ZCAS se forma e pode trazer chuvas intensas de até 400mm para o Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Veja a previsão completa e os riscos!
O produtor que acorda cedo para tocar a lida precisa estar atento nesta semana. A formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul muda o ritmo do trabalho no Sudeste e no Centro-Oeste, com previsão de chuva pesada e persistente. Em algumas áreas, o acumulado pode passar fácil dos 300 milímetros em poucos dias, o que mexe com plantio, colheita, logística e até com a segurança das propriedades.
Não é chuva isolada de verão. É sistema organizado, com frente fria dando suporte e umidade entrando sem descanso. Quem tem máquina no campo, estrada de terra para escoar produção ou área mais baixa precisa redobrar a atenção. O excesso de água pesa no bolso quando atrasa operação, apodrece raiz ou interrompe transporte.
Impacto no campo
No dia a dia da fazenda, chuva contínua traz dois lados. Para quem vinha sofrendo com déficit hídrico, a reposição de umidade ajuda no desenvolvimento das lavouras e no pasto. Mas quando o volume vem concentrado demais, o benefício vira dor de cabeça.
Soja em fase de enchimento de grãos pode sofrer com doenças fúngicas. Milho de segunda safra ainda em implantação corre risco de falha de plantio se o solo encharcar. Na pecuária, áreas de várzea ficam comprometidas, com perda de acesso e risco para o gado.
Outro ponto sensível é a logística. Estrada vicinal não aguenta vários dias seguidos de chuva forte. Caminhão parado significa atraso na entrega e custo extra. Em regiões com relevo mais acidentado, cresce também o risco de deslizamento, o que pode isolar comunidades rurais.
Onde chove mais
A atuação da ZCAS se espalha por uma faixa larga do país. No Sudeste, as instabilidades se concentram no norte do Rio de Janeiro, Espírito Santo e em boa parte de Minas Gerais, incluindo áreas do centro-norte, leste e oeste do estado. São regiões com forte presença de café, leite, grãos e florestas plantadas.
No Centro-Oeste, o alerta envolve o Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso. Em Goiás, o sul do estado entra no radar de chuva volumosa, assim como o Triângulo Mineiro, área estratégica para grãos e cana.
A influência do sistema também alcança Rondônia, Tocantins, sul do Amazonas e do Pará, além do centro-sul e oeste da Bahia. É um desenho típico de ZCAS bem configurada, com nuvens carregadas se renovando dia após dia.
Volumes e riscos
Os números chamam atenção. Em áreas como a Zona da Mata Mineira, o Vale do Rio Doce e o Espírito Santo, os acumulados previstos ficam entre 200 e 400 milímetros ao longo do período de atuação do sistema, que deve seguir ativo até sexta-feira, dia 23 de janeiro.
No sul de Goiás e no Triângulo Mineiro, a estimativa é de 100 a 200 milímetros em cerca de cinco dias. Para se ter ideia, é chuva suficiente para comprometer qualquer operação a campo se vier concentrada em pouco tempo.
Com esse volume, aumentam os riscos de alagamentos, enchentes e escorrimento superficial. Em propriedades próximas a rios e córregos, vale monitorar o nível da água. Encostas e taludes merecem atenção redobrada, principalmente onde o solo já está saturado.
Sul e Norte
No Sul do Brasil, o cenário é um pouco diferente. A frente fria ainda provoca chuva no litoral e no leste de Santa Catarina e do Paraná, além do nordeste do Rio Grande do Sul. As pancadas ganham força ao longo do dia, mas não têm a mesma persistência observada na faixa da ZCAS.
No restante do território gaúcho, o tempo tende a firmar, com queda nas temperaturas após a passagem do sistema frontal. Para o produtor, isso significa uma janela melhor para organizar o trabalho, ainda que o frio relativo reduza o ritmo de crescimento de algumas culturas.
No Norte do país, a instabilidade continua forte em Rondônia, Amazonas, Pará, Tocantins e Roraima, com risco de temporais. No Amapá, a atuação da ZCIT mantém a chuva frequente. Mesmo com céu fechado, o calor segue presente, criando sensação de abafamento e favorecendo novas pancadas.
Como se preparar
Diante desse quadro, planejamento é palavra-chave. Se houver operação que possa ser antecipada, como aplicação de defensivo ou retirada de produção já pronta, vale avaliar as janelas mais curtas de tempo firme. Máquina atolada e produto perdido custam caro.
Outro cuidado é com a estrutura da propriedade. Limpeza de valetas, conferência de bueiros e reforço em pontos de escoamento ajudam a reduzir danos. Em áreas de armazenagem, verifique cobertura e drenagem para evitar infiltração.
Para quem trabalha com animais, é hora de garantir acesso seguro às áreas de manejo e observar sinais de estresse ou problemas sanitários ligados à umidade excessiva. No campo, a chuva é parceira, mas quando vem demais exige respeito e atenção.
O produtor que acompanha a previsão e se antecipa sofre menos impacto. A ZCAS faz parte do clima brasileiro, mas cada evento tem sua força. Nesta semana, o recado é claro: vem água em quantidade e o campo precisa estar preparado.
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