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Soja: Preços em queda e negócios travados; veja as regiões

Publicado: 21/01/2026
Atualizado: 21/01/2026
Soja: Preços em queda e negócios travados; veja as regiões

Mercado de soja enfrenta pressão com queda de preços e baixo volume de negócios. Analise as cotações por região e o impacto do cenário externo

Soja em baixa: quando o preço aperta, o produtor pisa no freio

O bolso do produtor anda rangendo. A soja escorregou de preço nas últimas semanas e, do lado de cá da porteira, o reflexo é claro: ninguém se anima a vender. Negócio só sai pingado, daquele jeito, pra cumprir compromisso ou aliviar caixa. Fora isso, o mercado está mais parado que trator em dia de chuva grossa.

Quem roda cooperativa, corretora ou sindicato rural percebe o clima. A conversa gira em torno da colheita avançando e da conta que não fecha. Com custo alto, vender agora é como aceitar milho verde por preço de palha. Dá até dor no estômago.

Preços regionais mostram o tom da queda

Os números ajudam a tirar a conversa do achismo. Levantamento da Safras & Mercado mostra recuo nas principais praças do país. No Rio Grande do Sul, Passo Fundo viu a saca sair de R$ 131 para R$ 126. Em Santa Rosa, o movimento foi parecido: de R$ 132 para R$ 127.

No Paraná, Cascavel também perdeu fôlego, caindo de R$ 122 para R$ 120. No Centro-Oeste, o aperto foi sentido com força. Rondonópolis, em Mato Grosso, recuou de R$ 115 para R$ 113. Dourados, no Mato Grosso do Sul, foi de R$ 115 para R$ 112. Em Rio Verde, Goiás, a saca passou de R$ 115 para R$ 111.

Nos portos, que costumam dar algum alento, o cenário também não empolga. Paranaguá cedeu de R$ 132 para R$ 131. Rio Grande caiu mais, de R$ 134 para R$ 130. Não é tombo de quebrar perna, mas é ladeira suficiente pra fazer o produtor segurar o grão no armazém.

Colheita anda, venda não acompanha

Janeiro passou sem praticamente nenhuma oferta relevante. Fevereiro até aparece na conversa, mas com valores que desanimam. A prioridade do produtor, neste momento, é tirar a soja da lavoura. Colher bem, perder pouco e guardar. Negociar ficou pra depois.

E faz sentido. Com a colheita ganhando ritmo em várias regiões, o foco está na logística, no secador, no caminhão. Vender agora, com preço baixo e frete caro, é como plantar cedo sem previsão de chuva. Pode até dar certo, mas o risco é todo seu.

Chicago pesa na balança

Lá fora, a história não ajuda. A Bolsa de Chicago vem trabalhando no vermelho, pressionada por oferta grande no mundo e por ruídos no comércio internacional. A tensão entre Estados Unidos e União Europeia entra como mais um grão de areia nesse motor.

Os contratos futuros sentiram o baque. O vencimento março fechou a US$ 10,53 por bushel, com recuo de 0,44%. Maio acompanhou, encerrando a US$ 10,64 por bushel, também com queda de 0,44%. Não é despencada, mas é aquele desgaste diário que vai minando a confiança.

Teve um alívio pontual no farelo, que subiu, enquanto o óleo de soja ficou levemente para baixo. Os Estados Unidos anunciaram venda de 190 mil toneladas de farelo para as Filipinas, com entrega prevista para a safra 2025/26. Ajuda, claro, mas não muda o jogo.

As inspeções de exportação norte-americanas vieram menores que na semana anterior, embora acima do registrado no mesmo período do ano passado. É aquele meio-termo que não empurra o mercado pra cima nem deixa cair demais.

Dólar faz força, mas não resolve

No câmbio, o dólar até tentou dar uma mãozinha. A moeda comercial fechou com alta de 0,29%, cotada a R$ 5,3795 para venda, depois de oscilar entre R$ 5,3591 e R$ 5,4086. Só que o efeito foi limitado. Clique aqui e acompanhe o agro.

Com Chicago fraca e prêmios mais magros, o dólar sozinho não consegue levantar o preço interno. É como engatar tração só em uma roda quando o atoleiro é grande.

Prêmios mais baixos e conta apertada

Os prêmios nos portos perderam força, e isso pesa direto na formação do preço. Para quem está longe do porto, a situação aperta ainda mais. Frete não caiu no mesmo ritmo da soja, e o custo segue batendo na porta.

Na ponta do lápis, muita gente prefere segurar. O produtor que tem estrutura de armazenagem respira um pouco melhor. Quem depende de terceiros sente o aperto mais cedo. Cada dia a mais parado é uma diária a mais no armazém.

E agora, qual é o jogo?

O cenário pede sangue frio. Não é hora de desespero, mas também não dá pra fingir que está tudo bem. O mercado de soja está pesado, com oferta grande e demanda andando de lado. Qualquer faísca positiva pode vir de fora, seja um ajuste em Chicago, seja uma mexida no câmbio.

Até lá, o produtor faz o que sempre fez nos momentos difíceis: calcula, conversa, troca ideia no sindicato, ouve a cooperativa e decide no seu tempo. Vender um pouco pra fazer caixa, segurar o restante, travar custo onde dá. Estratégia de sobrevivência, não de luxo.

Quem já atravessou safra ruim sabe. Mercado é igual lavoura: tem ano de colheita farta e preço curto. O segredo é não perder o controle da operação. Porque soja vai e volta, mas a conta no banco não perdoa atraso.

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Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.