Trump zera sobretaxa, mas tensão diplomática pode reviver pesadelo comercial; veja como proteger sua margem.
Se você acha que a prisão de Nicolás Maduro por forças americanas no último sábado (03) é apenas um problema diplomático distante da sua lavoura, é hora de olhar para o custo do frete e para a cotação do milho na B3. O tabuleiro virou.
Enquanto Brasília assinava uma nota conjunta com outros países latinos condenando a ação dos EUA como um “precedente perigoso”, o governo Trump fazia um movimento silencioso e crucial para o nosso bolso: zerou o “tarifaço” de 50% que vinha penalizando produtos brasileiros desde agosto de 2025. Parece uma vitória, certo? Cuidado. No xadrez de Trump e Marco Rubio, não existe almoço grátis. A bonança comercial pode ser curta se a tensão política escalar.

O fim do “Tarifaço”: Alívio ou isca?
Vamos aos fatos, sem rodeios. 2025 foi um ano duro. As exportações do agronegócio para os EUA caíram 6,6% no acumulado do ano, justamente por conta das sobretaxas impostas pela Casa Branca. Quem exporta suco de laranja, madeira e etanol sentiu a margem ser corroída.
A notícia de terça-feira (06), confirmando o fim dessas tarifas extras, deveria ser motivo de festa. Recuperamos a competitividade. Porém, o timing é suspeito. Ao derrubar as barreiras comerciais no mesmo momento em que captura Maduro, Trump envia um recado claro: [Estou abrindo o mercado, mas exijo alinhamento] supostamente.
Ponto de Atenção: O Brasil condenou a prisão de Maduro. Se o Itamaraty endurecer o discurso contra Washington, o “tarifaço” pode voltar num estalar de dedos. Para quem está da porteira para dentro, isso significa volatilidade cambial. O dólar pode oscilar forte com cada declaração de Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA.
O efeito colateral no etanol e no milho
Aqui mora um risco que poucos estão calculando. O plano de Rubio para a Venezuela envolve “estabilidade, recuperação e transição”. Traduzindo: os EUA querem colocar a mão no petróleo venezuelano (uma das maiores reservas do mundo) e injetá-lo no mercado global rapidamente para baixar o preço do barril.




