A Embrapa e a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) fecharam parceria para o desenvolvimento de um aplicativo e um sistema de informações geográficas na web (webgis) para mostrar, no mapa e em gráficos, quão favorável ou não um ambiente está para a proliferação de doenças nas lavouras. Com isso, os agricultores terão informação para decidir quando e quanto investir em medidas para combater o problema, como a aplicação de defensivos. A iniciativa também contempla o acompanhamento do balanço hídrico da região.

Recém-aprovado pelo Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), o projeto tem duração prevista de dois anos. É liderado pela Embrapa Territorial (SP) e será direcionado inicialmente para a região oeste da Bahia e para duas doenças que afetam as principais culturas locais: a ferrugem da soja e a mancha da ramulária do algodão.

Por isso, integram o projeto outras duas iniciativas da Empresa e parceiros no combate a essas duas ameaças: o Consórcio Antiferrugem, coordenado pela Embrapa Soja (PR), e a Rede de Pesquisa de Ramulária, que tem à frente a Embrapa Algodão (PB). Conta ainda com a parceria da Embrapa Informática Agropecuária (SP) e da Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE).

Os pesquisadores vão utilizar informações das estações meteorológicas dos agricultores, combinadas com imagens de satélite e dados de ocorrência das doenças. A partir daí, será calculado e divulgado pelo aplicativo e pelo site quão favorável à proliferação dos agentes causadores é o momento. Estão previstas atualizações diárias.

O pesquisador da Embrapa Territorial Julio Cesar Bogiani explica que três fatores são necessários para a proliferação de doenças nas lavouras: presença do agente causador, dos hospedeiros (as plantas) e condições climáticas favoráveis. “O ambiente é altamente determinante para a favorabilidade da doença”, explica.

No caso da soja, o Consórcio Antiferrugem já publica os números e locais de ocorrência e dispõe de série histórica. Esses dados serão combinados aos meteorológicos para gerar índices de favorabilidade a serem utilizados pelos agricultores.

“A interligação com a rede de estações será uma ferramenta a mais para auxiliar o produtor nas tomadas de decisões no manejo da doença porque interliga o triângulo de relações hospedeiro x patógeno x ambiente. Com os sistemas interligados, pode ser feita a validação de modelos de previsão, buscando desenhar mapas de favorabilidade para a região, a partir de dados locais”, avalia a pesquisadora da Embrapa Soja Cláudia Vieira Godoy, da coordenação do Consórcio.

Já a rede de pesquisa que estuda a ramulária é recente. Há dados de uma safra completa e, até o lançamento do aplicativo e do webgis, pelo menos mais uma terá sido monitorada. De acordo com o coordenador da rede, o pesquisador da Embrapa Algodão Alderi Emídio de Araújo, a abrangência dos dados levantados permitirá determinar que condições de clima favorecem o aumento da intensidade da doença.