ZCAS intensifica temporais em 7 estados do Centro-Oeste e Norte, com riscos para colheita de soja, plantio de milho e logística agrícola. Acompanhe os impactos!
Entre os dias 20 e 25 de janeiro de 2026, o alerta climático atinge sete estados. O impacto é direto no bolso do produtor, principalmente onde a soja está no ponto e o calendário do milho safrinha já começa a ficar justo. Não é só volume de água, mas sequência de dias nublados, calor e umidade alta, combinação que complica a rotina no campo.
Colheita sob pressão
No centro-norte de Mato Grosso, o cenário é de atenção máxima. A soja que entrou no ponto enfrenta dificuldade para ser retirada no momento certo. Máquina parada por excesso de chuva significa grão mais úmido, maior risco de avarias e perda de qualidade. Em algumas áreas, o produtor até entra no talhão, mas precisa sair rápido para não atolar.
Municípios como Água Boa, Nova Xavantina, Paranatinga, Santiago do Norte e Lucas do Rio Verde estão dentro da área com previsão de acumulados elevados. A soma pode chegar perto de 100 mm em poucos dias, o que pesa tanto no chão quanto na programação das equipes. Quando abre uma pequena janela de sol, a pressa aumenta, e nem sempre dá para fazer tudo do jeito ideal.
Em Goiás, a situação não é muito diferente. Desde a madrugada de quarta-feira, dia 21, os temporais vêm se repetindo em regiões produtivas como Acreúna, Cristalina e Iporá. O produtor acompanha o radar no celular, tenta antecipar serviço, mas muitas vezes a chuva chega antes do combinado. Clique aqui e acompanhe o agro.
Milho safrinha atrasado
O milho segunda safra depende diretamente do ritmo da colheita da soja. Quando uma atrasa, o outro paga a conta. Com o solo saturado, o plantio fica comprometido, e cada dia perdido encurta o ciclo disponível para o desenvolvimento da lavoura.
No Mato Grosso, onde a safrinha tem peso enorme no resultado final da propriedade, esse atraso preocupa. Plantar fora da janela ideal aumenta o risco lá na frente, seja por veranico, seja por frio fora de hora em algumas regiões. O produtor faz conta, ajusta híbrido, muda população, tudo para tentar reduzir o prejuízo.
Já em Mato Grosso do Sul, o cenário é um pouco mais favorável. O tempo firme predomina, ajudando as lavouras de soja a avançarem melhor. Mesmo assim, o produtor acompanha o que acontece nos estados vizinhos, porque qualquer mudança no padrão de chuva pode chegar rápido.
Chuvas no Norte
No Norte do país, os temporais aparecem de forma mais irregular, mas não menos preocupante. O centro-sul do Tocantins e o sul e oeste do Pará entram no radar dos meteorologistas, com pancadas frequentes e acumulados elevados em alguns pontos.
Há formação de uma grande área de instabilidade entre Ponta Alegre e Maguari, na região intermediária de Manaus. Nessas áreas, a logística já costuma ser mais sensível, e chuva em excesso complica ainda mais o transporte da produção e o funcionamento das agroindústrias.
No sul do Pará, além da lavoura, as operações industriais também sentem o impacto. Estradas escorregadias, dificuldade de acesso e atraso no escoamento viram parte da rotina quando o tempo fecha por vários dias seguidos.
Logística vira gargalo
Não é só dentro da porteira que a chuva aperta. Fora dela, a logística sente rápido. Estradas vicinais sofrem com buracos, pontes ficam comprometidas e o transporte até armazéns ou esmagadoras perde ritmo. O produtor que consegue colher enfrenta fila para descarregar ou precisa segurar a produção por mais tempo na fazenda.
Com grão mais úmido, cresce a demanda por secagem, o que eleva custo e gera disputa por espaço nas unidades armazenadoras. Em anos de clima mais ajustado, isso já é um desafio. Com temporais persistentes, vira um teste de paciência e planejamento.
No Amazonas, culturas como frutas e hortaliças também entram nessa conta. O excesso de chuva atrasa colheitas, dificulta o manejo e pode comprometer a qualidade do produto que chega ao mercado.
Monitoramento é essencial
Diante desse cenário, acompanhar a previsão do tempo deixou de ser detalhe e virou ferramenta de gestão. A combinação de calor, umidade, áreas de baixa pressão e a ZCAS mantém o tempo instável, exigindo decisões quase diárias na propriedade.
Quem consegue ajustar equipe, máquina e logística de forma flexível sai na frente. Às vezes é melhor esperar um dia a mais para evitar prejuízo maior. Em outras situações, vale aproveitar uma brecha curta de tempo firme para adiantar o máximo possível.
O momento pede cautela, planejamento e informação de qualidade. A chuva é necessária e faz parte do jogo, mas quando vem em excesso e por vários dias seguidos, exige atenção redobrada de quem vive da terra.
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