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Café com safra brasileira atrasada mantém preços firmes

Redação
13/01/2026 às 10:07
Café com safra brasileira atrasada mantém preços firmes

Oferta curta segura o mercado no curto prazo, mas a volatilidade exige decisão bem calibrada na venda.

O café entrou em 2026 com o mercado andando em terreno firme, mas escorregadio. A safra brasileira atrasada segura a oferta justamente no período de entressafra, enquanto os estoques globais seguem apertados. Para o produtor, o desafio é claro: preços remuneram, mas a volatilidade está alta e qualquer mudança no clima ou no ritmo da colheita muda o jogo rápido.

O que está sustentando os preços do café agora?

O ponto central do mercado em 2026 é a combinação de estoques globais baixos com uma safra brasileira 2025/26 atrasada. Segundo o Cepea, o café já vinha de recordes históricos de preços em 2025, sustentados por oferta restrita, e esse cenário não se dissipou no início de 2026.

A entressafra brasileira entre janeiro e março de 2026 pesa ainda mais. O mercado só deve ganhar alguma direção mais clara quando houver confirmação sobre o enchimento de grãos da safra brasileira, especialmente do arábica. Até lá, a leitura é de cautela e sustentação.

No robusta, o cenário foi um pouco diferente ao longo de 2025. Houve médias reais elevadas em fevereiro daquele ano, mas depois os preços sofreram pressão com a expectativa de boas safras no Brasil e no Vietnã. Mesmo assim, o ambiente global de oferta justa limita movimentos de queda mais agressivos.

Safra 2025/26 atrasada: onde o produtor sente no bolso

O atraso da safra brasileira não veio por acaso. A seca e o calor intenso no fim de 2024, somados à irregularidade das chuvas no segundo semestre de 2025, afetaram diretamente o potencial produtivo do arábica. Regiões como Cerrado Mineiro, Zona da Mata e Sul do Espírito Santo sentiram esse impacto.

Na prática, isso significa menos café disponível no curto prazo e exportações 2025/26 abaixo de ciclos anteriores, segundo dados do Cepea. Para quem tem café disponível, a liquidez melhora, mas o risco é vender tudo cedo demais e ficar fora de um mercado que ainda pode reagir com qualquer problema adicional de clima.

O que muda a conversa é que, mesmo com a bienalidade positiva, o potencial produtivo ficou limitado. Ou seja, não é uma safra folgada que vá aliviar rapidamente os estoques mundiais.

Custos de produção e margem: preço bom nem sempre é lucro garantido

Preço firme ajuda, mas não resolve tudo. O produtor sente no bolso quando os custos seguem elevados e a produtividade não acompanha. Safras menores diluem menos os custos fixos, apertando a margem, principalmente em áreas mais afetadas pela seca.

Quem teve quebra maior precisa fazer conta fina. Vender no mercado físico pode garantir caixa, mas também é o momento de olhar para o planejamento da próxima safra. Renovação de lavouras antigas, podas e manejo correto entram no radar como decisões estratégicas, não como gasto.

Estoques mundiais baixos, com uma redução acumulada estimada em cerca de 22 milhões de sacas entre 2021 e 2024, tornam cada saca bem produzida ainda mais valiosa no médio prazo.

Clima e oferta: por que 2026/27 virou a safra-chave

Se 2025/26 é uma safra de transição e aperto, 2026/27 passou a ser vista como decisiva para o equilíbrio do mercado. As primeiras estimativas da StoneX, divulgadas em janeiro de 2026, apontam uma produção brasileira acima de 70 milhões de sacas, somando arábica e robusta, o que representa crescimento de 13,5% em relação à safra 2025/26.

No arábica, a expectativa é de recuperação importante em Minas Gerais, maior produtor do país, apoiada por clima mais favorável e pela bienalidade alta após cinco safras seguidas com problemas. Regiões como Matas de Minas, Cerrado Mineiro e São Paulo aparecem com projeções de crescimento expressivo.

No robusta, o cenário é mais misto. Enquanto Rondônia aparece com recuperação, áreas tradicionais do Espírito Santo e do sul da Bahia ainda enfrentam ajustes de oferta. Isso mantém o mercado atento e sensível a qualquer novo evento climático.

Câmbio e exportação: mais incerteza do que direção

Não há dados recentes de fontes oficiais que indiquem um direcionamento claro de câmbio ou de mercado internacional específico para o café neste início de 2026. Na prática, isso significa que o mercado segue muito mais dependente dos fundamentos físicos do que de movimentos financeiros.

Com oferta curta, o Brasil exporta menos em 2025/26, o que ajuda a sustentar preços internos. Para o produtor, o foco precisa estar menos em tentar prever o câmbio e mais em acompanhar o ritmo da safra e a reação da indústria e da exportação.

Estratégias práticas para o produtor atravessar a volatilidade

O ambiente pede decisão técnica e disciplina comercial. Algumas linhas práticas ajudam a organizar a estratégia:

  • Venda escalonada: aproveitar picos de preço sem zerar posição cedo demais.
  • Gestão de caixa: garantir liquidez para atravessar o período até a próxima colheita.
  • Foco em manejo: priorizar podas, tratos culturais e renovação de áreas mais antigas.
  • Acompanhamento climático: qualquer problema no enchimento de grãos muda o mercado rapidamente.

O ponto é que a safra atrasada sustenta o mercado agora, mas a expectativa positiva para 2026/27 coloca um teto psicológico nos preços. Saber trabalhar entre esses dois cenários é o que separa margem protegida de oportunidade perdida.

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