Com custos em alta e oferta global pressionando, a margem do produtor fica no limite e exige decisão fria na venda.
O movimento principal do mercado de milho para a safra verão 2024-2025 é claro: preço pressionado, custo subindo e margem curta. Para quem está com a lavoura implantada ou finalizando contas da safra, o desafio imediato é decidir como vender sem comprometer o caixa e a continuidade do negócio.
Os dados mais recentes disponíveis mostram que, mesmo com momentos de reação, o milho ainda não entrega preço suficiente para cobrir o custo operacional em boa parte das regiões. Isso muda completamente a conversa dentro da fazenda, porque não é mais só produtividade que resolve. É gestão de risco e comercialização.
Onde os preços do milho estão travando
Em Mato Grosso, referência nacional de produção, o preço médio estadual em agosto de 2025 foi de R$ 44,09 por saca de 60 kg. Para a safra futura 2025/26, o mercado indicava R$ 45,45 por saca, uma alta de 2,54% em relação a julho de 2025.
O problema é que, segundo o IMEA, o produtor precisaria de R$ 46,90 por saca para cobrir o COE, considerando uma produtividade de referência de 103,86 sacas por hectare. Na prática, parte do milho disponível chegou a ser negociado abaixo de R$ 40,00 por saca, deixando o cenário claramente desafiador.
Mesmo com colheita recorde em 2025, os levantamentos do Cepea indicam que os preços permaneceram elevados ao longo do ano, mas isso não foi suficiente para recompor margens diante do avanço dos custos.
Custos de produção apertam o cerco
O ponto é que o custo subiu mais rápido do que o preço. Para a safra 2024/25 em Mato Grosso, o custo total de produção em sistema de alta tecnologia chegou a R$ 3.466,67 por hectare, uma alta de 5,55% frente à safra anterior.
O COE foi ainda mais pesado, alcançando R$ 4.871,42 por hectare, com aumento de 8,74%. Só a semente subiu 19,26%. Na prática, o produtor sente isso no bolso quando fecha a conta e percebe que mesmo produzindo bem, sobra pouco ou nada.
Esse descompasso força decisões difíceis: vender para fazer caixa ou segurar esperando melhora, correndo risco de custo financeiro e deterioração da qualidade do grão.
Oferta grande segura o mercado
Do lado da oferta, o cenário global não ajuda. O USDA projetou produção mundial de milho em 1,224 bilhão de toneladas na safra 2024/25. Excesso de oferta no mundo inteiro limita qualquer reação mais consistente de preço na bolsa.
No Brasil, dados de Conab e IMEA indicaram produtividade média em Mato Grosso de 113,5 sacas por hectare, com produção estimada em 46,6 milhões de toneladas na safrinha 2024/25. Produção cheia significa armazém cheio, logística pressionada e comprador com poder de barganha.




