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Mandioca: Oferta alta e demanda fraca derrubam preços

Publicado: 19/01/2026
Mandioca: Oferta alta e demanda fraca derrubam preços

A maior oferta de mandioca e o enfraquecimento da demanda pressionam as cotações. Veja o impacto na produção e nos preços em 2026

Em muitas regiões, a venda acontece mais para fazer caixa do que por convicção de preço. A conta é simples: despesas correndo, custeio apertado e pouca margem para segurar a produção no campo. Esse cenário vem sendo acompanhado de perto pelo Cepea, que aponta pressão clara sobre as cotações da mandioca.

Preço aperta no campo

A cotação da mandioca caiu porque a oferta cresceu mais rápido do que a capacidade de absorção do mercado. Depois de um período de clima complicado e pausa nas atividades, a colheita ganhou ritmo. Com mais raiz disponível, o poder de barganha do produtor diminuiu.

Não se trata de uma quebra de consumo, mas de um descompasso. A demanda existe, só que não acompanha o volume que chega das lavouras. O resultado aparece no preço pago ao produtor, que vem sendo ajustado para baixo para equilibrar essa relação.

Para quem trabalha com contratos ou entrega programada, o impacto é um pouco menor. Já o produtor que depende do mercado spot sente mais. Em regiões tradicionais, a conversa no barracão é a mesma: muita mandioca e pouca disputa pela raiz.

Oferta supera demanda

O ponto central do momento é a oferta acima da necessidade imediata das indústrias. As fecularias e farinheiras não estão operando com capacidade total. Isso limita a compra diária e cria filas de produtores tentando vender.

Mesmo com a retomada da colheita após o recesso, a indústria segue cautelosa. Parte disso vem de ajustes internos, parte do ritmo de venda dos derivados. Quando a fécula não gira no mesmo passo da matéria-prima, a conta não fecha.

Esse cenário pressiona o produtor, que muitas vezes precisa decidir entre vender mais barato agora ou assumir o custo de manter a mandioca no campo por mais tempo. Nem sempre essa segunda opção é viável, principalmente em áreas onde o calendário da próxima safra já bate à porta.

Números da produção

Os dados ajudam a entender por que o mercado está pesado. A produção brasileira de mandioca em 2025 somou 19,8 milhões de toneladas, crescimento de 3,9% em relação ao ano anterior. É volume entrando no sistema.

Quando se olha por estado, o quadro fica mais claro. O Paraná colheu cerca de 3,6 milhões de toneladas, com leve queda de 0,5%. Já Mato Grosso do Sul teve avanço expressivo, com alta de 18,6%. São Paulo também cresceu, ainda que de forma mais modesta, com 1,1%.

Essas diferenças regionais mexem com a logística e com o fluxo de raiz para a indústria. Onde a produção cresce mais, a pressão local tende a ser maior, principalmente se não houver aumento equivalente na capacidade de processamento.

Indústria opera limitada

Outro fator que pesa é a operação parcial das indústrias. Com parte das plantas rodando abaixo do potencial, a demanda por raiz fica travada. Não é falta de interesse, mas ajuste de ritmo diante do mercado de derivados.

A fécula de mandioca, principal destino da raiz em várias regiões, enfrenta um momento de venda mais lenta. Com estoque sendo administrado com cuidado, as indústrias evitam comprar além do necessário. Isso acaba jogando o ajuste para o lado do produtor.

Esse movimento não é novo no setor, mas exige atenção. Quando a indústria segura a compra, o produtor precisa planejar melhor a colheita, escalonar entregas e, quando possível, buscar alternativas de comercialização. Clique aqui e acompanhe o agro.

O que esperar adiante

Para este ano, as projeções indicam mudanças importantes. O Paraná deve ter aumento de 22% na produção, com estimativa de 4,4 milhões de toneladas. Já São Paulo e Mato Grosso do Sul tendem a registrar quedas de 2,3% e 1,3%, respectivamente.

Esse redesenho da oferta pode alterar o equilíbrio regional do mercado. Se o crescimento paranaense se confirmar e a indústria não ampliar o processamento, a pressão sobre preços pode continuar. Por outro lado, a redução em outros estados pode ajudar a ajustar o fluxo.

No curto prazo, o produtor precisa trabalhar com cautela. A palavra é planejamento. Avaliar custo, acompanhar a cotação da mandioca, entender o ritmo da indústria e evitar decisões no impulso. O mercado de mandioca é cíclico e exige leitura fina.

Quem consegue atravessar esse momento com organização tende a sair mais forte quando a demanda reagir. Até lá, o desafio é equilibrar produção, venda e caixa, com os pés no chão e olho atento nos números.

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Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.