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Maduro preso e tarifas zeradas: A armadilha oculta para o agro brasileiro

Vicente Delgado
08/01/2026 às 12:40
Maduro preso e tarifas zeradas: A armadilha oculta para o agro brasileiro

Trump zera sobretaxa, mas tensão diplomática pode reviver pesadelo comercial; veja como proteger sua margem.

Se você acha que a prisão de Nicolás Maduro por forças americanas no último sábado (03) é apenas um problema diplomático distante da sua lavoura, é hora de olhar para o custo do frete e para a cotação do milho na B3. O tabuleiro virou.

Enquanto Brasília assinava uma nota conjunta com outros países latinos condenando a ação dos EUA como um “precedente perigoso”, o governo Trump fazia um movimento silencioso e crucial para o nosso bolso: zerou o “tarifaço” de 50% que vinha penalizando produtos brasileiros desde agosto de 2025. Parece uma vitória, certo? Cuidado. No xadrez de Trump e Marco Rubio, não existe almoço grátis. A bonança comercial pode ser curta se a tensão política escalar.

marco rubio -eua

O fim do “Tarifaço”: Alívio ou isca?

Vamos aos fatos, sem rodeios. 2025 foi um ano duro. As exportações do agronegócio para os EUA caíram 6,6% no acumulado do ano, justamente por conta das sobretaxas impostas pela Casa Branca. Quem exporta suco de laranja, madeira e etanol sentiu a margem ser corroída.

A notícia de terça-feira (06), confirmando o fim dessas tarifas extras, deveria ser motivo de festa. Recuperamos a competitividade. Porém, o timing é suspeito. Ao derrubar as barreiras comerciais no mesmo momento em que captura Maduro, Trump envia um recado claro: [Estou abrindo o mercado, mas exijo alinhamento] supostamente.

Ponto de Atenção: O Brasil condenou a prisão de Maduro. Se o Itamaraty endurecer o discurso contra Washington, o “tarifaço” pode voltar num estalar de dedos. Para quem está da porteira para dentro, isso significa volatilidade cambial. O dólar pode oscilar forte com cada declaração de Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA.

O efeito colateral no etanol e no milho

Aqui mora um risco que poucos estão calculando. O plano de Rubio para a Venezuela envolve “estabilidade, recuperação e transição”. Traduzindo: os EUA querem colocar a mão no petróleo venezuelano (uma das maiores reservas do mundo) e injetá-lo no mercado global rapidamente para baixar o preço do barril.

Se a oferta de petróleo dispara, o preço do barril cai. Se o petróleo cai, a gasolina fica mais barata lá fora e pressiona a Petrobras aqui dentro.

  • A conta é simples: Gasolina mais barata tira a competitividade do etanol.
  • O impacto no campo: Se o etanol perde preço, a usina paga menos pelo milho e pela cana.

Para o produtor de milho em Mato Grosso ou Goiás, que já opera com margens apertadas nesta safra 25/26, uma queda brusca no petróleo venezuelano pode significar prêmios negativos no segundo semestre.

Estratégia: O que fazer agora?

Não é hora de pânico, é hora de travamento. O cenário desenhado por analistas sugere três movimentos para blindar sua operação:

  1. Aproveite a Janela de Exportação: Com as tarifas americanas zeradas agora, se você tem produto com liquidez para exportação (direta ou via trading), a hora de fixar é essa. Não conte com esse mercado aberto daqui a 6 meses se a crise diplomática Brasil-EUA azedar.
  2. Hedge no Câmbio: A instabilidade política traz repiques no dólar. Use esses picos para travar custos dos insumos da próxima safra. O risco de sanções secundárias ao Brasil (por apoio político à narrativa da Venezuela) não é zero.
  3. Olho no Clima… Político: Acompanhe as declarações do Itamaraty. Se o tom subir contra Washington, proteja-se vendendo posições futuras. Trump não joga para perder e o Agro brasileiro é o principal concorrente do farmer americano. Qualquer desculpa será usada para nos taxar novamente.

O mercado global não perdoa ingenuidade. A prisão de Maduro não é somente sobre justiça, é sobre energia e controle de mercado. E o seu negócio está bem no meio desse tiroteio.

Agronews é informação para quem produz.

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