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Alerta Vermelho: Chuvas intensas ativam defesa em 4 estados

Publicado: 20/01/2026
Alerta Vermelho: Chuvas intensas ativam defesa em 4 estados

Inmet emite alerta vermelho para chuvas intensas em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Espírito Santo. Acumulados podem ultrapassar 100mm e causar desastres.

O volume previsto assusta. Em algumas áreas, a chuva pode passar de 100 milímetros em apenas um dia. Em outros pontos, com a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul, o acumulado pode chegar entre 300 e 500 milímetros em poucos dias. É água demais em pouco tempo, cenário conhecido por trazer prejuízo rápido, principalmente onde o solo já está encharcado.

Impacto no campo

No campo, excesso de chuva raramente é sinônimo de alívio. Em áreas de grãos, o risco imediato é a paralisação das máquinas. Solo saturado não segura trator, colheitadeira afunda, plantadeira não entra. Para quem está no plantio, cada dia parado empurra o calendário e pode comprometer janela de cultivo lá na frente.

Na pecuária, o problema muda de forma, mas não de tamanho. Estradas vicinais ficam intransitáveis, dificultando retirada de leite, transporte de ração e até atendimento veterinário. Pastagens em áreas mais baixas sofrem com alagamento, aumentando risco de doenças no rebanho e perda de forragem.

Em regiões de relevo mais acidentado, como partes de Minas e do Espírito Santo, a atenção precisa ser redobrada. Taludes encharcados cedem, estradas rurais são cortadas e propriedades ficam isoladas. Quem já passou por isso sabe que o prejuízo não é só o que se perde na lavoura, mas o tempo e o custo para recuperar acesso e estrutura.

Estados em alerta máximo

O Inmet colocou quatro estados no nível máximo de risco. Minas Gerais aparece com áreas críticas no leste do estado, justamente onde o relevo favorece enxurradas e deslizamentos. No Espírito Santo, grande parte do território está sob atenção, com histórico recente de eventos extremos causados por chuva persistente.

No Rio de Janeiro, o alerta chama atenção pelo volume concentrado. A possibilidade de mais de 100 milímetros em um único dia eleva o risco de transbordamento de rios e alagamentos, inclusive em regiões produtoras do norte do estado. Goiás completa a lista, com preocupação tanto para áreas agrícolas quanto para cidades que cortam importantes corredores logísticos.

Além desses, outros nove estados estão em alerta laranja, o segundo mais grave. Acre, Bahia, Distrito Federal, Tocantins, Roraima, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas entram nesse mapa de atenção. Em São Paulo, temporais já causaram transtornos, mostrando que o padrão de instabilidade está espalhado.

Papel da ZCAS

A Zona de Convergência do Atlântico Sul é velha conhecida de quem acompanha o clima no Brasil. Quando se organiza, ela mantém um corredor de umidade ativo por vários dias seguidos. Não é chuva forte isolada; é chuva constante, que não dá tempo de o solo drenar.

É justamente esse comportamento que preocupa. Acumulados entre 300 e 500 milímetros em poucos dias sobrecarregam rios, represas e sistemas de drenagem. No campo, isso significa enxurrada levando camada superficial do solo, erosão em áreas mal protegidas e dificuldade de acesso prolongada.

Para quem trabalha com culturas perenes, como café e frutas, o risco inclui queda de plantas, apodrecimento de raízes e dificuldade para realizar tratos culturais. Já em áreas de grãos, a combinação de umidade alta e calor abre espaço para doenças, aumentando custo com defensivos.

Riscos além da lavoura

Não é só a produção que entra na conta. Alagamentos e cheias de rios afetam armazéns, silos e estruturas de apoio. Estradas interditadas atrasam entrega de insumos e escoamento da safra. Em momentos assim, a logística pesa tanto quanto o clima.

Há também o fator humano. Propriedades em áreas de encosta ou próximas a cursos d’água precisam de atenção especial. O alerta do Inmet aponta risco à integridade física e à vida, o que exige decisão rápida quando a situação aperta. Nenhuma produção vale colocar pessoas em perigo.

Em regiões urbanas próximas ao campo, problemas se refletem no produtor. Falta de energia, interrupção de serviços e bloqueio de rodovias acabam travando a rotina rural, mesmo onde a lavoura escapou da enxurrada.

Cuidados imediatos

Em momentos de alerta vermelho, vigilância constante é regra. Acompanhar as atualizações do Inmet e das defesas civis locais ajuda a antecipar decisões. Se a chuva aperta, é hora de suspender operação, retirar máquinas de áreas baixas e proteger o que for possível.

No manejo, vale observar pontos críticos da propriedade: bueiros, saídas de água, curvas de nível. Pequenas intervenções antes da chuva podem reduzir estrago depois. Para quem tem animais, garantir acesso a áreas mais altas e abrigo seco evita perdas desnecessárias.

O clima extremo tem se tornado mais frequente, e o produtor já percebe isso na prática. Informação de qualidade, atenção aos avisos oficiais e planejamento são ferramentas tão importantes quanto qualquer insumo. Em dias de chuva pesada, prudência é investimento.

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Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.