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Milho enfrenta preços apertados na safra verão 2024-2025

Redação
12/01/2026 às 18:16
Milho enfrenta preços apertados na safra verão 2024-2025

Com custos em alta e oferta global pressionando, a margem do produtor fica no limite e exige decisão fria na venda.

O movimento principal do mercado de milho para a safra verão 2024-2025 é claro: preço pressionado, custo subindo e margem curta. Para quem está com a lavoura implantada ou finalizando contas da safra, o desafio imediato é decidir como vender sem comprometer o caixa e a continuidade do negócio.

Os dados mais recentes disponíveis mostram que, mesmo com momentos de reação, o milho ainda não entrega preço suficiente para cobrir o custo operacional em boa parte das regiões. Isso muda completamente a conversa dentro da fazenda, porque não é mais só produtividade que resolve. É gestão de risco e comercialização.

Onde os preços do milho estão travando

Em Mato Grosso, referência nacional de produção, o preço médio estadual em agosto de 2025 foi de R$ 44,09 por saca de 60 kg. Para a safra futura 2025/26, o mercado indicava R$ 45,45 por saca, uma alta de 2,54% em relação a julho de 2025.

O problema é que, segundo o IMEA, o produtor precisaria de R$ 46,90 por saca para cobrir o COE, considerando uma produtividade de referência de 103,86 sacas por hectare. Na prática, parte do milho disponível chegou a ser negociado abaixo de R$ 40,00 por saca, deixando o cenário claramente desafiador.

Mesmo com colheita recorde em 2025, os levantamentos do Cepea indicam que os preços permaneceram elevados ao longo do ano, mas isso não foi suficiente para recompor margens diante do avanço dos custos.

Custos de produção apertam o cerco

O ponto é que o custo subiu mais rápido do que o preço. Para a safra 2024/25 em Mato Grosso, o custo total de produção em sistema de alta tecnologia chegou a R$ 3.466,67 por hectare, uma alta de 5,55% frente à safra anterior.

O COE foi ainda mais pesado, alcançando R$ 4.871,42 por hectare, com aumento de 8,74%. Só a semente subiu 19,26%. Na prática, o produtor sente isso no bolso quando fecha a conta e percebe que mesmo produzindo bem, sobra pouco ou nada.

Esse descompasso força decisões difíceis: vender para fazer caixa ou segurar esperando melhora, correndo risco de custo financeiro e deterioração da qualidade do grão.

Oferta grande segura o mercado

Do lado da oferta, o cenário global não ajuda. O USDA projetou produção mundial de milho em 1,224 bilhão de toneladas na safra 2024/25. Excesso de oferta no mundo inteiro limita qualquer reação mais consistente de preço na bolsa.

No Brasil, dados de Conab e IMEA indicaram produtividade média em Mato Grosso de 113,5 sacas por hectare, com produção estimada em 46,6 milhões de toneladas na safrinha 2024/25. Produção cheia significa armazém cheio, logística pressionada e comprador com poder de barganha.

Enquanto não houver quebra relevante ou mudança forte na demanda, o mercado físico segue trabalhando com cautela.

Câmbio e exportação entram, mas não resolvem sozinhos

Sem dados recentes oficiais de câmbio para 2026, o que se pode afirmar é o mecanismo clássico: dólar mais firme ajuda a exportação, mas não faz milagre quando a oferta global é grande.

Com Chicago pressionada pelo excesso de milho no mundo, o prêmio de exportação precisa ser muito competitivo para puxar o preço interno. E isso nem sempre chega integralmente ao produtor, por causa de custos logísticos e disputa entre compradores.

Comercialização atrasada aumenta o risco

Outro sinal de alerta está no ritmo de vendas. Até o fim de agosto de 2025, a safra 2024/25 tinha 68,32% da produção comercializada em Mato Grosso. Apesar de avanço mensal, o ritmo ficou abaixo do observado na safra anterior.

Para a safra 2025/26, apenas 15,51% estava vendida no mesmo período, bem abaixo da média histórica. Isso mostra que o produtor está inseguro, esperando preço melhor. O risco é o mercado não entregar essa melhora no tempo que o caixa precisa.

Estratégias práticas para atravessar a safra

Com esse cenário, não existe bala de prata, mas algumas atitudes ajudam a reduzir o risco:

  • Conhecer o próprio custo: quem não sabe exatamente seu COE negocia no escuro.
  • Venda fracionada: dilui risco de travar tudo em momento ruim.
  • Barter bem negociado: pode ajudar no fluxo de caixa, desde que a relação de troca seja clara.
  • Trava parcial de preço: protege parte da produção quando o mercado dá oportunidade.
  • Acompanhamento semanal de mercado: decisões atrasadas custam caro.

O que muda a conversa é disciplina comercial. Em anos de margem apertada, errar menos é mais importante do que acertar muito.

Para acompanhar análises completas de milho, acesse sempre nossa página exclusiva em Agronews – milho em tempo real.

No milho, quem atravessa bem essa safra é quem trata preço com a mesma seriedade que trata adubação.

Agronews é informação para quem produz.

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