Indicadores firmes em São Paulo e base negativa em Mato Grosso pedem atenção na negociação desta semana.
O mercado do boi gordo hoje trabalha com sinais claros que chegam direto no bolso do produtor. Em São Paulo, o indicador de referência segue firme acima de R$ 319/@ à vista, enquanto Mato Grosso convive com um desconto relevante frente à praça paulista. O desafio imediato é simples de entender, mas difícil de executar: vender bem num mercado estável, sem entregar margem na negociação.
Quem está com boi pronto precisa decidir entre vender agora, alongar a escala ou buscar algum tipo de proteção via mercado futuro. E essa decisão passa obrigatoriamente pela leitura correta dos preços físicos, da base regional e da sinalização da B3.
Contexto e preços do boi gordo hoje
O Indicador CEPEA/Esalq do boi gordo, referência São Paulo, marcou R$ 319,40/@ à vista em 09/01/2026. Desde o dia 06/01/2026, a série vem trabalhando ligeiramente acima de R$ 318/@, com leve alta acumulada no período. Isso mostra um mercado físico sustentado, sem pressão forte de baixa no curtíssimo prazo.
No mercado a prazo em São Paulo, a média divulgada pelo CEPEA ficou em R$ 323,32/@ em 09/01/2026. Essa diferença entre à vista e a prazo indica que a indústria ainda aceita pagar mais para alongar pagamento, o que ajuda na leitura de que as escalas não estão excessivamente confortáveis.
Já em Mato Grosso, o cenário é outro. O indicador do IMEA aponta o boi gordo comum à vista a R$ 291,60/@ em 08/01/2026, com fechamento médio estadual em torno de R$ 291,70/@ em 09/01/2026. Para a vaca gorda à vista, o preço indicado foi de R$ 272,82/@.
Na prática, isso coloca uma diferença aproximada de R$ 27–28/@ entre São Paulo e Mato Grosso, considerando os dados de 08 a 09 de janeiro de 2026. Essa base negativa pesa diretamente na conta do produtor do Centro-Oeste.
O que essa base regional muda na sua margem
O ponto é que preço nominal não paga conta sozinho. Quando o produtor de MT olha para SP e vê o boi acima de R$ 319/@, a tentação é achar que o mercado está “bom”. Mas a realidade local mostra outra coisa.
Essa base de quase R$ 30/@ precisa ser analisada junto com:
- frete até a planta frigorífica
- desconto ou ausência de prêmio China
- escala específica de cada frigorífico
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando fecha um lote achando que o mercado virou, mas o preço líquido não cobre o custo total, principalmente para quem vem de confinamento ou semi-confinamento.
Em São Paulo, a margem tende a ficar mais ajustada positivamente, especialmente para quem tem boi padrão exportação ou melhor acabamento. Já em Mato Grosso, a estratégia de venda pesa mais do que o preço em si.
Oferta de boi e ritmo de abate
As análises recentes de dados do Cepea e do IMEA reforçam um ponto estrutural que continua valendo em 2026: a oferta de animais terminados e o ritmo de abate são centrais na formação de preço.
Mesmo sem um boletim climático específico impactando o mercado nesta semana, o que manda é a quantidade de boi pronto batendo na porta dos frigoríficos. Quando a oferta é controlada, o preço se sustenta. Quando aperta demais, a indústria ganha poder de barganha.




