Atualizando...

Preço da mandioca cai com grande oferta no campo

Redação
01/12/2025 às 12:01
Preço da mandioca cai com grande oferta no campo

A mandioca enfrenta um momento de preços baixos, veja mais informações a seguir

O final de ano se aproxima e, para o produtor de mandioca, o cenário é de atenção. Relatórios recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP) apontam para uma tendência de queda nos preços, um movimento que reflete o complexo balanço entre o que o campo oferece e o que a indústria absorve.

Com a colheita em ritmo acelerado em diversas regiões, impulsionada por um clima favorável e pela necessidade de fazer caixa, a oferta de matéria-prima aumentou significativamente. Essa maior disponibilidade, no entanto, encontra uma demanda industrial que começa a dar sinais de desaceleração, preparando-se para as tradicionais pausas de fim de ano. Entender essa dinâmica é fundamental para que os agricultores possam navegar por este período desafiador e planejar os próximos passos com mais segurança.

O que explica a queda no preço da mandioca?

A resposta para a pressão sobre as cotações está em uma combinação de fatores do lado da oferta e da demanda. Do lado do produtor, o clima mais ameno e com chuvas regulares nos últimos meses resultou em um bom desenvolvimento das lavouras, garantindo uma colheita farta. Somado a isso, muitos agricultores enfrentam a necessidade de capitalização para cobrir custos de produção, quitar financiamentos e se preparar para as festas de final de ano. Essa urgência financeira leva muitos a intensificarem a colheita e a venda da mandioca, mesmo que os preços não sejam os mais atrativos, criando um volume expressivo de raiz no mercado.

Em contrapartida, a indústria, principal compradora da mandioca para processamento, não tem conseguido absorver todo esse volume. Com estoques sendo formados e a proximidade do recesso para manutenções anuais e férias coletivas, o ritmo de compra diminui. Esse descompasso aponta como o principal motor da queda de preços. A média mensal, que vinha em uma trajetória de alta, reverteu a tendência em novembro, e a perspectiva para as próximas semanas é de um aperto ainda maior nas margens do produtor.

Segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa é de um maior desequilíbrio entre a oferta e a demanda nas próximas semanas. Parte dos produtores consultados pelo Centro de Pesquisas indica que deve intensificar as entregas de raiz, enquanto agentes de indústrias relatam que devem interromper as atividades para manutenção e recesso de fim de ano.

A indústria e o seu papel na cadeia da mandioca

Para compreender a fundo o mercado, é preciso olhar para o destino da produção. A maior parte da mandioca cultivada no Brasil, especialmente em regiões como Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, é destinada à industrialização. Ela é a matéria-prima para uma vasta gama de produtos que fazem parte do dia a dia dos brasileiros e de diversas outras cadeias produtivas. Quando as fecularias e farinheiras reduzem suas atividades, o impacto é sentido diretamente no campo.

A versatilidade da raiz é impressionante e sustenta uma demanda que, em tempos normais, é robusta. O recesso industrial, embora sazonal e esperado, cria um vácuo temporário que desestabiliza os preços. Os principais usos da mandioca industrial incluem:

  • Produção de fécula (amido), um ingrediente fundamental para a indústria alimentícia (pães, biscoitos, embutidos), além de ser usado nos setores têxtil, de papel e de adesivos;
  • Fabricação de farinhas de diversos tipos, base da alimentação em muitas regiões do país;
  • Produção de polvilho doce e azedo, a alma do nosso tradicional pão de queijo;
  • Utilização como componente em rações para a alimentação animal, contribuindo para a pecuária.

O panorama da produção nacional

O Brasil é uma potência agrícola, e com a mandioca não é diferente. Somos um dos maiores produtores mundiais, com uma produção que, segundo dados do IBGE, gira em torno de 18 milhões de toneladas anuais. A cultura está presente em todo o território nacional, adaptando-se a diferentes climas e solos, o que demonstra sua resiliência e importância social e econômica. Estados como o Pará lideram a produção em volume, com grande parte voltada para o consumo in natura e a produção de farinha d’água, enquanto o Centro-Sul se destaca pela produção voltada à indústria de amido.

Essa diversidade regional também implica em diferentes calendários de safra e realidades de mercado. No entanto, a tendência de preços tende a influenciar as negociações em todo o país. A informação de qualidade, como a fornecida por instituições de pesquisa, é a melhor ferramenta para que produtores de diferentes regiões possam entender o contexto geral e tomar decisões mais informadas sobre o melhor momento de colher e vender sua produção de mandioca.

Estratégias para o produtor em tempos de baixa

Diante de um mercado pressionado, o que o produtor pode fazer? A primeira recomendação é manter a calma e focar na gestão. Embora nem sempre seja possível segurar a produção, é crucial avaliar os custos e a necessidade real de venda. O planejamento da colheita, se a lavoura permitir, pode ser uma alternativa para evitar os períodos de maior oferta. Além disso, investir em tecnologia e boas práticas agrícolas para aumentar a produtividade por hectare é um caminho sem volta. Uma lavoura mais produtiva ajuda a diluir os custos fixos e a garantir uma margem positiva mesmo com preços menores.

Buscar conhecimento é outro passo essencial. Instituições como a Embrapa oferecem um vasto material técnico sobre manejo, controle de pragas e doenças, e estratégias de cultivo que podem otimizar o resultado da lavoura. Estar associado a cooperativas também pode fortalecer o poder de negociação e abrir acesso a melhores condições de venda e armazenamento. O momento é de olhar para dentro da porteira, cortar despesas desnecessárias e se preparar para um novo ciclo produtivo mais eficiente.

O cenário atual de preços baixos para a mandioca é um reflexo claro das leis de oferta e demanda, intensificado por fatores sazonais. A safra cheia é uma boa notícia, pois mostra a força do campo, mas o desafio está em equilibrar essa produção com a capacidade de absorção do mercado. Para o produtor, o período exige cautela, planejamento e uma gestão financeira apurada. A expectativa é que, com a retomada das atividades industriais no início do próximo ano, a demanda se reaqueça, proporcionando um alívio nas cotações. Até lá, a chave é se manter bem informado e focar na eficiência para garantir a sustentabilidade do negócio. Clique aqui e acompanhe o agro.

AGRONEWS é informação para quem produz

mandioca preço da mandioca

Compartilhe esta notícia: