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Boi gordo: Preços sobem com escalas de abate mais curtas

Publicado: 21/01/2026
Atualizado: 21/01/2026
Boi gordo: Preços sobem com escalas de abate mais curtas

Confira a alta nos preços do boi gordo impulsionada pela redução nas escalas de abate dos frigoríficos. Veja as cotações da arroba em São Paulo, Goiás, Minas Gerais e mais

Preços do boi gordo sobem e o reflexo cai direto no caixa da fazenda

Quem terminou a semana fazendo conta no caderno percebeu: o boi voltou a respirar. Não é disparada, não é euforia, mas é aquele alívio que dá quando o frigorífico liga antes da gente. As escalas de abate encurtaram, o gado pronto não está sobrando e isso mexeu com os preços do boi gordo. Para quem está com boi no ponto, a conversa mudou de tom.

Hoje o jogo virou um pouco mais a favor do pecuarista. Não dá para cantar vitória, mas dá para sentar na mesa com mais firmeza. Escala curta é igual pasto rapado no fim da seca: quem precisa corre atrás. E tem frigorífico correndo.

Escalas mais apertadas mexem com o mercado

As indústrias estão trabalhando com programação curta, coisa de seis a sete dias úteis. Isso não é folga. É pouco. Principalmente para os frigoríficos menores, que não têm gordura para segurar compra. Resultado: mais disputa pelo boi terminado.

Quando a escala aperta, a conversa muda rápido. Aquela tentativa de segurar preço some. Aparece proposta melhor, melhora prazo, às vezes até flexibiliza especificação. É o mercado falando alto.

Isso explica por que em vários estados os negócios estão saindo acima da referência média. Não é especulação. É necessidade.

Quanto está valendo a arroba hoje

Vamos aos números, porque conta se faz com dado, não com boato de beira de curral. A média das cotações da arroba do boi gordo mostra bem esse movimento:

  • Goiás: R$ 310,00
  • Minas Gerais: R$ 309,41
  • Mato Grosso: R$ 295,68
  • Mato Grosso do Sul: R$ 307,61
  • Minas Gerais: R$ 309,41
  • São Paulo: R$ 321,67

São Paulo segue puxando a fila, como de costume. Goiás e Minas vêm logo atrás, com mercado firme. Mato Grosso ainda sente mais oferta, mas também não está largado.

Para quem fechou boi magro caro lá atrás, essa melhora ajuda a respirar. Não resolve tudo, mas diminui o aperto.

Carne no atacado segura firme, mesmo fora de época

Outro ponto que chama atenção é o comportamento da carne no atacado. Normalmente, esse período não ajuda muito. O consumo interno costuma dar uma esfriada. Mesmo assim, os preços seguem firmes.

No balcão do atacado, os valores estão assim:

  • Quarto traseiro: R$ 26,50 o quilo, com alta recente de R$ 0,10
  • Quarto dianteiro: R$ 19,00 o quilo
  • Ponta de agulha: R$ 17,50 o quilo

Não é um estouro, mas também não é queda. Isso ajuda a indústria a pagar melhor no boi, mesmo com consumo doméstico andando de lado.

O sinal amarelo fica para a segunda metade do mês. A concorrência com frango e suíno pesa. Se essas proteínas ficarem mais competitivas, a carne bovina pode sentir. Mercado é igual cerca velha: se não cuidar, abre buraco.

Exportação segue ajudando, com dólar no pano de fundo

Se o consumo interno não empurra, quem ajuda a segurar o rojão é a exportação. A demanda externa continua firme, com destaque para os Estados Unidos, que seguem comprando bem.

O câmbio também dá uma mãozinha. O dólar comercial fechou cotado a R$ 5,3795 para venda e R$ 5,3775 para compra. Não é disparada, mas é um patamar que mantém a carne brasileira competitiva lá fora.

Para o produtor, isso se traduz em mais fôlego para a indústria pagar melhor no boi aqui dentro. Não é mágica. É matemática.

O que o pecuarista precisa observar agora

Primeiro ponto: não se empolgar demais. Mercado firme hoje não garante preço amanhã. Quem tem boi pronto precisa avaliar bem o momento de venda, olhando custo, escala regional e fluxo de caixa.

Segundo: atenção redobrada ao boi de reposição. Se o boi gordo melhora e o bezerro dispara, a conta não fecha lá na frente. É aquela história de comprar milho caro achando que o preço do frango vai salvar tudo. Nem sempre salva.

Terceiro: olho no atacado. Se começar a dar sinal de fraqueza mais forte, a indústria vai tentar repassar isso para a arroba. É rápido. Mercado não avisa com antecedência.

Clima de curto prazo é positivo, mas com cautela

No resumo da ópera, o cenário de curto prazo é mais favorável para o vendedor de boi gordo. Escalas curtas, exportação firme e carne sustentada formam um tripé que segura o preço.

Mas é bom lembrar: isso é fotografia, não filme. Basta aumentar oferta ou o consumo dar um passo atrás para o jogo mudar. Quem está no campo sabe. Mercado do boi é igual estrada de chão depois da chuva: parece firme, mas se acelerar demais, atola.

O produtor que acompanha o dia a dia, conversa com comprador, troca ideia no sindicato e faz conta fria tem mais chance de acertar o ponto de venda. Informação bem digerida vale mais que promessa de preço alto.

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Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.