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Milho pressiona preços internos e abre janela para exportação

Redação
12/01/2026 às 14:44
Milho pressiona preços internos e abre janela para exportação

Com oferta grande e limite de alta no mercado doméstico, a saída pode estar no porto.

O mercado de milho entra no início de 2026 com um recado claro para quem produz e para quem comercializa: preço interno pressionado, liquidez seletiva e uma conta que só fecha melhor quando o produtor olha para fora da porteira. As cotações seguem em patamares inferiores aos da safra anterior, enquanto o volume disponível no país mantém o mercado físico abastecido. O desafio imediato é transformar essa oferta grande em margem, especialmente para quem tem acesso à exportação ou vende para quem exporta.

Onde estão os preços do milho hoje

O Indicador CEPEA/ESALQ Campinas (SP) foi cotado a R$ 68,94 por saca de 60 kg em 08/01/2026, com queda diária e mensal. Isso mostra um mercado que ainda busca fôlego para reagir, mesmo em um período em que parte da oferta já foi escoada.

Na B3, os contratos seguem abaixo dos níveis observados na safra passada. O janeiro/2026 girava em torno de R$ 68,73 por saca, enquanto março/2026 mostrava leve recuperação para R$ 72,89 e julho/2026 em R$ 70,32. Essa curva indica que o mercado até precifica alguma melhora ao longo do ano, mas sem sinal de explosão de preços.

Quando o produtor do Centro-Oeste olha para a paridade de exportação, os dados do IMEA mostram reação positiva nos preços de referência para julho/2026 em praças de Mato Grosso. Mesmo assim, os valores ainda deixam claro que a rentabilidade depende muito de escala, eficiência logística e timing de venda.

O que está segurando as cotações internas

O ponto é que a oferta pesa. O Brasil caminha para uma área recorde de milho na safra 2025/26, estimada em 22,7 milhões de hectares, segundo a Conab. A produção total tende a ser a segunda maior da história, com a segunda safra respondendo por cerca de 80% da oferta nacional.

Além disso, o consumo interno segue firme, puxado pelo etanol de milho e pelas cadeias de proteína animal, mas cresce praticamente no mesmo ritmo da produção. Na prática, isso mantém um equilíbrio oferta-demanda apertado, porém com estoques de passagem ainda elevados, o que limita movimentos mais agressivos de alta, como já alertou o Cepea.

Clima, soja e risco na janela do milho safrinha

Outro fator que o produtor precisa acompanhar de perto é o clima. As chuvas irregulares e temperaturas elevadas no Centro-Oeste têm afetado o desenvolvimento da soja de primeira safra. Quando a soja atrasa, a janela de plantio do milho de segunda safra encurta.

Na prática, isso aumenta o risco produtivo do milho safrinha. Se o plantio escapa da janela ideal, o produtor fica mais exposto a veranicos e geadas mais à frente. Esse risco climático pode até dar algum suporte aos preços no papel, mas só vira alta consistente se houver quebra relevante, o que ainda é uma incógnita.

Câmbio, Chicago e o peso do mercado internacional

Do lado externo, o cenário é um pouco mais construtivo. Os contratos futuros de milho na CME mostram uma curva ascendente ao longo do primeiro semestre de 2026, sustentada por exportações fortes dos Estados Unidos e por um estoque sobre consumo global mais ajustado.

Segundo o USDA, a produção mundial de milho na safra 2025/26 é estimada em 1,282 bilhão de toneladas, com crescimento em relação ao ciclo anterior. Mesmo assim, o balanço global não sobra tanto quanto no passado recente, o que ajuda a sustentar os preços internacionais.

Para o exportador brasileiro, o câmbio continua sendo parte central da conta. Mesmo sem cravar números, a lógica é simples: quando o dólar ajuda e Chicago se mantém firme, a paridade de exportação fica mais interessante do que o mercado interno, especialmente em regiões próximas aos corredores logísticos.

Onde estão as oportunidades para exportadores

Com um excedente doméstico relevante, o Brasil tende a seguir como um player agressivo nas exportações de milho. O maior interesse em exportar vem justamente da dificuldade de o mercado interno absorver tudo a preços que garantam margem confortável.

Na prática, a oportunidade aparece para quem consegue:

  • Trabalhar com escala e diluição de custos logísticos.
  • Fixar preços em momentos de melhora da paridade, usando travas na B3 ou contratos a termo.
  • Entender bem o basis da sua região e comparar mercado físico versus porto.
  • Planejar fluxo de caixa para não ser forçado a vender no pico da oferta.

O produtor que não exporta diretamente também sente esse movimento no bolso, porque a exportação acaba funcionando como uma válvula de escape para o excesso de milho no mercado interno. Quando o porto compra mais, o preço no interior para de cair.

Decisão prática da porteira para dentro

O recado final é objetivo. O milho não vive um cenário de escassez, e apostar tudo em alta forte pode ser arriscado. Ao mesmo tempo, vender tudo na colheita, sem olhar câmbio, bolsa e exportação, costuma significar margem apertada.

O que muda a conversa é gestão comercial. Quem acompanha os dados do Cepea, entende sua estrutura de custo e usa ferramentas de proteção de preço consegue transformar um mercado travado em oportunidades pontuais de venda.

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