Mercado sustentado pela oferta curta abre oportunidade, mas pede disciplina na venda e no custo.
O boi gordo começa 2026 com preços firmes e um recado claro para quem está na atividade. A oferta segue curta, a demanda continua presente e o mercado paga bem pelo animal terminado. Ao mesmo tempo, depois de um longo período de alta, surgem sinais de ajuste regional que exigem atenção redobrada na gestão e na estratégia de comercialização.
O ponto é que não basta olhar apenas o preço da arroba. A decisão que realmente muda o resultado está em quando vender, como travar preço e onde está o custo escondido dentro da porteira.
Contexto de preços e leitura do mercado físico
Segundo o CEPEA, o boi gordo iniciou o ano com preços firmes no mercado físico. Em 09/01/2026, a cotação média foi de R$ 319,40 por arroba, refletindo um equilíbrio apertado entre oferta e demanda. Esse nível de preço não é fruto de um pico pontual, mas de um movimento estrutural que vem se sustentando ao longo dos últimos meses.
No mercado futuro da B3, o contrato janeiro/2026 fechou em R$ 318,05/@, com leve ajuste negativo no dia. A leitura prática é que o mercado reconhece a firmeza atual, mas já começa a precificar a possibilidade de alguma recomposição de oferta mais à frente.
Para quem negocia boi gordo no físico, isso significa um ambiente ainda favorável, mas que exige atenção ao timing de venda e à diferença entre o preço disponível e o futuro. A referência continua sendo o mercado local e a escala dos frigoríficos.
Custos apertados e impacto direto na margem
Na prática, o produtor sente no bolso quando olha para o custo de produção. Alimentação, reposição e despesas operacionais seguem elevadas, o que faz com que a margem não cresça na mesma proporção do preço da arroba.
A restrição de bezerros e novilhos disponíveis para reposição, resultado de ciclos de abate intensos em anos anteriores, continua pressionando o custo do boi magro e da desmama em várias praças. Isso exige um controle mais fino do fluxo de caixa e da taxa de retorno do sistema.
O que muda a conversa é a gestão. Quem conhece seu custo por arroba produzida tem condição de:
- Definir preço mínimo de venda com base em margem real.
- Avaliar se o confinamento entrega retorno ou apenas giro de capital.
- Decidir com mais segurança o uso de trava de preço ou venda no físico.
Oferta restrita sustenta o boi, mas com alerta regional
A base do mercado segue sendo a oferta limitada de animais prontos. Menor disponibilidade de gado terminado mantém as escalas curtas e sustenta as cotações, especialmente nas principais praças consumidoras e exportadoras.
No entanto, há um alerta importante. Em regiões como Mato Grosso, o segundo giro de confinamento começou a elevar a oferta de animais para abate. Isso não significa virada de mercado, mas pode gerar acomodação ou ajuste pontual de preços em determinadas praças.




