Fundada em 1729, a Usina Petribu é a fazenda mais antiga do Brasil ainda em operação, combinando tradição, tecnologia e produção de cana-de-açúcar em Pernambuco.
Quando se fala em agronegócio brasileiro, muita gente pensa logo em fronteira agrícola, tecnologia de ponta e grandes volumes. Mas tem um pedaço do campo nacional que mostra outra face dessa história: a da continuidade. Em Pernambuco, na Zona da Mata Norte, está em atividade a fazenda mais antiga do Brasil, atravessando gerações, crises e mudanças profundas no jeito de produzir.
A Usina Petribu começou a operar em 1729 e nunca parou. Enquanto muitos engenhos viraram ruína, museu ou memória em livro de história, ali o trabalho seguiu firme. Cana sendo plantada, colhida e moída. Gente trabalhando, máquina rodando e decisão sendo tomada com o olho no presente e no futuro.
Impacto no campo
Não é só história bonita para contar. A Petribu tem peso real na economia regional. Em época de safra, são cerca de 5.300 empregos diretos, o que movimenta cidades inteiras ao redor da usina. Tem motorista, operador de máquina, pessoal do campo, da indústria, da manutenção. É renda circulando todo mês.
A área total chega a 30 mil hectares, com 18,5 mil hectares ocupados por cana-de-açúcar. A moagem diária gira em torno de 8.500 toneladas. Para quem conhece a realidade do setor sucroenergético, sabe que esses números não se sustentam sem planejamento fino e custo bem controlado.
Em tempos de aperto de margem, preço oscilando e insumo caro, manter uma estrutura desse tamanho funcionando exige disciplina. Não é só produzir bem. É saber a hora de investir, de segurar, de ajustar o passo.
Raízes que sustentam
Um dos pontos que mais chamam atenção na trajetória da Petribu é a gestão familiar contínua. Desde a fundação, a propriedade segue sob controle da família Cavalcanti Petribu. Isso muda muita coisa no jeito de decidir.
Quem vive o campo sabe: decisão pensada só para o próximo balanço nem sempre funciona. Na Petribu, o foco sempre foi longo prazo. Preservar a terra, manter a atividade e passar o negócio adiante. Esse tipo de visão ajuda a atravessar ciclos ruins sem desmontar a operação.
Não é romantismo. É estratégia. Gestão familiar não significa falta de profissionalismo. Pelo contrário. Ao longo dos séculos, a usina foi se adaptando, mudando processos, revendo métodos e acompanhando o que o mercado pedia.
Cana e tecnologia
A imagem de engenho antigo ficou no passado. Hoje, a Petribu opera como uma usina moderna, com cerca de 400 máquinas em atividade. A mecanização avançou, os controles ficaram mais precisos e a tecnologia entrou de vez no campo.
O uso de dados para gestão agrícola, manutenção preventiva e organização da colheita faz parte da rotina. Conceitos ligados à Indústria 4.0 foram incorporados para ganhar eficiência, reduzir perdas e melhorar o aproveitamento da matéria-prima.
Para quem acompanha a evolução do agro, esse movimento é conhecido. Quem não investe em tecnologia acaba ficando para trás. No caso da fazenda mais antiga do Brasil, a modernização foi a chave para seguir relevante sem abrir mão da identidade.
Tradição sem museu
Muitas propriedades históricas acabaram virando ponto turístico ou patrimônio arqueológico. É importante preservar a memória, mas ali a escolha foi outra: manter a vocação produtiva. A Petribu seguiu fazendo aquilo que sempre fez, só que de forma diferente.
A cana-de-açúcar continua sendo o coração do negócio. A diferença está no modo de conduzir a lavoura, na indústria e na gestão. O passado não virou peso. Virou base.
Essa combinação de tradição e inovação mostra que não existe idade para a propriedade rural. Existe decisão certa ou errada. Existe adaptação. E existe respeito pela terra e por quem vive dela.
Lições para o agro
A história da fazenda mais antiga do Brasil deixa recado claro para o produtor de hoje. Longevidade no campo não vem de sorte. Vem de trabalho contínuo, visão de futuro e capacidade de mudar sem perder a essência.
Em quase 300 anos, o Brasil mudou, a economia mudou, o mercado mudou. A Petribu mudou junto. Saiu do engenho colonial para uma usina integrada, conectada e eficiente. Sempre produzindo.
Num momento em que o agronegócio nordestino busca ganhar ainda mais espaço, exemplos como esse reforçam que tradição não é atraso. Quando bem conduzida, ela vira diferencial competitivo.
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