Forte tempestade em Cotriguaçu (MT) arrastou uma casa, derrubou uma ponte e causou alagamentos. Chuva intensa durou horas e deixou moradores ilhados.
A chuva começou ainda de madrugada, por volta das 4h do dia 20, e só deu trégua perto das 10h. Foram horas de água descendo com força, sem dar tempo de escoar. O resultado apareceu rápido no chão: estrada de terra virou lama funda, córrego saiu do leito e comunidades ficaram isoladas. Em situações assim, cada hora conta, seja para salvar bens, seja para garantir passagem de ambulância ou caminhão.
Impacto no produtor
No interior, quando uma ponte cai, não é só concreto que vai embora. Some o caminho para levar leite, buscar ração, escoar produção ou chegar na cidade para resolver papelada. Em Nova União, a queda da ponte interrompeu o trânsito local e deixou moradores ilhados. Para quem depende da estrada todo dia, o prejuízo não fica só na conta da prefeitura, ele entra direto na rotina da propriedade.
A casa arrastada pela enxurrada mostra a força da água acumulada. Mesmo sendo construção simples, de madeira, é o tipo de cena que preocupa todo mundo que mora próximo de curso d’água. Em época de chuva forte, barranco cede, aterro não segura e o risco aumenta. Até o momento, não havia informação de feridos, o que alivia um pouco, mas o susto e as perdas materiais ficam.
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Chuva fora do padrão
De acordo com os dados repassados pela Defesa Civil de Mato Grosso, o município registrou 93 milímetros de chuva acumulada em 24 horas. Para ter ideia do tamanho disso, é volume suficiente para causar alagamento mesmo em áreas que costumam aguentar bem o período chuvoso. Quando cai tudo em poucas horas, não há estrada rural que segure.
Esse tipo de pancada intensa, concentrada em curto espaço de tempo, vem se repetindo em várias regiões do estado. O solo já encharcado não absorve mais, a água corre por cima e vai ganhando velocidade. Em regiões com relevo mais recortado e estradas de terra, o estrago costuma ser maior.
Comunidades isoladas
As imagens que circularam mostram bem a situação enfrentada pelos moradores: vias completamente tomadas pela água e lama, carros impossibilitados de passar e propriedades cercadas por enxurrada. Em área rural, isolamento não é só incômodo, é risco. Falta acesso a atendimento de saúde, abastecimento e apoio em caso de emergência.
Para quem tem produção animal, o isolamento traz outro problema. Ração pode faltar, coleta de leite atrasa e o manejo fica comprometido. Mesmo lavoura sofre, porque não entra máquina, não chega insumo e qualquer cronograma vai por água abaixo, literalmente.
Atuação da Defesa Civil
A Defesa Civil estadual informou que mantém contato com o município para orientar sobre os próximos passos. Entre eles, está a possibilidade de decretação de situação de emergência, medida que facilita o acesso a recursos e acelera ações de resposta. Também está em andamento o levantamento das famílias atingidas para dimensionar o tamanho do prejuízo.
Esse trabalho inicial é fundamental para definir onde agir primeiro. Em casos de enchente e alagamento, o foco imediato costuma ser restabelecer acessos, garantir segurança das pessoas e avaliar riscos de novos deslizamentos ou rompimentos.
Alerta para o período
O episódio em Cotriguaçu serve de alerta para todo produtor do estado. Temporal em Mato Grosso não é novidade, mas a intensidade tem surpreendido. Vale redobrar atenção com áreas próximas a córregos, revisar bueiros, observar aterros e evitar trânsito em estrada de terra durante chuva forte.
Quando a água começa a subir rápido, a recomendação é não arriscar passagem. O prejuízo de um dia parado costuma ser menor que o de perder veículo, máquina ou colocar gente em risco. Para quem mora em área mais baixa, acompanhar os avisos meteorológicos e manter contato com a defesa local pode fazer diferença.
O campo sente primeiro quando o clima aperta. E situações como essa mostram a importância de infraestrutura rural bem feita e manutenção constante. Enquanto isso, resta ao produtor se proteger, cobrar soluções e torcer para que a chuva volte ao ritmo normal, sem destruir o que levou meses para ser construído.
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