Oferta curta segura o mercado no curto prazo, mas a volatilidade exige decisão bem calibrada na venda.
O café entrou em 2026 com o mercado andando em terreno firme, mas escorregadio. A safra brasileira atrasada segura a oferta justamente no período de entressafra, enquanto os estoques globais seguem apertados. Para o produtor, o desafio é claro: preços remuneram, mas a volatilidade está alta e qualquer mudança no clima ou no ritmo da colheita muda o jogo rápido.
O que está sustentando os preços do café agora?
O ponto central do mercado em 2026 é a combinação de estoques globais baixos com uma safra brasileira 2025/26 atrasada. Segundo o Cepea, o café já vinha de recordes históricos de preços em 2025, sustentados por oferta restrita, e esse cenário não se dissipou no início de 2026.
A entressafra brasileira entre janeiro e março de 2026 pesa ainda mais. O mercado só deve ganhar alguma direção mais clara quando houver confirmação sobre o enchimento de grãos da safra brasileira, especialmente do arábica. Até lá, a leitura é de cautela e sustentação.
No robusta, o cenário foi um pouco diferente ao longo de 2025. Houve médias reais elevadas em fevereiro daquele ano, mas depois os preços sofreram pressão com a expectativa de boas safras no Brasil e no Vietnã. Mesmo assim, o ambiente global de oferta justa limita movimentos de queda mais agressivos.
Safra 2025/26 atrasada: onde o produtor sente no bolso
O atraso da safra brasileira não veio por acaso. A seca e o calor intenso no fim de 2024, somados à irregularidade das chuvas no segundo semestre de 2025, afetaram diretamente o potencial produtivo do arábica. Regiões como Cerrado Mineiro, Zona da Mata e Sul do Espírito Santo sentiram esse impacto.
Na prática, isso significa menos café disponível no curto prazo e exportações 2025/26 abaixo de ciclos anteriores, segundo dados do Cepea. Para quem tem café disponível, a liquidez melhora, mas o risco é vender tudo cedo demais e ficar fora de um mercado que ainda pode reagir com qualquer problema adicional de clima.
O que muda a conversa é que, mesmo com a bienalidade positiva, o potencial produtivo ficou limitado. Ou seja, não é uma safra folgada que vá aliviar rapidamente os estoques mundiais.
Custos de produção e margem: preço bom nem sempre é lucro garantido
Preço firme ajuda, mas não resolve tudo. O produtor sente no bolso quando os custos seguem elevados e a produtividade não acompanha. Safras menores diluem menos os custos fixos, apertando a margem, principalmente em áreas mais afetadas pela seca.
Quem teve quebra maior precisa fazer conta fina. Vender no mercado físico pode garantir caixa, mas também é o momento de olhar para o planejamento da próxima safra. Renovação de lavouras antigas, podas e manejo correto entram no radar como decisões estratégicas, não como gasto.
Estoques mundiais baixos, com uma redução acumulada estimada em cerca de 22 milhões de sacas entre 2021 e 2024, tornam cada saca bem produzida ainda mais valiosa no médio prazo.




