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Milho sente a seca no Centro-Oeste e o preço reage aos poucos

Redação
13/01/2026 às 07:32
Milho sente a seca no Centro-Oeste e o preço reage aos poucos

Clima aperta a safrinha, mas estoque elevado ainda segura o mercado.

O mercado de milho começa 2026 andando em terreno irregular. De um lado, preços domésticos pressionados por oferta ampla e estoques elevados. Do outro, a seca no Centro-Oeste encurta a janela da safrinha e coloca risco real no potencial produtivo. O desafio imediato para o produtor é decidir quando vender e como se proteger num mercado que ainda não virou, mas já dá sinais de alerta.

Onde o preço está hoje e o que isso diz sobre o mercado

O Indicador CEPEA/ESALQ, referência nacional, fechou a R$ 68,84 por saca de 60 kg em 12/01/2026, com queda diária de 0,26% e recuo de 0,95% no mês. Nos dias anteriores, o mercado já mostrava essa lateralização para baixo, com R$ 69,02 em 09/01 e R$ 68,94 em 08/01.

Na B3, o milho reflete o mesmo sentimento. O contrato março/2026 estava a R$ 72,89 por saca, enquanto o janeiro/2026 operava em R$ 68,73. Segundo o Cepea, a curva futura segue mais baixa do que a da safra passada, puxada principalmente pelos estoques elevados de passagem. Na prática, isso limita qualquer reação mais forte no curto prazo.

No mercado físico do Mato Grosso, dados recentes do IMEA mostram preços bem abaixo da média nacional, com o Centro-Sul em R$ 28,25 por saca e o Médio-Norte em R$ 32,53. Esses valores reforçam o peso logístico e a concentração de oferta sobre a formação de preço dentro da porteira.

Custo, margem e o impacto direto no bolso

Com o milho abaixo de R$ 70 em Campinas e muito mais barato nas regiões produtoras, a margem segue apertada, principalmente para quem teve custo elevado com fertilizantes, sementes e operações. O ponto é que o mercado ainda não remunera risco climático.

Para o produtor, isso significa duas coisas práticas. Primeiro, venda sem planejamento pode travar margem negativa. Segundo, esperar uma reação baseada apenas na seca pode ser cedo demais. O mercado quer ver quebra confirmada, não apenas atraso de plantio.

Quem tem estrutura de armazenagem ganha tempo. Quem não tem, precisa avaliar barter, trava parcial ou venda escalonada para diluir risco de preço baixo no pico da oferta.

Clima no Centro-Oeste muda a conversa?

A irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas no Centro-Oeste estão afetando a soja de primeira safra. Isso empurra o plantio do milho safrinha para fora da janela ideal. Como cerca de 80% da produção nacional vem da segunda safra, qualquer atraso aumenta o risco climático.

Dados da CONAB apontam área recorde de 22,7 milhões de hectares e produção total como a segunda maior da história. Mesmo assim, o IMEA projeta queda de 8% na produção de milho em Mato Grosso na safra 2025/26. Ou seja, área grande não garante produtividade quando o clima falha.

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando o potencial produtivo cai, mas o preço ainda não reage porque o mercado trabalha com números nacionais e estoques, não com a lavoura individual.

Estoques elevados seguram o preço, por enquanto

O fator que mais pesa contra uma alta mais rápida é o volume de milho disponível. Estoques elevados de passagem, segundo análises do Cepea, mantêm o mercado abastecido e reduzem a urgência de compra da indústria.

Por outro lado, esses estoques favorecem consumo doméstico forte, especialmente para etanol de milho e proteína animal. Isso ajuda a dar liquidez ao mercado, mas não necessariamente empurra preço para cima no curto prazo.

Câmbio, Chicago e exportação entram no radar

No mercado internacional, os futuros de milho na CME mostram curva ascendente no primeiro semestre de 2026. O movimento é sustentado por exportações recordes dos Estados Unidos e por um balanço global mais ajustado.

O USDA projeta produção mundial de 1,282 bilhão de toneladas em 2025/26, alta de 4,3%. Mesmo com produção maior, a relação estoque/consumo global segue apertada, o que dá sustentação aos preços em Chicago.

Para o produtor brasileiro, o que muda a conversa é o câmbio. Com dólar firme, a paridade de exportação melhora e cria um piso para o mercado interno, principalmente nos portos. Ainda assim, o repasse para o interior depende de frete e demanda local.

Frete ainda é incógnita, mas pesa na decisão

Não há dados consolidados de frete para 2026 até o momento. Em 2025, os valores ficaram moderados, segundo Cepea e IMEA. O alerta é simples: se a safra atrasar e concentrar colheita, o frete sobe e come margem rapidamente.

O que o produtor pode fazer agora

  • Acompanhar de perto o clima no Centro-Oeste e a evolução real da safrinha.
  • Evitar decisões de venda baseadas apenas em expectativa de quebra.
  • Usar ferramentas de gestão de risco, como trava parcial de preço ou barter bem negociado.
  • Monitorar Chicago, câmbio e relatórios do USDA e do Cepea para entender o timing do mercado.

O ponto é que o mercado de milho ainda está pesado, mas começa a incorporar risco climático. Quem se antecipa com informação e estratégia sai na frente.

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