IMEA para frete de grãos, em R$/t, mostram um cenário que exige atenção. Da região de Sorriso, o frete até Cuiabá está em R$ 129,42/t. Para Miritituba (PA), rota estratégica de exportação pelo Arco Norte, o valor chega a R$ 277,43/t. Já a rota longa até Paranaguá (PR) custa R$ 446,09/t. Mesmo dentro do estado, o trecho Sorriso–Rondonópolis aparece em R$ 176,84/t, com variação positiva recente, sinalizando pressão pontual no escoamento interno.

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando compara o preço do porto com o preço na sua região. A conta da paridade precisa considerar que, em rotas longas, o frete pode consumir boa parte da vantagem de exportação. É exatamente por isso que o Cepea ressalta que o frete rodoviário elevado tem limitado a alta dos preços internos da soja, mesmo com suporte vindo do mercado externo.

Custos, margem e o peso do transporte

O ponto é que a margem da soja em 2026 está cada vez mais sensível aos custos logísticos. Em Mato Grosso, o IMEA estimou o custo total histórico da soja 2025/26 em R$ 7.761,74/ha, conforme relatório de setembro de 2025. Isso significa que, mesmo com boa produtividade, qualquer desvio no frete pode ser a diferença entre fechar no azul ou no vermelho.

Quando Chicago e câmbio não ajudam, como indicado pelo Cepea no início de 2026, o repasse do preço de exportação para o interior fica travado. Nesse cenário, o frete ganha peso relativo maior na formação do preço líquido ao produtor. Não é só quanto a soja vale, mas quanto sobra depois de pagar o caminhão.

Clima, safra e pressão logística no primeiro trimestre

Olhando para frente, a logística tende a ficar ainda mais disputada. A Conab projeta que a colheita da safra 2025/26 deve inflacionar o mercado de fretes rodoviários no primeiro trimestre de 2026, pela forte demanda concentrada por caminhões. É o efeito clássico da safra cheia batendo ao mesmo tempo em estradas, armazéns e portos.

Para quem está em regiões distantes dos terminais, como boa parte do norte de Mato Grosso, isso significa risco adicional. Se o produtor deixar para contratar frete em cima da hora, pode enfrentar não só preço mais alto, mas também dificuldade de encontrar caminhão disponível.

Câmbio, Chicago e exportação na prática

Cepea aponta que, neste começo de ano, quedas externas em Chicago e movimentos cambiais menos favoráveis têm limitado os ganhos da soja no Brasil. O resultado prático é uma exportação que até sustenta o porto, mas não consegue puxar o interior na mesma intensidade.

É aí que a logística vira gargalo. Com o frete caro, o desconto de base aumenta e o produtor do interior vê o preço líquido encolher. Entender essa dinâmica é essencial para não vender no impulso achando que o preço do porto é o preço que vai cair na conta.

Estratégias práticas para o produtor

Diante desse cenário, algumas decisões práticas fazem diferença:

  • Integrar venda e frete. Negociar a soja sem ter clareza do custo de transporte aumenta o risco de margem negativa.
  • Calcular paridade rota a rota. Comparar Miritituba, Paranaguá e mercado interno, sempre descontando o frete real da sua região.
  • Avaliar contratos antecipados de frete quando houver oportunidade, para reduzir a exposição na safra cheia.
  • Olhar o fluxo de caixa. Às vezes segurar a soja esperando melhora de preço não compensa se o frete subir mais rápido.

O que muda a conversa é entender que, em 2026, a logística deixou de ser detalhe e virou fator central de decisão. Quem fizer conta rasa pode vender bem na tela, mas mal no bolso.

Para aprofundar dados de mercado e logística, vale acompanhar fontes oficiais como os dados do Cepea e os painéis do IMEA, que ajudam a enxergar onde o frete está apertando mais.

Para acompanhar análises completas de soja, acesse sempre nossa página exclusiva em Agronews – Soja em tempo real.

A decisão bem feita hoje passa por entender o custo do caminhão tanto quanto o preço da saca.

Agronews é informação para quem produz.

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