A CNA estima queda de 2,1% no VBP de 2026. A safra 2026/27 já está em andamento, e o próximo Plano Safra será o primeiro elaborado no novo mandato.
O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva na noite deste domeingo, 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos. O novo mandato começa em janeiro de 2027. A estimativa mais recente da CNA para o setor, publicada dois dias antes da votação, prevê Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 1,496 trilhão em 2026, 2,1% abaixo do resultado de 2025.
CNA estima queda no valor da produção em 2026
A CNA atribui a retração menor à recuperação de cotações de produtos como soja, algodão e arroz, além do avanço da produção agrícola. O VBP mede o valor gerado pela produção agropecuária; não indica, por si só, quanto será colhido.
Em uma avaliação feita no começo de outubro, o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, projetou manutenção do crescimento do PIB do agronegócio, sem grandes avanços ou recuos, considerando possíveis efeitos do El Niño. “O ajuste nas contas públicas é importante para a retomada de investimentos e infraestrutura”. PIB e VBP medem aspectos diferentes da atividade, por isso as duas projeções não são diretamente comparáveis.
A safra 2026/27 já conta com um Plano Safra anunciado. O Ministério da Agricultura prevê R$ 525,1 bilhões para custeio, comercialização e investimentos na agricultura empresarial. A execução desse crédito será uma das primeiras medidas a acompanhar. Pelo calendário, o Plano Safra 2027/28 tende a ser o primeiro elaborado integralmente no novo mandato.
Crédito, dívidas e seguro rural seguem entre as cobranças
Em setembro, ABAG, Instituto de Estudos do Agronegócio, CNseg e Acrefi estimaram que a necessidade anual de financiamento do agronegócio supera R$ 1 trilhão. O relatório comparou essa demanda ao Plano Safra 2025/26, de R$ 516,2 bilhões; portanto, esse cálculo não atualiza a diferença para o plano vigente. O documento também registra que a área cultivada coberta por seguro rural caiu de 16,3% em 2021 para 3,3% em 2025.
A Frente Parlamentar da Agropecuária apoiou Flávio Bolsonaro antes do segundo turno. Após o primeiro turno legislativo, a FPA apontou endividamento rural, acesso ao crédito e previsibilidade do Plano Safra como temas a negociar com o próximo governo.
As projeções econômicas previstas após a eleição também ajudam a dimensionar os custos que podem chegar ao campo. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, estimou crescimento de cerca de 1,3% para a economia brasileira em 2027, inflação persistente, menos espaço para cortes da Selic e dólar: “Enxergamos volatilidade no câmbio, que deve ficar em torno de R$ 5,40 de forma sustentada em 2027.”
A economista Solange Srour, do UBS GWM, alertou que a falta de medidas fiscais poderia pressionar câmbio, inflação e juros de longo prazo. “A urgência é máxima, eu diria, na sinalização para o mercado”. São avaliações sobre a economia nacional, não previsões específicas para o agronegócio.
No campo, juros e câmbio afetam o custo do financiamento e dos insumos importados. O efeito sobre cada atividade dependerá também dos preços de venda e das operações já contratadas. A CropLife Brasil, associação de empresas de sementes, biotecnologia, defensivos e bioinsumos, mencionou diálogo institucional e previsibilidade regulatória em nota publicada após o resultado.
O desempenho do setor nos próximos ciclos dependerá da execução do Plano Safra atual e das regras que forem anunciadas para 2027/28.
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